Entrevista: Saulo Laranjeira + Clara Becker + Gereba

“Luiz, respeita Januário, Luiz, respeita Januário
Luiz, tu pode ser famoso, mas teu pai é mais tinhoso
E com ele ninguém vai, Luiz! Respeita os oito baixo do teu pai!
Respeita os oito baixo do teu pai” Luiz Gonzaga

Saulo Laranjeira

Cem anos após o nascimento, num dia 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga é celebrado com homenagens de norte a sul do país. Gereba Barreto, compositor baiano que conviveu com o mestre, afirma o incômodo que Luiz sentia com o rótulo de “forrozeiro”. “Era o sonho dele ser reconhecido também como compositor”.

O CD “Luas do Gonzaga”, lançado de forma independente pelo compositor, conta com a participação de Gilberto Gil, Zeca Baleiro, Lenine e outros, e joga luz sobre esse lado menos conhecido de Gonzagão, o de compositor de valsas, choros e mazurcas. “A música de Luiz Gonzaga está no DNA do brasileiro”, opina Gereba a respeito da permanência da obra de Gonzagão.

A cantora Clara Becker, que dedicou o disco “Dois Maior de Grande”, apresentado neste final de semana, dia 16, às 19h, no Canal Brasil, a Gonzaguinha e Gonzagão, afirma que o centenário artista “descortinou o nordeste do Brasil ao sul”. “É um clássico popular. Porque apesar de todo o sofrimento nordestino, apresentou de forma muito alegre, rica e simples, as contradições do país”, opina Clara.

No Sesc Palladium, a homenagem ao ‘Rei do Baião’, ficará a cargo do mineiro Saulo Laranjeira e do cearense Saldanha Rolim. O espetáculo prestará tributo também a Geraldo Vandré, e acontece no dia 19 de dezembro, às 21h. Saulo considera que o maior legado de Luiz Gonzaga reside na “pureza e espontaneidade com que o artista expôs a poesia e musicalidade do Nordeste”.

A relação entre ele e Gonzagão se estreitou, segundo o entrevistado, em virtude de sua amizade com Gonzaguinha. “O conheci quando ele morava em Belo Horizonte e tivemos a oportunidade de selar nossa amizade”, rememora. Em visitas à casa do filho de Gonzagão, Saulo conheceu o ‘Rei do Baião’. E teve uma feliz surpresa. “Nossa admiração era mútua. Ele era fã dos meus personagens, e assim estabelecemos um elo que migrou do profissional para o pessoal”.

Saulo define a importância de Luiz Gonzaga para o universo da canção popular brasileira a partir de uma comparação propícia: “Tem o viés e a linguagem de Ariano Suassuna e Guimarães Rosa, mestres da literatura, como ele o é para a música”.

Clara Becker

Raphael Vidigal

Publicado no jornal “Hoje em Dia” em 13/12/2012.

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Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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