Entrevista: Cantadores (Saulo Laranjeira, Xangai, Chico César, Elomar)

“Ouvi na viola de pastores
Bardos sonhadores que arrebanham estrelas” Elomar

Elomar não dá entrevista. Chico César, atarefado com as obrigações da secretaria de Cultura da Paraíba, está indisponível. Xangai e Saulo Laranjeira, então, tomam os préstimos de representar os ausentes e traçam as linhas e sons do que será a apresentação dos “Cantadores”, no Sesc Palladium, dia 17 de novembro, em concerto arquitetado com a direção musical do violonista e maestro João Omar de Carvalho Mello, também presente no espetáculo.

COMPROMISSO
Baiano como Elomar e ainda “com um grau de parentesco”, Xangai diz-se conhecedor da linguagem do companheiro de palco e vida, como “um habitante da Gruta de Maquiné ou Curvelo entende Guimarães Rosa“, compara.

Saulo Laranjeira, o mineiro dentre os compadres, protesta ante a dificuldade de expressão da música popular brasileira em rádio e televisão, em virtude da “falta de apelo e compromisso”. Xangai concorda e avança no tema: “O problema não é de produção, mas de vontade política. O governo abre as pernas para indecorosidades estrangeiras e impede o público de ter acesso a um João do Vale, Tião Carreiro, Tavinho Moura, Almir Sater”, enumera.

CANTORIA
As cantorias, como sublima Xangai, dos quatro músicos, percorrerão árias de óperas de Elomar, como “A Tirana do Tropeiro” e “O Alto da Catingueira”, canções autorais de Chico César, por exemplo “Utopia”, músicas folclóricas e o sucesso de Renato Teixeira, “Romaria”. “Serra da Boa Esperança”, lançada pelo cantor seresteiro Sílvio Caldas, autoria de Lamartine Babo, figura no roteiro.

DEFESA DAS RAÍZES
Unidos por interesses em comum e a mesma perspectiva a respeito do cancioneiro nacional, oposto à produção de massa que para tocar no rádio precisa ser “predominante dançante, ninguém se preocupa mais com poesia ou letra, só importa o ritmo”, afiança Saulo, os quatro cantarão juntos, intercalando a momentos solo.

“Existe essa grande expectativa por parte do público, de como será a interatividade. Posso dizer que cantaremos cada um com seu cada um”, declara com bom humor Xangai. Saulo Laranjeira usa a produção nacional para dar uma dica preciosa sobre a apresentação: “A nossa música é muito rica, cheia de referências”.

THE VOICE BRASIL
A música apresentada por Saulo Laranjeira, Xangai, Chico César e Elomar na noite deste sábado não toca no rádio nem aparece em telenovelas. Contraditoriamente, emerge do seio do povo, é medieval, trovadoresca, erudita, mas, acima de tudo, sertaneja.

O sentido adquirido por esta palavra nos últimos tempos desagrada aos “Cantadores”. “Não há mais espaço para a música romântica, mesmo os sertanejos de universo pop, como Chitãozinho & Xororó não têm mais voz nem vez”, afirma Saulo Laranjeira.

Uma alternativa a mudar esse cenário, é, de acordo com Laranjeira o programa “The Voice Brasil”, visto com bons olhos. “Não só por revelar bons cantores, mas principalmente porque essas pessoas buscam, naturalmente, um repertório voltado para músicas desconhecidas do grande público, clássicos nacionais”.

Cantadores

Raphael Vidigal

Publicado no jornal “Hoje em Dia” em 17/11/2012.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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