Todas as letras do álbum “Waldir Silva em Letra & Música”

“Corria na voz do instrumento
Um gesto singular
Deus conduz e soergue da lona
O veludo das mãos”

Foto com os envolvidos no coreto da Praça da Liberdade

O projeto “Waldir Silva em Letra & Música” nasceu do desejo de ampliar o alcance da obra do instrumentista Waldir Silva, e traduzir, em palavras e versos – ou seja, letras – o que as notas instrumentais do mestre sempre disseram, além de manter viva a memória daquele que nos deixou em setembro de 2013. Para tanto, foi viabilizada a produção de CD em homenagem intitulado “Waldir Silva em Letra & Música” com a participação de nomes ligados à história afetiva e musical do cavaquinhista, além de um espetáculo de lançamento.

Waldir Silva continua sendo um dos mais consagrados artistas do país. Com seu “cavaquinho de ouro”, gravou, além de inúmeros discos de 78 RPM, vinte e nove long-plays e nove CD’S. Durante várias décadas transitou, como contratado, pelas mais famosas gravadoras do país, tocando ao lado dos maiores artistas brasileiros. Talentoso e reconhecido instrumentista, foi também um compositor de mão cheia. É essa obra autoral do cavaquinhista que se pretende levar aos saudosos fãs e também para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de conhecê-la.

Como se não bastasse, reúne a tradição ao contemporâneo, ao apresentar sob a perspectiva de uma música letrada melodias que começaram a ser compostas no início da década de 1960. Portanto, trata-se de material inédito que revela e amplia o sentido da música de Waldir Silva, sem jamais esquecer a história e as raízes. Em comemoração, agradecimento e homenagem à sua carreira que se misturou à vida e que se misturou à arte, de mais de 60 anos dedicados à música, este espetáculo e CD, produzidos dentro dos padrões de qualidade técnica atual, servirão como resgate e lançamento cultural de extrema importância para a valorização e reconhecimento de um dos maiores músicos da “era de ouro” da nossa Música Popular Brasileira.

Nascido na cidade de Bom Despacho, Minas Gerais, Waldir ganhou o primeiro cavaquinho aos sete anos do seu pai e aos doze anos já se apresentava na cidade de Pitangui. O primeiro passo para deslanchar na carreira aconteceu com a gravação de sua composição “Telegrama Musical”. Apesar de ser uma música eminentemente instrumental, essa composição, através das notas musicais isoladas, emitia uma mensagem expressa em código “Morse”, que encantou a todos. O sucesso na época foi tanto que Waldir Silva foi parabenizado pelo então presidente da República, Juscelino Kubistchek, que, por também ter sido telegrafista, assim como Waldir, entendeu perfeitamente a mensagem e agradeceu respondendo com o mesmo código.

De lá para cá a carreira de Waldir Silva foi coroada de sucessos. Passou pelas mais famosas gravadoras do país e tocou ao lado dos maiores artistas do nosso cenário. Gravou composições próprias e registrou em disco os trabalhos dos maiores compositores do país. Com residência firmada em Belo Horizonte, o músico desenvolveu todo o seu trabalho sem se deslocar para o eixo Rio/São Paulo. Toda sua produção foi desenvolvida em Belo Horizonte e projetada para o mundo todo. Uma trajetória de sucessos, marcada por apresentações por todo o Brasil e outros países do mundo não poderia deixar de ser contemplada, registrada e eternizada em toda a sua essência e amplitude.

Agora com letras construídas com métrica, primazia e admiração por Raphael Vidigal e parceiros (como André Figueiredo), lançar as composições autorais de Waldir Silva é reconhecer a qualidade da música mineira e perceber o alcance dessa produção no cenário nacional e internacional. Ao realizar esse trabalho, pretendemos contrariar a máxima de que nosso povo não tem memória, além de amplificar o sentido da obra ao tentar traduzir as sonoridades, mas sempre respeitando a essência, através de palavras.

Waldir Silva sempre estará vivo na mente daqueles que amam nossa verdadeira música. Falecido recentemente, em setembro de 2013, aos 82 anos, ele deixou a lição de um músico essencialmente brasileiro que teve nessa arte o “motivo condutor” de sua vida. Este espetáculo e CD será uma homenagem a este artista mineiro que esteve sempre conosco através de suas apresentações no projeto “Minas ao Luar” e que levava a alegria da música às praças mineiras e merece ser lembrado mais uma vez, e sempre!

Veludo
(Waldir Silva, Raphael Vidigal e André Figueiredo)

Me lembro do meu bom amigo
Sentado no chão
Ele tocava a sua sanfona
Ou seu acordeom
Toda noite ele vinha
Para a roda de choro
Dias que estão na memória
Ai que dor lembrar

Corria na voz do instrumento
Um gesto singular
Deus conduz e soergue da lona
O veludo das mãos

Que falta seu sorriso
Abraço
Me arrebenta
A falta de um amigo do peito
Não tem solução
(Você não viu porque razão? – solo final)

Eis o tempo com a espada e a colina à frente
Em mim
Traz alegria a lembrança do irmão
Descobrir
No que antes não acreditava não
Vou escrever elegias
E cantar com emoção

Mesmo assim
A saudade é um amor que nos vinga e vã
Lá eis o sol a se pôr no final
De amanhã

Como um veludo que passa
Acalenta e amacia
É a vida da gente
E o que tem de melhor
É nesse amigo se espelhar
Com devoção

Duas Lágrimas
(Waldir Silva e Raphael Vidigal)

Assim
Chegou
Do coração
Nem tive mais o que dizer
Pra te consolar

Quanto tempo se foi pela vida
Vendavais
Quantas juras eu acreditei
Sem haver jurado

Assim
Nem sei
Mais esconder
Que o que houve um dia entre nós
Chegou ao seu fim

Venho lhe pedir
Que alimente a mágoa
A sós
Pois o meu coração
Achou
A ternura e a paz

Por favor, solte as cordas
Que prendem sãs
Não se esconde
O amor
Dentro de
Um porão
Sem luz

Não posso esquecer
Tantas lágrimas derramei
Pois tentamos com a ilusão
Segurar esse amor
Que cresceu

Que desabou
Aos poucos
E agora só restamos
Duas lágrimas
Assim, pelo chão

Um Cavaquinho no Mambo
(Waldir Silva, Wagner Saraiva, Raphael Vidigal e André Figueiredo)

Hoje vou
Ensinar a dançar
O mambo
Sem disfarçar

Toque a perna da parceira
Passe o braço na cintura
E vamos lá

Ponha o rosto no pescoço
O quadril é bom que fique
A se soltar

Não para
O mambo
Não para
O mambo
Não para
O mambo
Não para não

Meu enredo pessoal
De confete e serpentina
Cavaquinho nos uniu

Vou
Ensinar a dançar
O Mambo
Sem disfarçar
Essa é a maior das lições, sim?

Preste atenção
Ouvido atento
Não se perca, venha já

Toque a perna da parceira
Passe o braço na cintura
E vamos lá

Ponha o rosto no pescoço
O quadril é bom que fique
A se soltar

Não para
O mambo
Não para
O mambo
Não para
O mambo
Não para não

Meu enredo pessoal
De confete e serpentina
Cavaquinho nos uniu

Vou ensinar a dançar
Mambo é do coração
Essa é a maior das lições, viu?
É a união do cavaquinho,
Dança, Cuba, animação!

Paraibeiro
(Waldir Silva, Zé Ramalho e Raphael Vidigal)

Na Paraíba um mineiro assim chegou
Usava botas carmesins e um terno azul
Sobre a cabeça o chapéu de um verde rum
No olhar cingia a esperança contra alguns
Sua barriga reclamava do jejum
Obstinado ignorava o próprio som
E caminhava como se fosse nenhum
Uma alma leve, a via sacra de Jesus
Abriu a pasta e cuidadoso retirou
O objeto delicado espiou
Os curiosos o cercaram, um a um
Na Paraíba um mineiro assim chegou
E o velho cavaquinho ele desafiou

Ele desavisou
Ele descosturou
Ele reinventou
Ele não se importou

Com essa magia
Ele trouxe à geração
A nova maneira
De tocar o coração
Era fama e moda na cidade onde aportou
Mas logo à sua terra regressou

Telegrama Número 2
(Waldir Silva, Raphael Vidigal e André Figueiredo)

Já lhe enviei três cartas
Mas você não respondeu
Eu queria era falar
Da saudade que me bateu

Hoje em dia resolvi
Abrir mão desse triste adeus
Minha cara, sinto muito
Mas quem se deu bem fui eu

Logo após essas três cartas
Tomei uma decisão
Virei uma, virei duas
E entrei no tal portão

Tropeçando nas escadas
De fato me apresentei
Essa terra é a preferida
Aqui eu me sinto um rei

Encontrei uma mulata
Bem debaixo de sua saia
Dancei junto a noite inteira
E a saudade escafedeu-se

Ia falando daquela mulata
Obedecemos à regra da casa
Cumprimos o horário
Do ponteiro que era meu

Me lembrei daquelas cartas
Mas só via a mulata
E pensei naquele instante:
“- Que bom que ela não me respondeu!”

Já lhe enviei três cartas
Mas quem se deu bem fui eu
Minha cara, sinto muito
Tomei uma decisão

Logo após essas três cartas
Aqui eu me sinto um rei
Essa terra é a preferida
Saudade que me bateu

Virei uma, virei duas
De fato me apresentei
Tropeçando nas escadas
Mas você não respondeu

Eu queria era falar
Que do triste adeus, abro mão
Porque estou bem decidido
A subir naquele avião (Bis)

Totalmente resolvido
A subir naquele avião

Uma Saudade (Ao Meu Xará)
(Waldir Silva, Raphael Vidigal e André Figueiredo)

A saudade traz-me o choro ao lembrar
Meu xará, delicado, meu bom amigo,
Pedacinhos do céu na memória
Cavaquinho, apanhei-te, atrevido
Logo traço um destino entre o novo e o antigo
Sou brasileirinho

Então meu cavaquinho derrama-se em choro ao prestar homenagem
Pois é quase covarde a vontade do homem se impor frente à arte
Vejo a fonte despida e as notas do artista em mim a jorrar, por favor
Saiba merecer, chorar, tocar, pra ti mentir,
E a alguém dizer que não há nada melhor
Que a união de um cavaco e um coração

Minhas mãos, meu cavaquinho,
Me diga que rumo seguir
Que tal frevo da lira?
Ou um arrasta-pé?
Vê se gostas assim

Naquele tempo lamento era em dó
Eu seresteiro ouvia a mágoa
Do seu cavaquinho, a flor do serrado,

Olhe-me bem mansinho
Pra não cair em ti
Trouxe contente um recado a você, meu chorão
Vou em frente e se der, se possível lembrar
Que tenho muito a exaltar
O bom choro sorri

Cavaquinho Triste
(Waldir Silva e Raphael Vidigal)

O grande amor da minha
Vida
Um dia me abandonou
O inverno se instalou
No coração

Nem tenho forças
Pra acudir ao tempo
Que não volta atrás
Nunca mais

Cavaquinho que me encosta
O peito nas cordas
Triste a lamentar
Meu fim
Um dia sonhei
Mesmo acreditei
Num final feliz para nós dois

Ó cavaquinho não me deixes
Hoje raia um dia triste
Noite cobre teu véu negro, gim
Debaixo a estrelas
Minha eterna musa
Qual um dia amei
Perdi

Cavaquinho não me olhas
Teu olhar assusta
Tu me lembras
Do meu fim
Um dia sonhei
Acreditei
Ser feliz

A solidão pede passagem
E a lembrança é o que tem
Por castigo
Pois o passado tem ciúme
E ao presente ele abraça
Num falso tecido

Cavaquinho que me encosta
O peito nas cordas
Triste a lamentar
Meu fim
Um dia sonhei
Mesmo acreditei
Num final feliz para nós dois

A solidão está com o homem
De Tróia até o Egito
É que o passado tem ciúme
E agora ele lança
Os seus comprimidos

Cavaquinho não me olhas
Teu olhar assusta
Tu me lembras
Do meu fim

Quatro Cordas Que Choram
(Waldir Silva, Raphael Vidigal e André Figueiredo)

Mais um amor vivido
Desapareceu
Na poeira da dor
Lembrar de ti
Me mata
Eu não posso mais
Continuar assim
Não

Fito um copo de vidro
Frente aos olhos meus
E ele se quebrou

Tenho até conseguido
Tocar outras cordas
Não me tocam não
Ora, esta vida ingrata
Mal me acolheu
Eu partirei então, viu?

Quatro cordas que choram
Darei outro rumo
A um velho coração
Ainda
Saudades de ti
Difícil prosseguir
Mas vou

Eu procurei
Um alento, luar
Que pudesse me indicar
A luz altaneira
Pois é preciso cuidado,
Já não sou o mesmo
Essa dor pagã…

Andei terras milhas
Mais de mil lugares
E não
Serei capaz
De te esquecer
Volto
Ao meu lugar
Para sofrer
Quieto, resignado
Não pude escolher
Meu destino

Mil Vezes Só
(Waldir Silva e Raphael Vidigal)

Sei
Que você vai voltar pra mim
Meu bem
Não se pode afastar
O amor
Ele volta
Com uma força maior
E nos faz outra vez
Repensar nossa vida

Errei
Meu pecado é uma cruz
Busquei
Perdão sem cessar
O rancor
Fecha a porta
E não deixa entrar
Noite e dia passei
Esperança perdida

Pois eu sem você
Não sou ninguém
Pois você pra mim
Vai muito além
Mil vezes só é te ver
Longe assim (Bis)

Ouvi
Tempo passa
Eu não vou ficar
E disse
Esperai, pois hei de subir
O céu para mim
Lá te encontrarei
Toda decorada
Em brim

Tudo é sonho
Acaba assim
Sim
Já te vejo chegar
O amor
Pois ele torna
Com uma força maior
E nos traz outra voz
Confortante e divina

Sei
Que você vai voltar pra mim
Meu bem
Não se pode afastar
O amor
Ele volta
Com uma força maior
E nos faz outra vez
Repensar nossa vida

Pois eu sem você
Não sou ninguém
Pois você pra mim
Vai muito além
Mil vezes só é te ver
Longe assim (Bis)

Minas ao Luar
(Waldir Silva, Raphael Vidigal e André Figueiredo)

Noite ao luar
Todos se encontrarão
Minas, a bela dama
Abre-se ao violão

Entre
Homens e mulheres
Seresta e comunhão
Tudo é sorrir

Estrelas, sinos
Vêm me abraçando
O gesto promissor
O povo se espalhando
Cada cidade é uma lembrança
De amor

Diamantina
Conceição do Mato Dentro
Congonhas, Ouro Branco
Mariana, Ouro Preto
Tiradentes, Sabará
Bom Despacho, Pitangui
E São João Del Rey

Anjos que carregam flautas,
Choro de metais,
Que vem em cordas, versos,
Clara sabiá
Na alvorada das
Gerais
(Na alvorada da nossa Minas Gerais – 3ª parte)

Uberlândia (2ª parte)
Três Pontas, Juiz de Fora
Ipatinga, Uberaba
Itabira, Patos
São Lourenço
Montes Claros, Araxá
Ubá
Nossa Belo Horizonte

Em cada rosto
Existe uma paixão
Levada pela música
Iremos juntos
Pois seresteiro
Não se nega o nome
Canta para a lua
Dentro de si

Minas, nossa bela dama
Estende o convite
Eu aceitarei
Percorrer todo o estado
Levando sem dó
Minha alegria

Noite
Ao luar
Minas, distinta dama
Abre-se ao cavaquinho
E ao bandolim
Eu já não posso
Resistir aos tempos
Sem tua companhia

Igrejas ao luar
Gorjeiam
Como a passarada
Verde a florescer
Apenas um poema
De entrega divina
A ti

Ficou na Saudade
(Waldir Silva, Raphael Vidigal e André Figueiredo)

E ficou na saudade esse amor
Nem lembrança ou recado deixou
Seguiu então sua vida mesquinha
Infeliz trocou-me
Por aquele que não teve amor

Só mais um pingo de ilusão

Sofri e chorei
Olhos cansados
Frustração
Tudo é em vão

E ficou na saudade esse amor
Nem lembrança ou recado deixou
Eu seguirei sem olhar para trás

Não posso mais, me dói e arde
Até demais

Me persegue incansável essa dor
Bruta herança que ela deixou
Se acalentou em torsos nas esquinas
Fogo que queimou
Esconde o coração

Não há um pingo de perdão

Amou e sorriu
Olhos vermelhos
Excitada
Segue o vão

No presente, o passado enterrou
Esqueceu-se de quem se importou
Convive bem, o futuro lhe apraz
O que tem, satisfaz, se rói a arte
Lá do cais

Quando eu a conheci
Uma bela menina
Um corpo moldado
E um vestido ajustado
A pele rubra, lábios vis
Não sabia do amor
E depois com ardor
Fez sua profissão

Quando eu a conheci
Hoje ainda sustento
Um nó dentro do peito
O absurdo, um alento

E fico na eterna espera que um dia
Quando menos se espere
Ainda ouça meus ais

Quando Chora Um Cavaquinho
(Waldir Silva e Raphael Vidigal)

Era uma nota em Si
Quando logo eu nasci
Não chorei, nem sorri

Eu nem bem entendi
Depressa me vesti
O sol ia raiar

“Vem depressa, João!”
Gritava minha mãe empoleirada no portão
O pai lá fora, a algazarra toda, e os irmãos
Ainda guardo na memória o sabor daquele dia

Cavaquinho me traz
Alegria sem fim
E o choro contido
É um grito
Um gemido
Um rugido
Alarido
Brado
Berro
Um clamor
Chora o meu cavaquinho

Nada melhor
É remédio da alma
Benze meu coração
Nunca vi outro igual no mundo
Em medicina alguma

Além do mais
É barato, de graça
Assim se encontrará, pode ver
Basta procurar com atenção
O som dentro de si, a soar

Digo o que sei
O que guardo
Ajuda-me
Não é fácil não
Mas protege quem canta, eu sei
Chora o meu cavaquinho, ouvi
Como anjos
De anunciação
Um recado
Lá do Senhor
Uma esfera
De irradiação
Infinita
Em mim

As melodias de Waldir Silva receberam letras de Raphael Vidigal

Raphael Vidigal

Fotos: Alexander Prado; e Divulgação, respectivamente.

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Quem sou eu


Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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