Livro sobre arquiteto mineiro revela obra poética e rigorosa

“arte que te abriga arte que te habita
arte que te falta arte que te imita
arte que te modela arte que te medita
arte que te mora arte que te mura
arte que te todo arte que te parte
arte que te torto ARTE QUE TE TURA” Paulo Leminski

Humberto Serpa aliou poesia a precisão

Embora reconhecido entre seus pares, Humberto Serpa permanece nome desconhecido, mesmo quando se fala de arquitetura, entre a grande maioria do público. É essa lacuna que Nara Grossi pretende preencher com o lançamento do livro “Humberto Serpa: arquitetura”, ocorrido na segunda-feira do dia 13 de fevereiro, na Academia Mineira de Letras. O material toma como base a dissertação de mestrado da autora, graduada em arquitetura pela UFMG e mestre pela faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Nascido em Belo Horizonte em 1943, Serpa é reconhecido por ter influenciado decisivamente a arquitetura mineira do século 20. São dele projetos como o edifício do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), projetado em 1969, quando Humberto contava 26 anos, e a residência do proprietário da livraria Van Damme, no bairro Mangabeiras. “Para Humberto, a arquitetura-arte alia rigor e persistência, onde a busca exaustiva da solução ideal corresponde à alma do objeto idealizado”, afiança Nara, que não deixa de destacar a atuação de Serpa como professor e artista plástico.

O estímulo à trajetória do arquiteto começou cedo. Criado em ambiente fértil criativamente tinha em casa acesso constante às criações do avô paterno, também artista plástico, e de seu pai, fotógrafo que lhe apresentou o universo da música clássica, livros de arte e abriu o leque para outras manifestações culturais que passaram a permear sua vida cotidiana. Toda essa influência é também sentida por Nara, e repassada ao livro. “O contato com Serpa, suas ideias, sua sensibilidade e sua postura trazem à tona um sopro poético ao se pensar em arquitetura. Ele trabalhava até a exaustão o desenho, na busca pelo resultado ideal através da investigação rigorosa do projeto. É um arquiteto que surpreende com seu conhecimento crítico sobre a produção contemporânea”, define.

Conhecido pelo caráter reservado e avesso a exposições públicas, Serpa interrompeu suas atividades como professor e criador de projetos arquitetônicos em 1994, quando se aposentou, aos 51 anos. Se parte do desconhecimento de sua obra é atribuído a essa postura, ela poderá agora ser descoberta de maneira integral e documentada, através do livro que reúne pela primeira vez esse vasto e rico material a ser explorado em que, para além de edificações, poderá ser acessada a noção de uma identidade concebida pelo artista. E ainda há preciosas curiosidades, como o retrato de Humberto Serpa pintado por Inimá de Paula. É um livro de arte.

Nara Grossi conta trajetória de Humberto Serpa em livro

Raphael Vidigal

Imagens: Desenho de Humberto Serpa; e capa do livro em questão.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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