Juca Kfouri: ‘Condenação do Lula é um escândalo do qual a mídia foi cúmplice’

“É com desespero que verifico isso, mas que se há de fazer? É preciso ser honesto, pelo menos de pensamento…” Lima Barreto

Poucas pessoas têm a oportunidade de serem entrevistadas por seus ídolos. Juca Kfouri, 70, é uma dessas exceções. Na primeira temporada do programa “Amigos, Sons e Palavras”, transmitido pelo Canal Brasil, em 2018, ele se dignou a responder perguntas de ninguém menos do que Gilberto Gil. De outra feita, no já longínquo ano de 2006, esteve no “Provocações”, de Antônio Abujamra (1932-2015), na TV Cultura. O apresentador, que tinha o hábito de questionar como as pessoas gostariam de morrer, morreu há exatos cinco anos, “da maneira como eu idealizo a minha própria morte”, informa Juca. “O (músico e filho) André (Abujamra) conta que eles jantaram juntos, tomaram uma garrafa de vinho, se despediram e o Abu não acordou no dia seguinte. Ele foi dormir e teve um estalo, não sofreu nada”, diz Juca, que guarda lembranças do tête-à-tête com Abujamra, conhecido pela maneira implacável com que interrogava seus convidados.

“Certamente, foi a única vez na minha vida em que eu fui para uma entrevista temeroso. A possibilidade do Abu te colocar em uma situação que você não soubesse responder estava dada. Ele era um gênio da raça, brutalmente inteligente, culto, e teve uma vida muito intensa. É uma dessas entrevistas que eu me orgulho de ter concedido. O Abu foi muito carinhoso comigo”, garante. O sentimento de Juca é diametralmente oposto quando o assunto é o Brasil atual.

Ao longo de 50 anos de carreira, ele se tornou um dos jornalistas mais conceituados do país, a despeito de ter cursado Ciências Sociais na USP (Universidade de São Paulo). Colunista do jornal Folha de São Paulo, comentarista da rádio CBN, apresentador do semanário “Entre Vistas” na TVT (emissora ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) e blogueiro do portal UOL, o paulistano que denunciou as falcatruas de Ricardo Teixeira e João Havelange no comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), desmascarou a infame “Máfia da Loteria Esportiva” e rompeu relações pessoais com Pelé, quando estava prestes a escrever uma biografia sobre o Rei do Futebol, não perdeu a capacidade de ficar perplexo diante dos acontecimentos.

“O momento do país é apavorante porque é a tal história: ‘Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come’. Não existe condição de governança por parte do (presidente, Jair) Bolsonaro, e a alternativa a ele é o (vice, Hamilton) Mourão, que não chega a ser exatamente simpática. Me parece que o Congresso vai manter o presidente refém e não dará a ele o benefício da vitimização do impeachment. Dessa maneira, eles não terão que lidar com o Mourão, que viria fortalecido”, opina Juca.

Traição. Atualmente, há 31 pedidos de impeachment para serem analisados pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Alguns deles, foram protocolados por antigos aliados do presidente, como Alexandre Frota e Joice Hasselmann. Terceiro colocado na eleição presidencial de 2018, Ciro Gomes, do PDT, também entrou com uma representação para afastar Bolsonaro do cargo. “O país deveria estar preocupado com a pandemia, é um beco sem saída. Estamos lascados”, lamenta Juca.

Em meio às mais de 5.000 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus no Brasil, o pedido de demissão do ex-juiz Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública, na última semana, acendeu uma nova crise política em Brasília. “Acredito que ele também deu um tiro no pé. Quem confia em conversar com o Moro agora sem antes revistá-lo para conferir se ele está com um telefone ou uma caneta com gravador?”, analisa.

A alegação de Moro para se demitir foi a de que Bolsonaro interferia na Polícia Federal. Para provar suas acusações, o ex-ministro divulgou, no Jornal Nacional, conversas entre ele, o presidente e a deputada Carla Zambelli, de quem foi padrinho de casamento. A pedido da Procuradoria-Geral da República, um inquérito foi aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) a fim de investigar a conduta e possíveis crimes praticados por Moro e Bolsonaro. “Como se costuma dizer: o povo até admite a traição, mas não perdoa o traidor. A partir de agora, o Moro vai apanhar bastante das fileiras bolsonaristas. A questão é, se, para o bolsonarista, o Moro é um mentiroso, como pode falar a verdade em relação ao Lula? É uma pergunta e uma resposta que se impõe”, avalia o comentarista.

“Pelo que a última pesquisa do Datafolha mostra, vivemos um país esquizofrênico. Nesse embate, a maioria esmagadora acredita no Moro, mas 33% mantém o apoio ao Bolsonaro. É um índice que impede qualquer tentativa de impeachment. Presidente nenhum cai com esse percentual. Em um cenário de racionalidade, os dois teriam se dado mal, mas estamos longe disso. Vivemos o ápice do fanatismo e do fundamentalismo, com a esquerda desmobilizada, incapaz de apontar direções para o país. É impossível uma movimentação de rua nesse momento de pandemia, e os governadores que se elegeram na onda bolsonarista não têm autoridade para impor o isolamento social. A cada dia que passa, os índices de saída e aglomeração aumentam. Vamos ter um colapso e um genocídio no Brasil. Estamos longe do pico e já temos mais de 5.000 mil mortos”, constata Juca.

Esquerda. Ao lado da jornalista Maria Inês Nassif, do professor de Relações Internacionais Gilberto Maringoni e de Ivana Jinkings, fundadora e diretora da editora Boitempo, Juca entrevistou o ex-presidente Lula para o livro “A Verdade Vencerá: O Povo Sabe Por Que Me Condenam”, publicado em março de 2018, pouco antes do líder petista ser preso. Acompanhado pelo comentarista esportivo e amigo de longa data, José Trajano, Juca esteve novamente com Lula na cadeia, em Curitiba, e voltou a entrevistá-lo quando ele deixou o cárcere, após 580 dias, para a TVT. No último encontro, declarou pessoalmente que esperava “um papel moderador” por parte de Lula.

“Eu não sei qual é o cálculo que o Lula pode fazer agora. Primeiro que ele está muito quieto, até porque não tem espaço. É uma loucura, o (Fernando) Haddad (do PT) teve 47 milhões de votos e se você verificar ele não aparece no Jornal Nacional. O normal é que o candidato derrotado pelo Bolsonaro, que ficou em segundo lugar, estivesse falando, mas, mesmo que ele queira, não tem chance. O que a gente assiste na televisão é o jogo da direita, com Moro, Bolsonaro, (João) Doria, (Wilson) Witzel. Acho que o Lula perdeu muito tempo para se colocar de outra maneira e não sei se ele tem mais as condições. Vejo uma atuação inteligente dos governadores do Nordeste, com um trabalho absolutamente elogiável, mas de pouca repercussão política”, observa Juca.

Entre esses governadores está Flávio Dino (PC do B), do Maranhão. “É quem me parece fazer o discurso mais sensato e competente. É uma figura de lastro, que foi presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil e realiza um belo governo. Porém, não sei que capacidade ele tem de disputar a presidência em 2022, sendo do Partido Comunista, num país conservador como o Brasil. Mesmo que ele mude de legenda, ficará sempre com essa chancela de comunista”, afirma ele, que não se arrisca a fazer previsões para a próxima disputa presidencial. “Essa é a pergunta de 100 milhões de dólares. Eu não sei nem como será sexta-feira, quanto mais em quais circunstâncias teremos 2022”, diz.

Disputa. A última eleição ainda causa desconfortos no jornalista. “Para mim, é inconcebível que pessoas da minha convivência, entre Bolsonaro e Haddad, tenham escolhido o primeiro. Você pode ter todas as críticas ao PT e eu tenho, mas, espera aí, tem um limite. Estava na cara que ia acabar assim. O que estamos vivendo é reflexo do que eu dizia lá atrás, e que me conforta, de certa maneira. O meu medo do Bolsonaro vinha da certeza de que ele iria praticar o sadismo que sempre prometeu, e é o que está acontecendo”, afiança.

Às vésperas do pleito de 2018, Juca, que há décadas é mestre de cerimônias do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, se dirigiu “a uma plateia de 400 pessoas, que você imagina claramente a qual estrato ideológico pertencem, para dizer, com todas as letras, que não teria dúvidas em votar em João Amoedo ou Geraldo Alckmin contra Bolsonaro”, recorda. “As pessoas olharam com estranheza. No dia seguinte eu estaria na oposição. Mas qualquer alternativa para impedir o Bolsonaro era válida. Até o partido Novo, que é uma mentira. A gente está vendo um governador sendo defenestrado pela própria cúpula do partido”, declara ele, em referência a Romeu Zema, governador de Minas Gerais, que foi o centro de episódios polêmicos. Primeiro, ele sofreu uma ação de seu partido para impedir um aumento salarial para os servidores da segurança pública. Em seguida, virou piada na internet depois de pronunciar a palavra “ouço” como “ouvo” em uma entrevista para o canal CNN.

“A crítica que se fazia ao Lula, de que ele não sabia falar português, serve agora para esse Zema”, compara Juca. Dentro desse turbilhão, ele volve seu olhar para o passado, na ânsia de compreender as razões que motivaram a prisão de Lula em 2018 e que, provavelmente, impediram o aumento do período hegemônico do PT no poder, partido que saiu vencedor em quatro eleições presidenciais consecutivas. “Desde o impeachment da (ex-presidente) Dilma (Rousseff, em 2016), estava claro que o alvo era o Lula. Tanto que, quando se dá o último passo para tentar salvar o governo, o Moro faz aquela cafajestagem de soltar uma fita de áudio sem amparo legal, depois pede desculpas e fica por isso mesmo. Lula foi preso para que não fosse vitorioso nas eleições, como apontavam todas as pesquisas. Ninguém me tira da cabeça que, apesar dos erros do PT e da corrupção que houve, como disse o (ex-governador da Bahia) Jaques Wagner, que ‘o partido acabou se lambuzando’, não havia justificativa legal para o impeachment da Dilma e nem para a prisão do Lula. Aquela condenação foi um escândalo, do qual a mídia, o parlamento e o judiciário brasileiro foram cúmplices”, aponta.

Chumbo. A história vem ao auxílio de Juca mais uma vez. Ele perdeu Norberto Nehring, economista e professor da USP que era casado com sua prima, para os serviços de repressão da ditadura militar, que o torturaram e mataram. “Me lembro que, quando a esquerda dizia que os Estados Unidos haviam participado do golpe militar de 1964, era acusada de teoria da conspiração, de achar que tudo era o imperialismo do Tio Sam. O outro lado retrucava que o Jango queria ‘comunizar’ o Brasil. À medida que os anos passaram e os papeis do Congresso Americano foram perdendo o caráter sigiloso, ficou claro que a quinta frota norte-americana estava instalada no litoral do Brasil, sob ordens do (ex-presidente norte-americano) Lyndon B. Johnson. Tem a gravação do Lyndon Johnson dando ordens claras para o embaixador dele no Brasil. Depois que isso apareceu, todo mundo que acusava a esquerda de teoria conspiratória se calou”, diz Juca, que percebe a prática do Lawfare (uso da lei como forma de guerra) no caso de Lula.

“Não é um fenômeno que se restringe ao Brasil, pelo contrário, está sendo usado de forma indiscriminada. Hoje em dia, você não precisa mais de armas, o golpe se consolida por caminhos mais suaves. Há sempre um ouro negro (sinônimo de petróleo) por trás. Aqui, no Brasil, o estopim foi a descoberta do pré-sal”, infere.

Futebol. Juca atuou como uma espécie de motorista informal da ALN (Ação Libertadora Nacional) durante os anos de chumbo. O grupo armado, fundado por Carlos Marighella, enfrentava o regime militar. O jornalista nunca pegou em armas, mas ajudou a salvar e a esconder vários militantes de esquerda, taxados de “subversivos” pelos militares. Outro movimento que o motivou politicamente foram as Diretas Já, entre 1983 e 1984. Apesar disso, ele ressalta que “jamais subiu em palanque de candidato”. “Embora eu seja absolutamente transparente. Ninguém tem dúvidas sobre os meus posicionamentos”. Em agosto do ano passado, ele deixou a ESPN Brasil, onde trabalhava como comentarista do programa “Linha de Passe”. Na ocasião, a emissora dispensou outros dez profissionais, entre jornalistas, editores, técnicos e apresentadores.

“Veja, sem medo das palavras, eu estaria me fazendo de vítima se dissesse que a ESPN me demitiu. Não tive o contrato renovado, é diferente. O acordo que tínhamos foi cumprido até o final, exatamente como o combinado. Se você me perguntar se eu acho que houve alguma motivação política para essa decisão, eu digo que não sei, teria que entrar na cabeça das pessoas”, declara. Em 2016, José Trajano, fundador da emissora, não escondeu a mágoa ao ser demitido. “Te diria que é mais provável que a minha saída tenha a ver com uma tentativa de romper com o que ainda havia da época do Trajano, cuja demissão, essa sim, foi claramente política. Mas a militância do Trajano sempre foi mais exacerbada que a minha”, pontua. Sobre o futuro do futebol brasileiro, ele não é otimista.

“Ontem esse maluco (Bolsonaro) dizia que queria a volta do futebol em maio, que bastava não ter ajuntamento no vestiário. Também, para ele é só ‘uma gripezinha’. Vai pro cacete!”, dispara Juca. “Então, é só evitar a marcação ombro a ombro, o zagueiro vai ter que ficar a 2 metros de distância do atacante e, quando fizer o gol, não pode abraçar”, ironiza. “O futebol brasileiro já vinha em uma crise grave, que tende a se agravar ainda mais, não sei quantos clubes irão resistir. Todavia, não me venha com essa ladainha de culpar a pandemia. A mesma coisa vale para a economia. A crise já estava instalada, apesar das promessas, advindas com o impeachment e com as reformas que tiraram os direitos e fizeram o diabo a quatro com o trabalhador, e o desemprego só aumentou. Esse Paulo Guedes (Ministro da Economia) diz que estávamos decolando, mas não sei para onde, estávamos submergindo mesmo”, sublinha.

Jornalismo. Com passagens de sucesso pelas revistas Placar e Playboy, da editora Abril, o vasto currículo de Juca ainda agrega Rede Globo, SBT e TV Cultura, entre outras. Ele também colecionou processos contra poderosos que desafiou publicamente, como o cartola José Maria Marin, preso nos Estados Unidos pelo FBI. Juca acredita que a imprensa brasileira “tem feito uma boa cobertura da pandemia do coronavírus, o que mostra a importância do bom jornalismo contra a indústria das notícias falsas”.

“Claro que eu vejo com simpatia o quanto o Bolsonaro está apanhando, mas, ao mesmo tempo, vejo com desconfiança o quanto o Moro vem sendo poupado”, destaca. Na coletiva em que anunciou sua saída do governo, o ex-juiz admitiu ter pedido pensão para a sua família, caso lhe acontecesse algo, como condição para assumir o cargo. “Objetivamente, me parece óbvio e evidente que o Moro cometeu o crime de prevaricação, além desta história da pensão. Em que lei se baseia isto? Para os jogadores de futebol, existe essa lei, que garante pensão vitalícia para os campeões mundiais pela Seleção Brasileira. Lei da qual, aliás, o Tostão foi contra e não se beneficia”, conta.

Na opinião do colunista, “ainda temos mais liberdade de empresa do que de imprensa”. “Não é porque trabalho lá, mas, desde que o (site) The Intercept (Brasil) revelou as mensagens (entre Moro e procuradores da Lava Jato) da Vaza Jato, a Folha de São Paulo fez uma autocrítica, inclusive na figura do diretor de redação, Sérgio D’Ávila, que publicou um texto afirmando que a cobertura das eleições, por parte do jornal, não seria igual com as informações que temos hoje”. Ele ressalva que considera “a imprensa de esquerda panfletária demais”. “Você pode argumentar que essa postura é necessária, para chegar a um certo equilíbrio, do qual ainda estamos longe. Mas eu preferia que todos os veículos fossem mais equilibrados”, assegura.

Cultura. Em 2017, Juca colocou na praça “Confesso Que Perdi: Memórias”, pela Companhia das Letras, uma reunião de crônicas, análises e lembranças. O título tomou como inspiração “Confesso Que Vivi”, do poeta chileno Pablo Neruda que, por sua vez, já havia sido apropriado, em tom de galhofa, pelo cartunista Jaguar, que escreveu “Confesso Que Bebi: Memórias de Um Amnésico Alcóolico”.

Fã de Nelson Mandela (1918-2013), que passou a admirar ainda mais depois de cobrir a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, Juca elege para seu panteão de ídolos, preferencialmente, pessoas da área da cultura, como Chico Buarque, Graciliano Ramos e Elvis Presley, que o encantava na infância, mas abre espaço para o amigo Sócrates, que vestiu como ninguém a camisa do Corinthians, time de coração do entrevistado.

As recordações são ótimas, no entanto, o presente tem decepcionado Juca, que não poupa críticas a Regina Duarte, nomeada como Secretária de Cultura para o lugar de Roberto Alvim, exonerado após publicar um vídeo com referências nazistas. “Acho que a Regina comprometeu a biografia dela, que já vinha manchada, de maneira fatal ao abraçar o governo Bolsonaro. Ela está sendo usada como uma inocente útil. Lamento ter que dizer, mas não tenho outro termo, babaca é o que ela é”, conclui. Antes de desligar o telefone, Juca deseja “boa sorte” a este jornalista. “Para todos nós”, respondo.

Raphael Vidigal

Fotos: Divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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