Entrevista: Carlinhos Vergueiro

“Quando eu passo
Perto das flores
Quase elas dizem assim:
Vai que amanhã enfeitaremos o seu fim” Nelson Cavaquinho

Vida Sonhada

Melodista, letrista e cantor. Compositor parceiro de Vinicius de Moraes, Chico Buarque e Adoniran Barbosa. Dividiu palco com Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, João Nogueira. Conheceu aos 16 anos Nelson Cavaquinho, para quem depois produziu e dedicou discos.

Não foi por benevolência ou generosidade que Carlinhos Vergueiro enturmou-se de tanta gente boa do meio musical. Afinal foi ele o vencedor do Festival de Abertura da Rede Globo, com a canção “Como um ladrão”, em 1975.

Agora em 2012, lança o disco “Vida Sonhada”, só com autorais, após um hiato de dois anos em que deixou de lado os próprios meneios para cantar vida e obra de Adoniran Barbosa e Nelson Cavaquinho.

UNIDADE
“O trabalho ganhou uma unidade porque temas recorrentes como sonho, tempo, amor e vida se entrecruzaram”, afirma. “Mas não sou contra os indisciplinados!”, brada ao ser confrontado com declaração de Zeca Baleiro, que desdenhou da necessidade de organização, ao aferir que o próprio álbum (“O Disco do Ano”, 2012) era, sim, “uma bagunça”.

“Já fiz muito disco como o do Zeca Baleiro, o importante é gostar do resultado, do processo, e do motivo de tudo”. Início, meio e fim contemplam a obra produzida por Carlinhos.

PARCERIAS
Exemplos ressonantes são as presenças de J. Petrolino, “depois de mim, meu parceiro mais frequente e antigo”, brinca, coautor de ‘Chorar no fim’. “Um samba enredo em homenagem à canção romântica” com citações a Noel Rosa, Roberto Carlos, modinha, fado e clássicos caipiras.

Dora Vergueiro, filha do entrevistado e que apresentou programa de esportes no canal fechado ‘Sportv’, assina ‘Passa amanhã’ e ‘Sem refrão’. “Em contrapartida, há a Dora, a (parceira) mais nova, que percebi ter um excepcional talento para letrar melodias”, enfatiza orgulhoso o pai coruja.

INÉDITAS
O baú de Carlinhos Vergueiro, abarrotado de canções inéditas, mesmo tendo sido enxugado com o recente lançamento, transborda. Por isso projetos contendo as parcerias com Paulo César Feital, e outro com a produção pouco conhecida de Paulo Vanzolini (o autor de “Volta por cima” e “Ronda”), figuram na agenda.

“Nos shows que faço canto duas músicas do Vanzolini, ‘Toada do Luiz’, que quase ninguém conhece, e ‘Volta por cima'”, diz. E é somente nesses momentos diante do público que Carlinhos empunha o violão. “Me arrisco um pouquinho, mas no disco, deixo a cargo do Ítalo Peron, responsável pela direção musical e os arranjos”.

Além de Ítalo, o músico faz questão de ressaltar a importância do produtor musical Aluízio Falcão: “Tenho profunda admiração por ele desde a época em que trabalhava no selo ‘Marcus Pereira’, que possibilitou a gravação de feras em disco como o Nelson Cavaquinho e Cartola”, define ao arremeter o voo donde galga passos futuros em direção ao passado.

Parceiro de Adoniran Barbosa e Nelson Cavaquinho

Raphael Vidigal

Publicado no jornal “Hoje em Dia” em 25/11/2012.

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Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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