Crítica: exposição em homenagem a Lêda Gontijo revela caráter jovial da artista

“A rosa em seu destino, eu a persigo
Em direção aos reinos que inventei.” Hilda Hilst

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Viva, produtiva e jovial. Aos 101 anos de idade a escultura, pintora e ceramista mineira Lêda Gontijo, natural de Juiz de Fora, no interior do estado, recebe exposição em sua homenagem. “Força Estranha”, em cartaz na Galeria de Arte do Centro Cultural Minas Tênis Clube até o dia 8 de maio, com entrada franca, prima, em primeiro lugar, pela ambientação, com farto material sobre a vida e obra da artista, onde se incluem depoimentos dela própria, em linguagem simples e emocionada, tanto em vídeo quanto nas paredes do local, decisão criativa e rara que causa um efeito ainda maior junto ao espectador, capaz de, logo de cara, aproximar-se. É aí que a exposição dá conta da face mais reveladora de Lêda, artista na acepção da palavra, clássica e contemporânea.

Se foi o tempo que se ocupou de transformar Lêda Gontijo num clássico da nossa arte sacra, foi o temperamento inventivo e libertador que a torna próxima dos conceitos mais perenes. Para além dos recortes de jornais, cartas e fotografias que ilustram a mostra, Lêda nunca se conformou com um só tema e muito menos uma única maneira de exprimir suas observações e sentimentos. Ela esculpe e talha bichos, anjos e modelos femininos com suas crianças em madeira, pedra, e outros materiais sempre com o mesmo sentimento; a incrível capacidade de nos iludir e termos a sensação de realidade diante de figuras por vezes folclóricas e caricaturais. Emerge desses corações os atributos que Lêda parece guardar em sua alma de gente ávida por explorar o mundo, lá dentro de sua aldeia, e nos oferece flores serenas e espevitadas de seu jardim.

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Raphael Vidigal

Fotos: Nello Aun.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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