Banda “Cordel e Prosa” encurta distâncias entre música e poesia

“- É tão bonito que voa!” Clarice Lispector

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Se fores olhar no mapa é possível que percebas que as Minas Gerais e o estado de Pernambucano não são exatamente vizinhos. Porém em outras paragens a relação vai além da cordialidade, ou melhor, alcança o cordel. Essa literatura popular e tradicional praticada, sobretudo, no Recife e em outras cidades ao interior, mas, em especial, no nordeste brasileiro, conta e canta com o apoio da prosa mineira as canções apresentadas pela banda “Cordel e Prosa”. Foi na terra de Drummond, Sabino, Pellegrino, Rosa e outros contadores de nossa rica história inventada que nossos quatro cavaleiros do apocalipse, no caso, cinco, como os mosqueteiros que eram três e, em verdade, quatro, se reuniram. Caio Coutinho e Diego Oliveira tomam conta da percussão e entoam o coro, André Varogh, também percussionista, vale-se, ainda, de violão e voz, tal qual Heitor Negão, para que Marcelo Xeeu entregue todo seu canto e poesia ao público. É um exercício de grupo para o coletivo.

Este último integrante nasceu aonde vieram ao mundo Alceu Valença, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Dominguinhos, Lenine, Manuel Bandeira e mais um sem número de ilustres pernambucanos. Pois o que entregam esses pernambucanos mineiros, mineiros pernambucanos, reverentes da geleia geral, da mistura e da diversidade, é bem distinto do que se imagina, embora à primeira vista o leopardo pareça onça. São canções consagradas e conhecidas pelo público nesse Brasil afora, que ganham com as interpretações da banda “Cordel e Prosa” não apenas um motivo para encurtar as distâncias entre música e poesia e reinventar os parâmetros da geografia. É a oportunidade de descobrir, sob o mel conhecido, novos açúcares e sabores, numa abordagem que privilegia e destaca a palavra, como naquele cordel de feira ensombrado às acácias, uma fina retirada daquele néctar de fruta madura que passou despercebido aos olhos. A música está para ser ouvida, dançada e comungada. Aproveitem. Como quem desfruta o prato típico, mas reinventado.

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Raphael Vidigal

Fotos: Divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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