3 músicas brasileiras para as Olimpíadas

“O homem
É o único animal que joga no bicho.” Murilo Mendes

Moreira, Elis e Trio Irakitan cantam músicas olímpicas

De quatro em quatro anos o mundo volta os olhos para mais um ciclo olímpico, a mais antiga e tradicional disputa envolvendo diversas modalidades esportivas. Em 2016, pela primeira vez na história as Olimpíadas são disputadas no Brasil, com sede na cidade do Rio de Janeiro. Com bom humor e muito ritmo, unindo a inventividade brasileira à sua típica diversidade, elaboramos uma lista com 3 músicas nacionais apropriadas para essas Olimpíadas, pelos mais variados motivos, mas sempre levando em conta alguma alusão, mesmo que simbólica, aos esportes. Abram alas para desfilarem as vozes de Elis Regina, Moreira da Silva, Trio Irakitan e seus respectivos compositores, por certo haverá medalha de ouro, prata e bronze.

Cidade Lagoa (samba, 1959) – Sebastião Fonseca e Cícero Nunes
Em 1959 Sebastião Fonseca e Cícero Nunes denunciavam uma calamidade que desde cedo se tornou recorrente nas cidades brasileiras. A chuva que trazia enchentes e alagamentos. Lançada por Moreira da Silva e cantada com sua inconfundível e habitual divisão, a ritmada “Cidade Lagoa”, em referência aos problemas vividos à época no Rio de Janeiro, foi regravada por Jards Macalé no álbum dedicado ao ídolo. Se valendo da ironia e do humor rascante a dupla de compositores faz uma crítica sem precedentes aos governantes brasileiros, prova de que não sabem lidar nem com a falta e muito menos o excesso de água. A alusão olímpica é ao esporte da canoagem, usada aqui para a fuga. “Por isso agora já comprei minha canoa, pra remar nessa lagoa…”.

Tiro ao Álvaro (samba, 1960) – Adoniran Barbosa e Osvaldo Moles
Típico compositor paulistano, identificado com o linguajar da terra, Adoniran Barbosa se valeu da maneira oral de pronunciar as palavras para compor o título e os versos de “Tiro ao Álvaro”, samba composto em 1960 com Osvaldo Moles, um de seus maiores sucessos de toda a carreira. Tanto que foi regravado em parceira com ninguém menos do que a icônica Elis Regina, considerada por muitos como a melhor cantora brasileira de todos os tempos, em 1982. Na ocasião os dois dividiram vocais em clipe que entrou para a história também por seu divertimento. Humor e crítica social que, aliás, eram fundamentos sempre presentes na música de Adoniran, além de pitadas de romantismo. Tudo aparece em “Tiro ao Álvaro”, que é identificado nas Olimpíadas como o famoso tiro com arco e flecha, esporte ascendente no país.

Não Deixe a Peteca Cair (bolero, 1961) – Bedeu e Leleco Telles
Absorvendo um dos mais repetidos ditados populares do país, o famoso Trio Irakitan, sobretudo no seu período auge, as décadas de 1950 até meados dos anos 1960, gravou em 1961 um 78 rotações que continha, no lado A, “Não Deixe a Peteca Cair”, a referida música. Intérprete de boleros românticos, com assertiva influência da cultura mexicana, o trio foi formado em Natal, no Rio Grande do Norte, por três jovens cantores e ritmistas, conhecidos como Edinho, Paulo Gilvan e Joãozinho, e, entre idas e vindas, gravou seu último registro em estúdio no ano de 2003, já com a formação original modificada. Nas Olimpíadas de 2016, a modalidade que se utiliza de uma peteca para ser rebatida com raquete específica é conhecida como badminton, e o Brasil possui dois representantes na categoria, Lohaynny Vicente e Ygor Coelho de Oliveira. Torçamos para que como na música eles não deixem a peteca cair…

Desenho da Turma do Pererê, de Ziraldo

Raphael Vidigal

Imagens: Montagem com fotos de Moreira da Silva, Elis Regina & Adoniran Barbosa e Trio Irakitan, respectivamente; e desenho da “Turma do Pererê”, de Ziraldo.

Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on linkedin
LinkedIn
Share on email
Email

Comentários pelo Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recebas as notícias da Esquina Musical direto no e-mail.

Preencha seu e-mail:

Publicidade

Quem sou eu


Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

Categorias

Já Curtiu ?

Amor de morte entre duas vidas

Publicidade