Crítica: cantora Juliana Cortes leva poesia ao pé da letra em “Gris”

“Exibindo

A marca de nascença como marca registrada –
Queimadura d’água, a cicatriz,
A verde-gris
Nudez do condor. Sou carne crua.
Seu bico

Me retalha: ainda não sou sua.” Sylvia Plath

Juliana-Cortes- Gris

Os gregos já estipulavam que música e poesia eram primas com suas líricas, e se eu estiver errado Machado de Assis virá ao meu socorro, afinal de contas o estilo é preponderante à precisão. Juliana Cortes leva essa relação ao pé da letra sem abrir mão para o mercado, qual seja apresenta, em seu segundo trabalho, de nome estético e sonoro, “Gris”, uma síntese bem desenhada de estilo comum à nova geração, mas nem sempre com o mesmo equilíbrio. É justo dizer que ecoam influências de seus contemporâneos tanto quanto dos que abalizaram esse tapete antes, mais precisamente a gaúcha Adriana Calcanhotto. Porém o sotaque carregado garante para a paranaense em questão própria personalidade, que se estabelece com repertório e interpretação suave.

Para isto Juliana serve-se das composições de Paulo Leminski e da filha do poeta, Estrela, Dante Ozzetti, também produtor do disco, Luiz Tatit, Carlos Careqa, Chico Amaral e outros que para o observador atento são auto-explicativos na qualidade de suas obras. Cortes oferece leitura que deixa transparecer o aspecto vivo e existencial das letras, calcadas por delicadas, em sua maioria, mas quando necessárias inventivas e até dançantes arranjos, melodias e harmonias. Arrigo Barnabé destaca-se entre as participações especiais, com presença marcante e característica, do mesmo modo Paulinho Moska protagoniza bonito dueto em espanhol com a intérprete. Juliana Cortes mergulha em cristais de gris com exuberâncias da cor indefinida. Mergulhemos.

juliana-cortes-cantora

Raphael Vidigal

Fotos: Miriane Figueira; e Divulgação, respectivamente.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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