Zeca Baleiro: “O governo Lula brigou pela justiça social e merece respeito”

“Sabei que tal mensagem
Não me surpreende nem me assusta. Há muito
A esperava. Conheço os meus juízes.
Compreendo que não queiram conceder-me
A liberdade após tantos ultrajes.
O que se quer, sei bem, é sequestrar-me
Em perpétua prisão e o meu direito,
Minha vingança soterrar nas trevas
Do calabouço.” Friedrich Schiller

Durante o primeiro turno das últimas eleições presidenciais, Zeca Baleiro chegou a divulgar uma sátira musical em suas redes, dando pitaco nas candidaturas de João Amoêdo, Ciro Gomes, Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Participante do festival Lula Livre, ele aproveita a ocasião para deixar clara a sua posição política. “Quem me conhece de perto sabe o quanto sou crítico de Lula e do PT. Erraram muito. Erraram onde não podiam errar. Mas não me parece admissível que o Lula tenha sido preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por causa de um sítio mequetrefe e um triplex cafona, enquanto gângsteres da política nacional, como Aécio Neves e o próprio Marcelo Odebrecht, estão soltos por aí, desfrutando de suas fortunas roubadas”, critica. “Não me resta nenhuma dúvida de que a prisão do Lula faz parte de um plano político da direita para ocupar o poder”, completa ele, que não poupa críticas ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, alvo de um julgamento no Supremo Tribunal Federal que deve decidir se o ex-juiz foi parcial ao condenar o ex-presidente Lula. “O Sergio Moro é um juiz arrivista e jeca, posando de guardião da moral e da retidão. Um pateta, a serviço da sordidez desse atual governo. E o Bolsonaro é um retardado completo. O que esperar desse povo?”, dispara.

1 – Como começou a sua relação com o forró e qual a sua mais antiga lembrança musical ligada ao gênero?
Sempre ouvi muito forró, vivi até os 8 anos no interior do Maranhão, onde a festa junina se dividia entre a tradição do forró e outras brincadeiras regionais, como bumba-meu-boi e tambor de crioula. Ouvia muito Luiz Gonzaga no rádio e outros craques do forró também. Aí, fui convidado pelo “Canto da Ema”, uma casa de forró mítica de São Paulo, a fazer esse show de forró e não parei mais. O forró é o reggae brasileiro, música de paz, de festa e de aconchego. É sexy e profundamente brasileiro.

2 – Quem é o seu principal ídolo no gênero?
Primeiramente Luiz Gonzaga, porque é o gênio supremo da música brasileira, não só do forró, mas como um inventor de ritmos, melodista brilhante e cantor original. João do Vale também me influenciou muito, outro gênio insuperável. Os dois mais Jackson do Pandeiro formam a santíssima trindade do gênero. Mas há muito mais gente nesse caldeirão, posso citar Anastácia, Dominguinhos, Marinês, Oswaldinho, Trio Nordestino, Genival Lacerda e tantos outros.

3 – No festival Lula Livre, você interpretou “Baioque”, música de Chico Buarque que mistura baião com rock. O que sentiu no momento da libertação do ex-presidente Lula?
Senti alegria por ver que a justiça estava, enfim, sendo feita. Há vários gângsters da política nacional desfilando por aí, à solta, alguns graúdos, em Minas Gerais inclusive, e resolvem pegar o Lula pra Cristo. Infelizmente, a corrupção é inerente ao jogo político, é da natureza humana, estará em todos os governos, partidos e ideologias. Mas o governo Lula brigou pela justiça social, por isso merece o nosso respeito. E o país, e mesmo o mundo, só vai ter alguma paz quando se diminuir a desigualdade social. Isso é inapelável.

Raphael Vidigal

Fotos: Silvia Zamboni/Divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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