Sem comparação: Lula é muito maior do que Bolsonaro

*por Raphael Vidigal

“Os presos da necessidade, quantos são? É livre um homem condenado a viver perseguindo o trabalho e a comida? Quantos têm o destino marcado na testa desde o dia em que aparecem ao mundo e choram pela primeira vez? A quantos se nega o sol e o sal?” Eduardo Galeano

Desde 2006 todo mundo sabe que Lula só não ganha uma eleição se não concorrer. Não é exagero dizer que para ele não ser eleito só prendendo, o que de fato ocorreu em 2018, quando uma personagem tão irrelevante que já nem ocupa os noticiários determinou a prisão do então líder das pesquisas pela corrida presidencial. Lula é uma personagem histórica, da envergadura de Nelson Mandela, Gandhi, Maria Stuart, Martin Luther King. No âmbito do nosso quintal, pode ser equiparado a Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek, menos pelas semelhanças e mais pelo papel que desempenharam enquanto líderes de Estado, com todas as contradições inerentes aos ocupantes do mais alto posto da nação. Posto este que, desde 2019, passou a ser ocupado por figura risível.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu, na verdade, ao longo da História, poucas foram as vezes que os maiores cargos da República tiveram alguém à altura da missão. Basta dar uma olhada na comparação mencionada anteriormente: Lula, Getúlio, JK. E paramos por aí, com honrosas, porém pouco representativas, exceções. É benéfico para Jair Bolsonaro compará-lo a qualquer outra figura política da nossa história, pois ele sempre sairá em vantagem, já que estará sendo alçado a um nível que não possui. Pode-se dizer que o atual presidente da República pertence ao rés do chão, como um sujeito mesquinho, tacanho, medíocre, inculto, estulto, parvo, inepto, ignorante, além de sádico e desprezível. Nada relacionado a ele irá nos oferecer algo de proveitoso.

O desprezo seria a melhor alternativa a um homenzinho com tais características, mas alçaram esse néscio a um posto enorme demais para seu tamanho. O que significa dizer que sua importância temporã deve-se única e exclusivamente ao cargo que ocupa. Assim como Collor e Jânio Quadros, entre tantos outros ex-presidentes meramente passageiros, o destino de Bolsonaro é cair na vala do esquecimento e do lixo histórico tão logo passe a faixa – à força ou por vontade própria, ainda que procure tumultuar sua sucessão a exemplo do ex-presidente norte-americano que também será relegado ao passado. Lula deixou a presidência da República há uma década, e continuou sendo o principal personagem da política nacional em todos esses anos. Desde então, todas as disputas nacionais, contra e a favor, tiveram o líder petista como o protagonista.

Quando se lançar como candidato em 2022, Lula estará há 20 anos de distância do ano em que o povo brasileiro decidiu levar ao Palácio do Planalto o primeiro, e até agora único, metalúrgico de sua história. Oito anos depois, com uma aprovação de 87%, ele foi também responsável por levar o povo brasileiro a eleger a primeira, e também única, mulher presidente da República no país. Decorridos 13 anos, o PT foi então demovido do poder sem a participação direta do povo, em um processo de impeachment que maquiou um elaborado golpe parlamentar que segue em curso, com a venda de estatais estratégicas como a Eletrobras para a melhor especulação do mercado neoliberal, cujas entranhas miram uma erosão social ainda mais profunda graças à concentração de renda.

Se os golpistas não se assanharem novamente diante da iminente volta do Partido dos Trabalhadores ao poder, são favas contadas que Lula assumirá pela terceira vez a Presidência do Brasil, e terá a possibilidade de ampliar o seu espectro histórico, pois o seu nome já aparece elevado nas páginas desse livro.

Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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