Defesa do FUNK como Expressão de Arte Legítima

“necessitamos de toda arte exuberante, flutuante, dançante, zombeteira, infantil e venturosa, para não perdermos a liberdade de pairar acima das coisas” Nietzsche

Funk-Arte

Existe um preconceito vigente contra certo tipo de música considerada estritamente comercial ou popularesca. No entanto, gosto sempre de discriminar uma diferença salutar entre algumas delas. Não se confere mérito ou falta dele o fato do objeto em questão ser do gosto popular, essa característica está longe de determinar, a meu ver, a qualidade dos mesmos. O ponto nevrálgico da discussão está antes na essência fundamental daquilo que me atrai como expressão artística: a legitimidade.

Nesse quesito, faço meu corte. O FUNK é defensável como expressão de arte legítima na medida em que ele nasce de uma vivência do povo, ou seja, as pessoas que moram na periferia efetivamente utilizam aquela linguagem, assim como os temas transcritos para as músicas fazem parte do cotidiano daquelas pessoas. Em outras palavras, na essência o FUNK nasce como expressão espontânea, cultural, factível, para depois transformar-se em produto da indústria a vender-se para as massas.

Baseado nesta mesma construção retórica é que refuto determinados gêneros, conhecidos como “sertanejo universitário”, “pagode universitário” e outros genéricos, pois nenhum povo se expressa genuinamente daquela maneira, nesse caso ocorre uma transposição de vestimentas e a utilização de nomes pensada previamente para alcançar um resultado no mercado. Ou seja, essas músicas já nasceram produto, a intenção foi, desde o início, circular capital, enquanto o FUNK caso não lhe seja colocada a alça da mala de dinheiro continuará sendo cantado e dançado por puro divertimento.

Funk-Valesca

Raphael Vidigal

Publicado no Blog do Tio Flávio, pertencente ao Portal Sou BH, em 02/05/2013.

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17 Comentários

  • Interessante a abordagem do Raphael Vidigal. Realmente o funk é a expressão legítima da periferia. Não gosto, mas admito que o que ele diz faz mto sentido. Gostava de Claudinho e Buchecha, era um funk tão inocente, romântico, mas assim ja não existe mais. Nunca o povo foi tão ouvido musicalmente falando, e acho que as mídias sociais contribuem mto para isto. Na década de 70 quem fazia sucesso eram os cantores e compositores da classe média, hoje em dia, não precisa ter conhecimentos musicais, nem mesmo dinheiro, basta compartilhar na rede e se o povo gostar é sucesso na certa.

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    • Concordo quando se diz “hoje em dia, não precisa ter conhecimentos musicais, nem mesmo dinheiro, basta compartilhar na rede e se o povo gostar é sucesso na certa”. E é verdade, a arte hoje independe de conhecimento, por isso exite uma vasto lixo musical que muitos insistem em chamar de arte e a mídia absorve. Nossas crianças estão crescendo ouvindo o detrito do detrito do que existe de pior em termo musical e isso é preocupante. O Brasil é pobre culturalmente, nossa educação é a pior que existe, e pra completar, nossos jovens estão se distanciando do bom gosto e ficando alienados com tanto lixo que é jogado aos seus ouvidos. Acordem enquanto é tempo!!

      Resposta
  • Oi Raphael, bem legal o artigo. Não sei se teve a oportunidade de ler ou se se interessa em aprofundar no tema. Indico o livro (me desculpe, não sei o título em português) “PRAGMATIST AESTHETICS. Living beauty, Rethinking art” de Richard Shusterman, ele fala exatamente da estética popular e usa o Funk como exemplo. Acho super válido.

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  • Olha eu ateh concordaria se o funk nao fosse tao desrespeitoso com a imagem da mulher… e fosse um pouco menos vulgar…pq esse funk dos dias de hj tah um problema serio para essa geracao de criancas que estao aí… bom eh soh a minha opiniao…

    gosto do que vc posta Raphael Vidigal… andou sumido…

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  • Acho q funk é uma expressão da cultura… antes era uma forma de expressar aquilo que viviam. Hoje o foco é, muito mais, comercializar.

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  • Gente incrível como a Lex tem sempre uma opniões sensatas e muito interessantes.

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  • Acho que a lex citou um ponto importante, mas ha de se lembrar que existe o funk estritamente comercial e o funk que ainda eh genuinamente uma expressao cultural e que alcanca o sucesso como consequencia, como os da Valesca Popozuda. E claro que existem versoes mais amenas das musicas que sao comercializadas no circuito musical da classe media e alta, mas isso nao significa que sua versao original que eh veiculada nas classes mais baixas (nas favelas principalmente) perca seu merito como arte. De qualquer forma, concordo sem duvidas que Funk eh arte! Se eh expressao cultural, entao pra mim eh arte. Desculpem a falta de acentos devido ao teclado.

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  • Gostei do texto e faz sentido. Mas, de certa forma, a questão da “alça da mala de dinheiro” meio que controla também o funk. Por mais que tenha nascido baseado no cotidiano de alguns grupos, usa-se os maneirismos e afins em busca do lucro.

    Mas concordo que uma “autenticidade” do funk seja maior de outros gêneros porque a identificação não é imposta, mas utilizada. Massa, PH.

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  • O que mais existe na mídia hoje é artista que não faz arte!

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  • Nunca podemos considerar falta de moral,arte quanto mais legitima e funk nada mais e que o avesso da cultura!

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  • Funk e vexatório,implica indecência,portanto,se considerarmos funk,arte,estaremos considerando a cultura de nosso pais sempre com princípios apelaríamos,e a arte antes de tudo deve educar

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  • se a intenção é equiparar o funk à outras formas de expressão cultural, eu discordo. Eu reconheço o funk como expressão cultural legítima sim, mas é uma forma de cultura inferior, que animaliza e emburrece o ser humano, visto que a temática das músicas raramente é outro assunto além do sexo.

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  • Funk é cultura, funk é arte, se tiver bebado vou até o chão, se estiver sóbrio eu digo Não!

    Escrevi em versinho “rapper branco criado em apartamento” pq isso tbm é arte :p

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  • discordo… funk é ofensivo, especialmente para as mulheres. Algumas letras até criminosas incentivando a violência contra a mulher e a reduzindo a um objeto sexual… funk é falta de cultura e de respeito…

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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