Análise: Prince colocou os limites em debate

“já que a noite é um pasto livre, um campo ilimitado, já que a noite é riqueza por moldar, convém abrir na sua escuridão um túnel.” Virginia Woolf

prince

Se havia uma questão para Prince era a dos limites, ou, antes, da falta deles. Instrumentista completo apareceu no final da década de 1970 para o começo dos anos 1980 como um furacão, e assim permaneceu, lançando um álbum atrás do outro com sucesso de crítica e público. As referências eram várias e a comparação inevitável com Michael Jackson se daria tanto por esse viés quanto a questão da personalidade. Prince, porém, sempre teve uma postura mais proativa, provocadora e imprevisível, o que permite, para trazer ao terreiro nacional, recorrer a uma frase de Cazuza, dita em 1989: “Eu quero ser um Caetano Veloso, amado por uns e odiado por outros, não uma unanimidade como o Roberto Carlos”. Dispensável dizer quem seria Prince nessa história.

A partir dos anos 1990, já estabelecido como ícone pop, Prince resolveu romper com a indústria e as gravadoras, acusá-las de escravizá-lo e mudar de nome, passando a ser conhecido por um símbolo, segundo ele próprio, impronunciável, que trazia a mistura do feminino e do masculino numa síntese do amor. Posteriormente, atendia a jornalistas que o chamassem apenas como “O Artista”, nas raras vezes em que se disponibilizava para entrevistas. Era mais um dos limites que quebrava, interrompendo as barreiras e deixando seu ser e sua música fluírem livres num mundo fanático por estabelecer padrões e conceitos a fim de melhor apreender seu entorno. Cantor, dançarino, letrista que privilegiou abordagens com forte teor sexual, músico que bebeu do rock, do jazz, do soul, do blues e do hip hop, Prince deixa como principal legado oferecer às pessoas uma chance de libertação, através de sua arte musical.

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Raphael Vidigal

Fotos: Arquivo e Divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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