Análise: Jerry Adriani moldou personalidade com versões românticas

“Doce, doce amor, onde tens andado
Diga por favor, doce, doce amor
Doce, doce amor, que eu vou te encontrar
Meu bem, seja onde for” Raul Seixas & Mauro Motta

Jerry Adriani cantou em português, inglês e italiano

É curioso notar que o cantor Jerry Adriani tenha influenciado artistas tão diferentes como Renato Russo e Raul Seixas. Embora ambos sejam associados ao rock ele exerceu sobre cada um impressões díspares. O que vem a revelar uma característica marcante da trajetória de Jerry. É difícil defini-lo não pela amplitude de seu estilo, mas, justamente, porque este foi moldado a partir de um repertório que procurou abarcar várias vertentes. Associado à Jovem Guarda, Jerry é, sobretudo, um cantor romântico. Nesse sentido, tanto a canção italiana que seduziu o líder da Legião Urbana quanto a sensualidade rebelde de Elvis Presley presente na gênese de Raul Seixas convergem para a mesma direção: a passionalidade. É certo que Renato a compreendia de maneira sincera, emocionada, tal como Jerry, ao passo que Raul se valia do sentimento para desferir suas ironias ferozes e inteligentes sarcasmos. Não é o caso de “Doce, doce, amor”, música que Seixas e Mauro Motta escreveram para o já consagrado Adriani no ano de 1972.

Tempos depois, quando Raul já havia falecido, a condição inverteu-se, e foi a vez de Jerry compor em homenagem ao amigo a canção “O Cavaleiro das Estrelas”, em que lançava mão de perspicaz sacada. “Raul ao contrário é luar”, dizia a letra. Nesta altura, Seixas ganhava o status de mito, enquanto a ascendência de Jerry sobre as gerações posteriores decaía. Se não representava mais a figura de força que, inclusive, protagonizou filmes e apresentou programas de televisão no auge da Jovem Guarda, Jerry manteve espaço que demarcou pelo fato de ter moldado sua personalidade a partir de versões. Ou seja, canções que já eram clássicas quando chegaram à sua voz, casos de “Querida”, tradução para “Don’t Let Them Move”, da dupla Garret e Howard feita por Rossini Pinto; e “Um Grande Amor”, originalmente “I Knew Right Away” de Cogan e Foster, adaptada por Romeu Nunes. Na confluência de vários mares, Adriani manteve a potência vocal e a canastrice da interpretação como trunfo para dar ao público estilo que só seria possível na mistura entre o português, o inglês e o italiano. Uma diversidade única.

Jerry Adriani cantou versões para vários sucessos

Raphael Vidigal

Fotos: Divulgação; e Rodrigo Meneghello, respectivamente.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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