50 anos da Jovem Guarda: música feita para o público

“Os velhos acreditam em tudo, os de meia idade suspeitam de tudo, os jovens sabem tudo.” Oscar Wilde

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A “Jovem Guarda” começou com uma proibição; e não foi o “É proibido proibir” de Caetano Veloso nem o “É proibido fumar”, de Roberto e Erasmo Carlos. No segundo ano de instauração da ditadura militar no Brasil, em 1965, as transmissões de jogos de futebol ao vivo pela televisão estavam suspensas. Assim, com o horário vago, a TV Record de São Paulo colocou no ar o programa que trazia o nome de que se apoderou o movimento, ou, antes, tenha sido o contrário.

Surgida de maneira espontânea no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, por um grupo de garotos aficionados pela influência da música norte-americana e dos Beatles, as baladas singelas e românticas foram rapidamente captadas por barões da indústria, entre eles Carlos Imperial. Com uma lógica de mercado que incluía a diversificação de produtos ligados à música, como roupas, acessórios, expressões, brinquedos e reprodução em larga escala, a “Jovem Guarda” virou um produto de massa.

O desgaste de seus personagens deve-se, sobretudo, a essa maciça engrenagem, que, com leves modificações através da história, tem por planejamento um compulsivo descarte. 50 anos depois poucos sobreviveram a tanta carga. Algumas músicas, no entanto, mesmo desfeitas de sua embalagem, permanecem, e foram regravadas por nomes como Luiz Melodia, Marisa Monte, Adriana Calcanhotto e até ícones da década de 1980, como a banda paulista “Titãs” e Cazuza no “Barão Vermelho.”

A “Jovem Guarda” talvez tenha sido a primeira música no Brasil pensada para atingir um segmento específico. Evidenciada pelo nome, procurou e conseguiu alcançar o público adolescente, que reclamava não ter uma música feita por e para ele, que exprimisse seus anseios. Essa “interação mediada” paulatinamente perdeu autenticidade pela intromissão cada vez mais agressiva de agentes interessados em outras partes. Logo, não é espantoso notar que as primeiras canções desta guarda sejam as mais relevantes.

Quando ela era realmente Jovem. E ousada.

“E que tudo mais/Vá pro inferno…”!

PROTAGONISTAS

roberto-carlos

Roberto Carlos
Aniversário: 19/04/1941
Cidade: Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo
Principal Sucesso: “O Calhambeque”

erasmo-carlos

Erasmo Carlos
Aniversário: 05/06/1941
Cidade: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Principal Sucesso: “Minha Fama de Mau”

wanderlea

Wanderléa
Aniversário: 05/06/1946
Cidade: Governador Valadares, Minas Gerais
Principal Sucesso: “Pare o casamento”

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Eduardo Araújo
Aniversário: 23/07/1942
Cidade: Joaíma, Minas Gerais
Principal Sucesso: “O Bom”

sylvinha

Sylvinha Araújo
Aniversário: 16/09/1951
Cidade: Mariana, Minas Gerais
Principal Sucesso: “Playboy”

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Ronnie Von
Aniversário: 17/07/1944
Cidade: Niterói, Rio de Janeiro
Principal Sucesso: “A Praça”

vanusa

Vanusa
Aniversário: 22/09/1947
Cidade: Cruzeiro, São Paulo
Principal Sucesso: “Pra nunca mais chorar”

jerry-adriani

Jerry Adriani
Aniversário: 29/11/1947
Cidade: São Paulo, São Paulo
Principal Sucesso: “A Namoradinha de um amigo meu”

martinha

Martinha
Aniversário: 30/07/1949
Cidade: Belo Horizonte, Minas Gerais
Principal Sucesso: “Eu daria a minha vida”

wanderley-cardoso

Wanderley Cardoso
Aniversário: 10/03/1945
Cidade: São Paulo, São Paulo
Principal Sucesso: “O bom rapaz”

Raphael Vidigal

Fotos: Arquivo.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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