Análise: 70 anos de Wanderléa, símbolo da música jovem e romântica

“Mas a minha linguagem é mais clara. Eu poderia te dizer aonde se entrecruza a lenta gramática e o teu sexo de gatas” Ana Cristina Cesar

wanderlea

Não deixa de ser espantoso que Wanderléa chegue aos 70 anos ainda como símbolo da música jovem e romântica. Mas muitos também irão se surpreender ao descobrir, a essa altura, que a musa da “Jovem Guarda” nasceu em Governador Valadares, no interior das Minas Gerais. Conservando até hoje o epíteto de “Ternurinha”, a artista se mudou cedo, aos nove anos de idade para o Rio de Janeiro, onde tudo acontecia culturalmente, mas não foi a única mudança ao longo de sua trajetória. Talvez Wanderléa tenha permanecido justamente pelo paroxismo que permite aos clássicos o cotejo da imobilidade. Intérprete, sobretudo, de ritmos e gêneros altamente populares, a cantora soube conciliar aspectos de forte apelo emocional a uma elegância ao mesmo tempo comedida e ingênua. Sucessos como “Pare o Casamento” e “Foi Assim” poderiam facilmente sucumbir à banalidade se não recebessem o seu canto.

Longe de reproduzir a extensão vocal ou as interpretações dramáticas e acaloradas das cantoras da “Época de Ouro do Rádio”, como Dalva de Oliveira, Linda Batista, Elizeth Cardoso ou mesmo Maysa, Wanderléa pertence a um fenômeno novo, pois mais do que introduzir a influência norte-americana através do rock, a “Jovem Guarda” foi o primeiro estilo musical propriamente pensado para ser consumido como produto, de maneira industrial. Daí porque seus componentes pareciam personagens, protagonizavam filmes, vendiam franquias e, especialmente, caprichavam no figurino. O fato de seus principais integrantes terem ultrapassado a febre do período deve-se à incrível capacidade de sobreviver na lógica de reciclagem e descarte que a mídia massificada impõe. Wanderléa e os que a acompanharam tiveram o mérito de se sobressair à estrutura plástica montada e criar canções com autenticidade.

wanderlea-cantora

Raphael Vidigal

Fotos: Divulgação e Arquivo.

Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on linkedin
LinkedIn
Share on email
Email

Comentários pelo Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recebas as notícias da Esquina Musical direto no e-mail.

Preencha seu e-mail:

Publicidade

Quem sou eu


Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

Categorias

Já Curtiu ?

Amor de morte entre duas vidas

Publicidade