A Escolha de Sofia: Alguém tem que ceder

“A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.” Paulo Leminski

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A quatro meses das convenções partidárias, o PT vive em Minas Gerais situação parecida com a que seu rival histórico, o PSDB, vive no plano nacional. E o problema começou justamente quando integrantes do partido resolveram deixar a rivalidade de lado e uniram-se ao PSDB para levantar a bandeira branca de Márcio Lacerda, mais ou menos como se Cruzeiro e Atlético se unissem para torcer juntos pelo América.

Agora, a estrela vermelha está mais rachada do que nunca em Minas, e a briga é para ver quem consegue juntar mais pedaços, pois se uma estrela tem cinco pontas e a disputa está dividida em dois dentro do partido, a matemática prova que alguém há de sair perdendo.

Patrus Ananias, ex-prefeito de Belo Horizonte e atual Ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, conta com o apoio dos petistas mais fiéis, aqueles que não se uniram ao PSDB nas últimas eleições, e do PC do B, que teve sua candidata Jô Moraes apoiada por ele, enquanto Fernando Pimentel, que também já foi prefeito da cidade, tenta unir à sua candidatura a nova safra, os mais flexíveis, aqueles que aceitam trocar beijos com os tucanos em prol de uma governabilidade mais ampla.

Esse imbróglio dentro do partido do presidente Lula faz com que Antônio Anastasia, o candidato da continuidade, do governador Aécio, enfim, do PSDB, saia na frente da disputa por já estar há mais tempo nas ruas fazendo campanha, da mesma forma com que Dilma cresce devido à indefinição entre Serra e Aécio no plano nacional.

No entanto, o problema maior do PT não é seu inimigo, nem ele próprio, é justamente seu melhor amigo, aquele em quem ele confia, a quem confessa seus pecados. O PMDB, principal aliado da base governista, exige que o candidato ao governo do Estado seja Hélio Costa, Ministro de Comunicações e ex-senador por Minas, e que sua candidatura seja apoiada também pelo Partido dos Trabalhadores, que não deveria lançar nenhum outro candidato além de Hélio.

Confusão armada, pois o PT, com dois interessados na disputa e com boas possibilidades de vencerem as eleições (Patrus e Pimentel já foram prefeitos de Belo Horizonte), já acha complicado convencer um dos dois a desistir, como foi complicado para o PSDB convencer Aécio, ainda mais os dois.

Para completar, o vice-presidente da República, José Alencar, integrante do nanico partido PRB, também tem seu nome aventado como um dos possíveis candidatos caso restabeleça sua saúde, o que poderia unir PT, PMDB e PC do B num só pacote, mas nada garantido, pois há quem diga que diferentemente de Pimentel e Patrus, Hélio Costa não desiste.

E aí fica complicado para o presidente Lula não apoiar seu vice, não apoiar seu Ministro ou mesmo os integrantes do seu partido, que embora bem menor que o Lulismo, ainda existe, e se chama PT, mais do que nunca perdido, precisando se decidir em um dilema parecido com o da Escolha de Sofia, e nesse clima cinematográfico só há uma certeza: Alguém tem que ceder… resta saber quem. Daqui a pouco “O Cara” pede a seu amigo Obama que convoque Diane Keaton e Jack Nicholson para lhe ajudar. Não vai ser fácil costurar essa estrela.

LO020213

Raphael Vidigal

Produzido para a matéria de Jornalismo Político da PUC Minas em 2010.

Fotos: Montagem dos filmes “Alguém Tem Que Ceder”, “A Escolha de Sofia” e encontro entre Lula e Aécio; e encontro entre Barack Obama e Lula, respectivamente.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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