A Arte imita a Vida

“Não tenho absolutamente nenhuma ojeriza pelas adivinhas; acho até que são bastante úteis, pois mantêm e sustentam no nosso espírito essa coisa que é mais necessária à nossa vida que o próprio pão: a ilusão.” Lima Barreto

Nelson Xavier interpreta Chico no cinema

Pixinguinha, Chacrinha, Bozo e Carlos Marighella irão viver novamente, graças à magia do cinema. Figuras da atualidade como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, o maestro João Carlos Martins e a trupe do Planet Hemp também terão suas vidas contadas na tela grande em 2017. Nada que já não tenha acontecido com Olga Benário, Leila Diniz, Luz Del Fuego, Noel Rosa, Tiradentes, Heitor Villa-Lobos, Xica da Silva, Madame Satã e Bruna Surfistinha. A prática é comum também fora de terras brasileiras – vide os casos de Napoleão, Gandhi, Edith Piaf, Truman Capote, Oscar Wilde e mais uma infinidade – e, embora crescente, está longe de ser novidade. No entanto, a quantidade de filmes com essa temática prevista para estrear no Brasil este ano revela que há algo de novo acontecendo no mercado.

Em 2016, por exemplo, a cinebiografia de Elis Regina levou 538 mil espectadores às salas de cinema, sendo a nona maior bilheteria de um filme nacional no ano. Protagonizado por Andreia Horta, a mimese da personagem impressionou leigos e especialistas, embora o longa-metragem não tenha sido tão bem recebido pela mídia especializada, que acusou a “opção claramente conservadora do ponto de vista cinematográfico, o que, aliás, é norma do cinema brasileiro atual”, escreveu o crítico Inácio Araújo. Luiz Bolognesi, roteirista do filme, ao lado de Hugo Prata (diretor) e Vera Egito, afirma que a maior dificuldade em uma empreitada deste vulto “é condensar uma vida que teve 36 anos em uma hora e meia de duração, pois é preciso estabelecer um recorte e definir a linha que iremos seguir para contar a história”. No caso de “Elis” a opção foi priorizar “a relação dela com os homens, desde o pai, passando pelos maridos (Ronaldo Bôscoli e César Camargo) até os amantes, pois tiveram uma importância fundamental na obra dela, foram todas relações intensas e atribuladas que ela levou para a música”, considera.

ROTEIRO
Premiado pelo roteiro de “Bicho de Sete Cabeças”, em 2001, onde contou a vida de um personagem real, mas desconhecido, Bolognesi passou por experiência peculiar ao roteirizar “Bingo – O Rei das Manhãs”, cuja inspiração é claramente a do palhaço Bozo, interpretado durante anos na TV brasileira por Arlindo Barreto. O longa estreia em agosto. “Desta vez é a história de uma pessoa anônima para o grande público que vivia uma personagem conhecida mundialmente. O que intriga na trama é justamente essa dicotomia entre a realidade e a fantasia“, afere. A escolha por alterar o nome da personagem no filme, aliás, deveu-se a motivos jurídicos e econômicos, já que “o palhaço, uma marca estadunidense, possui seus direitos autorais protegidos por lei”, de acordo com o diretor de “Bingo”, Daniel Rezende. Outra razão foi a vontade de “contar a história que a gente queria, sem nada relativo a marcas ou outras limitações do tipo que nos impedissem”, declara Daniel. Apesar disso, o filme é considerado biográfico pela clara referência a momentos, pessoas e situações que ocorreram, tanto que Arlindo Barreto, chamado no filme de Augusto e interpretado por Vladimir Brichta, teve de assinar contrato liberando a reprodução de sua história, cujo sucesso junto ao público infantil contrapunha-se a uma vida longe dos holofotes marcada pelo uso de entorpecentes de toda odem e relações pessoais conturbadas, principalmente com seu filho.

Uma das curiosidades da produção é que Gretchen, interpretada por Emmanuelle Araújo, é a única a ser chamada por sua alcunha real. “Fizemos essa opção para dar um recorte de realidade dentro da ficcionalização do filme, fiz muita questão da presença nominal da Gretchen”, justifica Rezende. Já a curiosidade triste é que em “Bingo” o público terá a oportunidade de conferir a última atuação de Domingos Montagner (morto em 2016 por afogamento) no cinema. Palhaço de formação, ele participou da preparação do elenco, e também interpreta um bufão no longa. Na época de seu falecimento, Daniel divulgou uma nota em que afirmava que Domingos “se foi sem aviso, para ficar eternizado como um palhaço de circo, que era sua verdadeira alma”.

TRADIÇÃO
Até hoje tem gente que a chama de Xica da Silva, quem confidencia é a própria Zezé Motta, 72. “No começo incomodava um pouco, porque sonhava em imprimir meu nome na mídia: ‘Zezé Motta’. Mas depois percebi que ela era uma ótima madrinha!”, admite, com a gargalhada que lhe é característica. Lançado em 1976, o filme dirigido por Cacá Diegues possui até hoje uma das maiores bilheterias do cinema nacional, com mais de 3 milhões de espectadores. Centrado na saga de uma das mais emblemáticas personagens da história brasileira, Zezé vincula o sucesso do longa à própria história de Xica, “fundamentada na luta de uma mulher negra, escrava e pioneira que, além de forte e sensual, era inteligente, e sabia usar tudo isso a seu favor”, ressalta. Além disso, a atriz assume que, na composição de Xica, “pessoa e personagem se misturaram, levei coisas que eram muito minhas, já que, embora em épocas distintas, algumas condições históricas permeiam a vida de quase toda mulher negra”. Atualmente Zezé – que foi homenageada no carnaval carioca pela Escola de Samba Acadêmicos do Sossego – grava em Portugal a novela “Ouro Verde”, transmitida pela TVI, emissora local do país, ao lado de outros atores brasileiros como Silvia Pfeifer e Gracindo Júnior.

Com roteiro do próprio Diegues e Antônio Callado, a iniciativa é definida como uma “biografia romanceada”, já que existem muitas lendas e contradições acerca da trajetória de Francisca da Silva de Oliveira, alforriada durante a segunda metade do século XVIII após uma união consensual que durou mais de quinze anos com o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira. Totalmente rodado em Diamatina (MG), onde a história real se deu, o longa traz no elenco Walmor Chagas, Elke Maravilha, José Wilker e Stepan Nercessian, e pode ser assistido na íntegra no YouTube, onde está disponível. Posteriormente, a trajetória de Xica foi adaptada para a TV, em novela protagonizada por Taís Araújo na TV Manchete, em 1997.

RETOMADA
Para fazer o seu primeiro papel no cinema Rafael Raposo teve de usar uma prótese, emagrecer 14kg e fumar inadvertidamente. A última opção foi por sua conta e risco, já que ele queria “sentir na pele”, literalmente, as ânsias físicas e psicológicas de Noel Rosa, Poeta da Vila que dá nome ao filme lançado em 2006. “O mais importante foi entender a época e trazê-la comigo, não dava para fazer o Noel Rosa anos 2000. O maior erro na hora de interpretar uma personagem histórica é a tentação de imitar, porque aí vem o mito, mas a pessoa não aparece. Se você o entende dentro do próprio contexto, você se aproxima da pessoa, dá a ela humanidade, e a genialidade dela vem da maneira mais natural e simples. Fui descobrindo isso com o tempo, ganhando cancha, e gosto muito do resultado”, assume. Também foi escolha do ator junto à equipe de filmagem “deixar a minha inexperiência com a câmera nas primeiras tomadas à vista, para que a personagem, assim como eu, fossem amadurecendo com o tempo, assim é a vida”, resume.

Raposo, que atuou no filme de estreia do diretor Ricardo van Steen ao lado de Camila Pitanga, Paulo César Peréio, Flávio Bauraqui, Supla e Roberta Rodrigues, lamenta justamente o fato do filme ser “um dos pioneiros nessa recente onda de cinebiografias nacionais. Se ele tivesse sido feito hoje provavelmente teria mais alcance, abrimos essa onda mas não surfamos nela”, detecta. Apesar disso, ele considera esse movimento “positivo e funamental. Temos de redescobrir e valorizar as pessoas que fizeram nossa história, na música, no cinema, na literatura, nas artes em geral. “Os professores precisam estar atentos e levar essas coisas para as salas de aula, pois o cinema é uma forma de aprendizado através do entretenimento. Além de tudo, ao contrário da novela ou do teatro, ele permanece, as pessoas podem e devem acessar sempre essas informações. Espero que possam assistir cada mais ao ‘Noel'”, defende. Graças à empreitada, Rafael e a equipe de filmagem excursionaram por países “da América do Sul inteira, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal França, particiamos de um Festival de Música Negra, e o Noel tem também essa importância, ele foi um branco que subiu o morro e acabou com essas diferenças, misturava tudo, tanto que está na base da nossa MPB, ele, Ismael Silva, Wilson Baptista, eles que deram as bases para que pudéssemos ter, depois, um Chico Buarque”, cita. E pede mais filmes dessa natureza. “Tem que ter cinebiografia da Dolores Duran, do Gilberto Gil, da Maria Bethânia”, enumera.

NOVIDADES
“Pixinguinha – Um Homem Carinhoso”, diz muito sobre o Brasil. Além de retratar a história de um dos ícones da música nacional – em especial o choro, considerado gênero estruturante e seminal da nossa canção – o longa está previsto para chegar às telas em outubro, após oito anos desde sua idealização pelo produtor Carlos Moletta. Atrasos temporais não configuram caso isolado na nossa cinematografia. O mais alardeado foi o projeto “Chatô – O Rei do Brasil”, filmado por Guilherme Fontes, que só chegou para o público 20 anos depois de seu início, embora já estivesse pronto de acordo com o diretor. No caso de “Pixinguinha”, a demora foi decorrente de divergências regulatórias com a Ancine (Agência Nacional de Cinema). “A agência não aprovou o segundo orçamento, que era muito maior que o original, e tivemos de interromper as filmagens”, informou Moletta. Seu Jorge viverá Pixinguinha dos 35 aos 76 anos, enquanto Taís Araújo dará vida à esposa do instrumentista na fase adulta. Allan Fiterman, co-diretor da iniciativa encabeçada por Denise Saraceni, atribui o êxito das cinebiografias “a uma curiosidade natural do ser humano. Conquistas e derrotas de pessoas com notoriedade nos interessam”, garante. Além do cinema, a história do autor de “Carinhoso” (com Braguinha), “Rosa” (com Otávio de Sousa) e outros clássicos, será exibida em janeiro de 2018 na televisão, numa minissérie com dois capítulos transmitida pela Rede Globo, a exemplo do que já foi feito com “Gonzaga – de Pai pra Filho” e “Tim Maia”. “Aprendi muito sobre o Pixinguinha fazendo o filme. Fico feliz que a história dele seja vista e reconhecida pelas novas gerações”, aposta Fiterman.

Para Ataídes Braga, Mestre em Cinema pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Graduado em História na mesma instituição – além de ator, poeta, diretor e roteirista – não existe uma fórmula de sucesso garantido quando se trata de cinebiografias. “São várias as possibilidades, alguns apostam em nomes de pessoas conhecidas, outros em figuras históricas, outros ainda nas chamadas celebridades”, e rechaça a tese de que o cinema nacional priorize as biografias de figuras ligadas à música, embora admita “o efeito gerado pelo forte apelo popular, por se tratar da nossa arte mais expressiva em termos de reconhecimento”. Como exemplos dessa diversidade a que se refere, ele enumera “‘O Bandido da Luz Vermelha’, ‘Xica da Silva’, ‘Anchieta – José do Brasil’, ‘Lúcio Flávio – O Passageiro da Agonia’, ‘O Homem da Capa Preta’, ‘Leila Diniz’, ‘Carlota Joaquina – Princesa do Brazil’, ‘Eternamente Pagu’, ‘Mauá – O Imperador do Brasil’, ‘Garrincha – A Estrela Solitária’, ‘Aleijadinho – Paixão, Glória e Suplício’, ‘Olga’, ‘Zuzu Angel’, ‘Meu nome não é Johnny’, ‘Lula – O Filho do Brasil’, ‘Bezerra de Meneses – O Diário de um Espírito’, ‘Chico Xavier’, ‘Heleno’, ‘Irmã Dulce’, ‘Getúlio’, ‘Bruna Surfistinha’, ‘Joãozinho Trinta’, ‘Nise – O Coração da Loucura’, dentre tantos outros”.

PROLIFERAÇÃO
Mesmo com a proliferação recente das biografias em cinema, teatro e televisão – vide minisséries e musicais voltadas a retratar Tim Maia, Elis Regina, Cássia Eller, Cazuza, Renato Russo, etc. – Braga não acha que seja suficiente para já considerá-las um gênero. “Um subgênero, talvez, que pode se enquadrar nas comédias, dramas, históricos, registros documentais ou misturar vários deles. O que define um gênero são os elementos que permanecem, a identificação com o padrão narrativo e as características das personagens. O que considero mais relevante é que houve e há um ‘boom’ de livros de memórias e biografias autorizadas ou não, e é isso que chama a atenção e alimenta a possibilidade de uma realização cinematográfica”, argumenta. L. G. Bayão, roteirista de “Minha Fama de Mau” – longa que estreia este ano com Chay Suede no papel de Erasmo Carlos – têm larga experiência no tema e reforça a tese. Além de já ter o escrito o roteiro de “Irmã Dulce” e “Heleno”, está envolvido em outros dois filmes, previstos para 2018. “É sempre um prazer escrever uma cinebiografia porque você nunca está confinado a um gênero só, geralmente a vida do biografado te aponta o tipo de filme que vai ser produzido. Pode ser um drama como foi o “Irmã Dulce” ou uma comédia maluca como vai ser o “A Onda Maldita”. “Minha Fama de Mau” vai ser um musical rock’n’roll, e, “Kardec”, um suspense que emociona. São muitas possibilidades”, assegura. “A Onda Maldita”, dirigido por Tomás Portella, conta a história de Luiz Antônio Mello, criador da rádio Fluminense, estação fundamental na divulgação do rock brasileiro na década de 80, enquanto “Kardec” se volta para a trajetória do pai do Espiritismo.

Desde os primórdios do cinema nacional, com “Chico Viola não morreu”, de 1955, época da chanchada, passando pelo Cinema Marginal com “O Bandido da Luz Vermelha”, de 1968, Cinema Novo com “Corisco – O Diabo Loiro”, de 1969, e mesmo durante a pornochanchada, com “Luz Del Fuego”, de 1982, até a chamada Retomada dos anos 1990 e 2000, as cinebiografias sempre estiveram presentes. Em 1987 o ator Marcos Breda encarou um desafio diferente, ao dar vida ao personagem Mário no longa-metragem “Feliz Ano Velho”, baseado no romance homônino de Marcelo Rubens Paiva. Além de ser indicado como Melhor Filme, recebeu o “Prêmio da Audiência” do Festival de Gramado de 1988. “No caso do ‘Feliz Ano Velho’, o personagem-protagonista não era o próprio Marcelo Paiva e sim um personagem fictício chamado Mário. Esta personagem era, claro, baseado na história do Marcelo, mas tratava-se de uma adaptação livre e, portanto, sem a necessidade de qualquer semelhança física ou comportamental. Esta, creio, é a principal diferença. A ‘recriação’ de uma pessoa que existiu, ou existe, implica na tentativa de imitação com o maior grau de fidelidade possível. Para o ator trata-se, portanto, de um trabalho de natureza inteiramente diversa”, considera Breda.

FASCÍNIO
Desta forma, Breda estreou no teatro numa peça histórica totalmente ficcionalizada, como figurante de “Marat – Sade”, escrita pelo alemão Peter Weiss e levada à cena no Brasil em 1982 com direção de Nestor Monastério. Sobre essas distâncias, Bayão insinua a necessidade de uma liberdade criativa para o artista. “O que faço é ficção baseada em fatos reais. Mas é ficção. Se é para fazer exatamente como aconteceu, então é melhor um documentário”, sugere. A fim de driblar o tipo de cobrança que ele designa como “área curta da realidade, ‘isso não aconteceu assim’, dirão os mais chatos” o roteirista se vale de artifícios que julga essenciais. “Tenho um macete que me ajuda. Eu imagino a vida do biografado como uma linha de trem. Uma linha de trem cheia de paradas obrigatórias, que não posso evitar de jeito nenhum. Mas entre uma parada e outra tenho liberdade para encontrar os melhores atalhos, desvios para tornar a viagem mais interessante. No final das contas acabo sendo mais fiel à realidade através da ficção. Não sei explicar como, mas acontece”. Para reforçar a tese, ele dá como exemplo uma experiência recente. “Numa das biografias que fiz, inventei que o biografado tinha agorafobia (medo de espaços abertos ou multidões) porque precisava desse obstáculo para o terceiro ato. Na leitura do roteiro a pessoa me confessou que de fato tinha, e me perguntou quem tinha contado”, relata.

O fascínio do público por biografias, na visão de Breda, decorre dos tempos de Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) que vinculava o “imitar a algo congênito ao ser humano”. Esta correlação, segundo o ator, tem sua premissa “no voyerismo, existe desde sempre o desejo de desvendar a intimidade alheia. Grandes figuras históricas potencializam este desejo, sem falar que, eventualmente, a realidade pode ser mais fascinante que a ficção. A expressão ‘minha vida daria um filme’, às vezes é profundamente verdadeira. Com a ajuda de um bom roteirista, claro”, diverte-se.

MAIORES BILHETERIAS DE CINEBIOGRAFIAS NACIONAIS

1.º “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”
Público: 5 401 325 milhões
Ano de lançamento: 1976
Direção de Hector Babenco
Protagonizado por Reginaldo Faria conta a história de célebre bandido da década de 1970 no Brasil, famoso por assaltos a bancos e fugas espetaculares. Traz no elenco Milton Gonçalves, Grande Otelo, Paulo César Peréio e Lady Francisco.

2.º “2 Filhos de Francisco”
Público: 5 319 677 milhões
Ano de lançamento: 2005
Direção de Breno Silveira
Filme que marca a retomada popular das cinebiografias nacionais, conta a trajetória de uma das mais conhecidas duplas sertanejas do país, Zezé di Camargo & Luciano, vividos na tela grande por Márcio Kieling e Thiago Mendonça. Com Ângela Antônio, Dira Paes e Paloma Duarte no elenco.

3.º “Chico Xavier”
Público: 3 414 900 milhões
Ano de lançamento: 2010
Direção de Daniel Filho
Nelson Xavier interpreta o famoso médium brasileiro, que psicografou mais de 400 livros. A narrativa aborda suas atividades filantrópicas, e também a conturbada infância, quando teve os primeiros contatos com o espiritismo. Tony Ramos, Letícia Sabatella e Cássia Kiss estão na trama.

4.º “Xica da Silva”
Público: 3 183 582 milhões
Ano de lançamento: 1976
Direção de Cacá Diegues
Centrado na saga de uma das mais emblemáticas personagens da história brasileira, marcou definitivamente a carreira da protagonista Zezé Motta, associada desde então à escrava alforriada no século XVIII após união de 15 anos com o contratador de diamantes João Fernandes, interpretado por Walmor Chagas.

5.º “Cazuza – O Tempo Não Para”
Público: 3 082 522 milhões
Ano de lançamento: 2004
Direção de Sandra Werneck e Walter Carvalho
Conta a história do autor de hits como “Exagerado” e “Codinome Beija-Flor”, e sua trajetória de excessos na música brasileira. Bissexual assumido, foi a primeira personalidade do país a declarar-se soropositivo. A “vida louca e breve” de 32 anos de Cazuza é protagonizada por Daniel de Oliveira.

CINEBIOGRAFIAS PREVISTAS PARA 2017

Pixinguinha – Um Homem Carinhoso
Conta a vida de Alfredo da Rocha Vianna, conhecido como Pixinguinha, instrumentista, arranjador, compositor e maestro, autor de clássicos do choro brasileiro como “Rosa” (com Otávio de Sousa) e “Carinhoso” (com Braguinha)
Com Seu Jorge, Taís Araújo e Lázaro Ramos
Direção de Denise Saraceni e Allan Fiterman
Roteiro de Manuel Dias
Previsão de lançamento para outubro de 2017

Chacrinha – O Filme
No ano do centenário de um dos comunicadores mais célebres do Brasil, o filme conta a trajetória pessoal e criativa de Abelardo Barbosa, conhecido como Chacrinha, que comandou, na TV, “O Cassino do Chacrinha” e “A Buzina do Chacrinha”
Com Stepan Nercessian, Eduardo Sterblicht e Paolla Oliveira
Direção de Andrucha Waddington
Roteiro de Pedro Bial
Previsão de lançamento para 2017, sem data definida

Bingo – O Rei das Manhãs
Inspirado na trajetória de Arlindo Barreto, um dos intérpretes do palhaço Bozo no Brasil, o longa-metragem aborda as contradições vividas pelo apresentador infantil. Gretchen é a única personagem citada nominalmente. Traz ainda a última atuação do ator Domingos Montagner no cinema
Com Vladimir Brichta, Leandra Leal e Emanuelle Araújo
Direção de Daniel Rezende
Roteiro de Luiz Bolognesi
Previsão de lançamento para agosto de 2017

Minha Fama de Mau
Baseado no livro autobiográfico de Erasmo Carlos, o longa retrata a trajetória de um dos intérpretes mais populares da época da Jovem Guarda, ao lado de Roberto Carlos e Wanderléa, autor de parcerias de sucesso com o “Rei” como “Detalhes” e “É proibido fumar”
Com Chay Suede, Malu Rodrigues e Gabriel Leone
Direção de Lui Farias
Roteiro de L. G. Bayão
Previsão de lançamento para o segundo semestre de 2017

João: O Maestro
Filmada entre Brasil, Estados Unidos e Uruguai, a película reconta a trajetória de João Carlos Martins, pianista consagrado que em 2002 teve de aposentar-se após perder parte do movimento das mãos. Dois anos depois, deu a volta por cima ao estudar regência e se tornar um dos maestros mais aclamados do país.
Com Alexandre Nero, Alinne Moraes e Rodrigo Pandolfo
Direção e roteiro de Mauro Lima
Produção de Luiz Carlos Barreto
Previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2017

Roberto Carlos (título provisório)
Após polêmicas envolvendo processos contra o autor de sua biografia não-autorizada (“Roberto Carlos em Detalhes”, de Paulo César Araújo), Roberto Carlos decidiu levar sua história ao cinema. De acordo com a assessoria do cantor ele participará de todo o processo, desde a escolha do elenco até roteiro, e viverá ele próprio na idade adulta
Com Gabriel Leone e Roberto Carlos
Direção de Breno Silveira
Argumento de Nelson Motta e Patrícia Andrade
Previsão de lançamento para o segundo semestre de 2017

Anjos da Lapa
Após vários atrasos na produção e mudanças de elenco, o filme que começou a ser rodado há oito anos finalmente chegará às telas. O longa conta a trajetória do “Planet Hemp”, uma das icônicas bandas de rock dos anos 1990, e centra sua narrativa na trajetória dos vocalistas Marcelo D2 e Skunk.
Com Renato Góes, Ícaro Silva e Rafaela Mandelli
Direção de Johnny Araújo e Gustavo Bonafé
Roteiro de Felipe Braga
Previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2017

Taís Araújo e Seu Jorge na cinebiografia de Pixinguinha

Raphael Vidigal

Fotos: Arquivo e Divulgação.

Publicada no jornal O Tempo em 02/04/2017.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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