7 versões de sucesso da música popular brasileira

“Traduza-se isso de volta na alma do poeta que o criou.” Nietzsche

Ano passado, em 2019, uma das faixas do álbum de Paula Fernandes viralizou nas redes sociais. O motivo de tamanha repercussão foi “Juntos”, versão em português de “Shallow”, de Lady Gaga, gravada ao lado de Luan Santana. No refrão, a dupla cantava “juntos e shallow now”. Virou meme. Em tradução literal, “shallow” significa raso, superficial. A coisa foi tão mal feita que a própria Gaga, procurada para comentar o que achou, preferiu silenciar.

Até mesmo Luan declinou do convite para participar da gravação do DVD. Chegou a declarar que achou “meio brega” o termo usado pela mineira e, inclusive, sugeriu que ela o trocasse por “juntos até o final”. Não é de hoje que versões em português de sucessos internacionais, principalmente as que fogem do sentido original da letra, transitam entre resultados felizes e constrangedores. Veja abaixo algumas versões que, a despeito da polêmica que provocaram, fizeram sucesso na música brasileira.

“Solange” (1985), versão de Leo Jaime, lançada no álbum “Sessão da Tarde”
Adoro, principalmente porque, em pleno anos 80, foi ousada ao colocar na letra um trenzinho bem safado: “Você na frente/ E eu atrás/ Atrás de mim/ Outro rapaz…”. Maravilhoso, né?!

“Johnny Pirou” (1982), versão para “Johnny B. Good”, de Chuck Berry, com Ney Matogrosso
Ousadia bem safadinha, já que na versão em português tem um negão atrás de Johnny comemorando de forma bem ‘caliente’ um gol do Flamengo. Diz a letra em português: “Johnny é executivo de uma multilegal/ E mora em suíte presidencial/ Mas naquela tarde tudo, tudo mudou/ Quando um negão sua cintura agarrou/ E com uma voz muito grossa em seu ouvido gritou: / Foi Gol!!!…”. (Entendedores entenderão).

“É Isso Aí” (2005), versão para “The Blower’s Daughterde”, de Damien Rice, com Ana Carolina e Seu Jorge
Famosa pela frase que a cantora mineira Ana Carolina, nascida em Juiz de Fora, criou na sua versão: “Um vendedor de flores ensina seus filhos a escolher seus amores…”. Até hoje se pergunta exatamente o que ela quis dizer com isso. Na época do lançamento, Zélia Duncan fez uma versão da mesma canção para ser gravada por Simone. Essa, sim, mais próxima da canção original.

“Calúnias” (1983), com Ney Matogrosso, também conhecida como “Telma, Eu Não Sou Gay”
Foi gravada pela banda João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, com participação especial de Ney Matogrosso. Era uma versão de Leo Jaime para a americana “Tell Me Once Again”, foneticamente muito próxima do título em português. Só que o namorado que se assume gay para a namorada não tem nada a ver com a letra original. A versão de Ney fez tanto sucesso que a gravadora exigiu que ele a incluísse em seu disco, mesmo a contragosto do intérprete. Anos depois, quando foi lançado um box com vários álbuns de Ney, ele vetou que a faixa continuasse presente no disco “Pois É”, dizendo que ela não tinha nada a ver com a concepção do álbum.

“O Astronauta de Mármore” (1989), lançada no disco “Cardume”, do grupo Nenhum de Nós
A versão que a banda fez para “Starman”, de David Bowie, foi um dos hits do final dos anos 80. Considerada um exemplo de “nonsense” para muitos, a versão em português traz frases como “quero uma chave para quebrar o gelo”. Thedy Corrêa, vocalista do grupo, diz que extraiu isso de uma outra canção de Bowie, “Ashes to Ashes”.

“Nada Mais” (1984), lançada no álbum “Profana”, de Gal Costa
Um dos maiores sucessos da cantora baiana é essa versão de “Lately”, de Stevie Wonder. A letra em português, feita por Ronaldo Bastos (nome recorrente em algumas das versões de sucesso da música brasileira), fala da suspeita de uma traição. Bem fiel à letra original. A diferença é que, no caso de Gal, é sob a perspectiva da mulher, e, no caso de Wonder, do homem.

“Catedral” (1994), lançada por Zélia Duncan no álbum homônimo da cantora
Ainda hoje, o maior sucesso da artista fluminense é uma versão de “Cathedral Song”, de Tanita Tikaram. Na versão de Zélia, o refrão diz: “No silêncio, uma catedral/ Um templo em mim/ Onde eu possa ser imortal/ Mas vai existir/ Eu sei, vai ter que existir/ Vai resistir nosso lugar”. Imprescindível nos shows de Zélia.

Milton Luiz, jornalista e fã de Maria Bethânia desde 1965.

Imagens: Ney Matogrosso, em 2019, e Leo Jaime, nos anos 80, respectivamente, em fotos de divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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