7 discos marcantes de Zeca Pagodinho, por Luiz Antônio Simas

“Água da minha sede
Bebo na sua fonte
Sou peixe na sua rede
Pôr do sol no seu horizonte” Dudu Nobre e Roque Ferreira

Do Zeca Pagodinho descoberto numa roda de samba no Cacique de Ramos em 1981 por Beth Carvalho mudaram, principalmente, “os quilinhos a mais”, segundo palavras do próprio. A fartura a que o rapaz humilde, criado em Xerém, no interior do Rio de Janeiro, passou a desfrutar, tem a ver com uma carreira que, desde que começou, não interrompeu mais a rota de sucessos.

A comemoração dos 60 anos de idade amanhã, dá início a um calendário que conta com o lançamento de uma cinebiografia dirigida por Roberto Faustino e Marcos Altberg, inspirada no livro “Zeca Pagodinho: Deixa o Samba Me Levar” (de Jane Barbosa e Leonardo Bruno), sobre a vida do cantor e compositor que, no ano passado, virou tema de musical (“Zeca Pagodinho: Uma História de Amor ao Samba”), e saiu em uma vitoriosa turnê ao lado de Maria Bethânia.

Do próprio Zeca, a novidade é uma parceria inédita e ainda sem título com Moacyr Luz, um samba-canção cujos versos “vou seguir minha vida com meu vinho e minha cerveja/ que Deus te dê em dobro tudo que você me deseja” já foram revelados. O historiador Luiz Antônio Simas, coautor do “Dicionário da História Social do Samba” (com Nei Lopes), escolhe os discos mais marcantes da trajetória do aniversariante.

“Zeca Pagodinho (1986)”
Doze faixas irretocáveis que apresentaram Zeca ao grande público em seu primeiro trabalho solo. É talvez o LP mais coeso de Zeca, que segue as trilhas do samba revolucionário do Cacique de Ramos e lança pérolas como “Judia de Mim”, “Quintal do Céu”, “Cheiro de Saudade”, “Coração em Desalinho” e “Brincadeira Tem Hora”. Um clássico!

“Patota de Cosme (1987)”
O LP que confirmou o talento de Zeca, depois do sucesso da bolacha de estreia. A faixa título, “Feriste um Coração” e “Tempo de Don-Don” se destacam em um trabalho em que o Cacique de Ramos e a Velha Guarda da Portela aparecem como as grandes raízes do samba de Pagodinho.

“Samba Pras Moças (1995)”
A faixa título, de Roque Ferreira e Grazielle Ferreira, abre o caminho de Zeca como cantor de sambas de roda da Bahia e explode no Brasil inteiro. A fórmula que inclui partido-alto (“Vou Botar Teu Nome na Macumba”) e Velha Guarda da Portela (“O Samba Nunca Foi de Arruaça”), continua fazendo sucesso.

“Deixa Clarear (1996)”
LP marcado pelo estrondoso sucesso de “Verdade”, samba de roda de Nelson Rufino e Carlinhos Santana. Mantendo o time que está ganhando, Zeca regrava um clássico da Velha Guarda da Portela: “Vivo Isolado do Mundo”, de Alcides Malandro Histórico. “Não Sou Mais Disso”, “Conflito”, “Dona Encrenca” e “Jiló com Pimenta” estão também nesse LP seminal da carreira do artista.

“Zeca Pagodinho (1998)”
Com o subtítulo de “Ao Mestre Heitor dos Prazeres”, é para muitos o melhor LP de Zeca Pagodinho. Estão aqui “Seu Balancê”, “Vai Vadiar”, “Minha Fé”, “Chico Não Vai na Curimba”, “Ainda é Tempo pra Ser Feliz” e “Papel Principal”. O intérprete também se apresenta no auge, dominando todas as veredas do canto “malandreado” do samba.

“Água da Minha Sede (2000)”
Tem tudo o que os fãs do artista esperam: do samba de roda da faixa-título (de Roque Ferreira e Dudu Nobre), passando pelo partido-alto e sambas românticos, e terminando com a surpreendente regravação de “Jura”, o samba-amaxixado de Sinhô.

“Acústico MTV 2: Gafieira (2006)”
Um Zeca em grande forma se apresenta ao vivo, gravando seus maiores sucessos com a formação de uma orquestra de gafieira. É também um passeio pela história do samba sincopado brasileiro pela voz de um de seus maiores intérpretes. Zeca parte das clássicas “Beija-me” (Mário Rossi e Roberto Martins), “Tive Sim” (Cartola) e “Pisei Num Despacho” (Geraldo Pereira e Elpídio Viana); passa pela Velha Guarda da Portela, revisita alguns sucessos com roupagens novas e apresenta a produção contemporânea de compositores como Moacyr Luz, Claudinho Guimarães e Serginho Meriti. Um golaço.

Raphael Vidigal

Fotos: Divulgação.

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1 Comentário

  • Excelente lista, Simas é um craque! Com muito orgulho, vejo uma composição do meu Pai – Elpídio Vianna – sendo citada.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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