8 encontros entre pais e filhos na música brasileira

“É bom deixar
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança, em cada lugar.
Rastro de flor e estrela,
nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar.” Cecília Meireles

Para a missa em comemoração aos 90 anos de Claudionor Viana Teles Veloso, a dona Canô (1907-2012), os familiares de Caetano Veloso, 76, representados pela figura da irmã Mabel, fizeram um pedido especial e singelo ao filho pródigo: uma música para a matriarca do clã. Caetano consentiu, mas, à época, em 1997, preferiu não gravar em disco “Senhor da Vida”, reservando-a apenas para o ambiente familiar. A irmã Maria Bethânia seguiu pelo mesmo caminho. Acompanhada pelo violão do maestro Jaime Alem, a versão da cantora foi lançada no álbum independente “Orações na Voz de Maria Bethânia”, no ano de 2003.

Já rebatizada de “Ofertório”, a canção saiu em CD com tiragem limitada, que circulou somente na terra natal da família, em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, e teve todos os seus rendimentos destinados à igreja de Nossa Senhora da Purificação, na cidade. Duas décadas depois, Caetano decidiu que, além de fazer parte de sua discografia, “Ofertório” serviria para dar título a seu novo trabalho. Pela primeira vez ele estaria acompanhado no palco pelos três filhos – Moreno, 46, Zeca, 26, e Tom, 21 –, o que dava uma óbvia e renovada força aos versos finais da letra: “Os que já chorei e os que ainda estão por vir/ oferto a ti”.

1980 – Família Gilberto
No especial que João Gilberto gravou para a rede Globo em 1980, intitulado “João Gilberto Prado Pereira de Oliveira”, o papa da Bossa Nova convidou a filha para cantar com ele a clássica “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Bebel Gilberto tinha apenas 14 anos quando estreou no palco com o pai.

1981 – Família Gonzaga
Depois de uma vida de desentendimentos, Gonzaguinha e seu pai Luiz Gonzaga, conhecido como o Rei do Baião, finalmente se reconciliaram no ano de 1981, quando começaram a rodar o país com a turnê “A Vida do Viajante”. Os registros voltaram a ser utilizados no álbum póstumo “Gonzagão e Gonzaguinha”, de 1991.

1985 – Família Rodrigues
Antes mesmo de estrear na Turma do Balão Mágico, Luciana Mello gravou com o pai, Jair Rodrigues, a música “O Filho do Seu Menino”, quando tinha apenas seis anos. Ao longo da vida, Luciana cantou outras vezes com seu pai, assim como Jair Oliveira, que no CD comemorativo de 30 anos recebeu o patriarca Jair Rodrigues.

1987 – Família Caymmi
Um dos maiores nomes da música brasileira, Dorival Caymmi teve quatro herdeiros musicais. Avô de Alice, ele gravou com os filhos Nana, Dori e Danilo três discos, o primeiro em 1987, realizado no Rio. Um ano depois saiu o registro do show feito em Montreaux, na França, e, em 1994, o derradeiro álbum em família.

1998 – Família Lee
Filho de Rita e Roberto de Carvalho, o guitarrista Beto Lee acompanhava a mãe em shows desde 1995. A primeira participação foi no álbum “Acústico MTV”, lançado em 1998. Beto ainda participou de outros cincos discos lançados por Rita Lee antes de apostar em sua carreira solo e ingressar na banda Titãs, em 2018.

2003 – D2 & Sain
Stephan Peixoto ficou conhecido quando gravou com o pai, Marcelo D2, o clipe da música “Loadeando”, em 2003. Na época, o garoto tinha apenas 12 anos. Atualmente, ele assina com o nome artístico de Sain e, em 2016, saiu em uma nova turnê com o pai, além de participar da faixa “Eu Já Sabia”, gravada em 2013.

2017 – Família Gil
Filho de Gilberto Gil com Flora, Bem Gil foi quem convenceu o pai a sair em turnê para comemorar os 40 anos do histórico disco “Refavela” em 2017 e, claro, participou de todos os shows. Foi ele também quem produziu o novo disco de inéditas de Gil, “Ok Ok Ok”, lançado em 2018 com 15 faixas inéditas do anfitrião.

2018 – Sandy & Xororó
Sandy cantou em mais de uma oportunidade com o pai, Xororó, principalmente em programas de TV, quando ainda cantava em dupla com o irmão Júnior e as apresentações contavam também com o tio, Chitãozinho. Mas, em 2018, pai e filha cantaram juntos em disco pela primeira vez, com a música “Meu Disfarce”.

Raphael Vidigal

Fotos: Jorge Bispo/Divulgação; e Instagram/Reprodução, respectivamente.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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