3 quadros de humor sobre o futebol no Brasil

“Se eu não fosse otimista já teria me naturalizado dinamarquês.” João Saldanha

3 quadros de humor sobre o futebol brasileiro

Há, pelo menos, duas formas de arte bem populares no Brasil: uma é o riso, a outra é o drible. Juntas concederam ao público uma mistura capaz de gerar alegria e entusiasmo, crítica e reverência aos nossos craques. Em épocas distintas nossos humoristas optaram, invariavelmente, pela paródia, que aqui veremos representada em três exemplos, o primeiro fornecido pelo mestre de todos eles, vindo do interior do Ceará, o icônico Chico Anysio. Em seguida, pertencente à trupe “Casseta & Planeta”, mas com destaque próprio, toda a irreverência de Bussunda. E mais recentemente um quadro protagonizado pelo coletivo “Porta dos Fundos”, em que a atenção se volta para o gesto da torcida.

Coalhada (paródia, 1973) – Chico Anysio
Criado em 1973 pelo inventivo Chico Anysio, mestre na caracterização de tipos cômicos, “Coalhada”, uma das mais hilárias personagens da teledramaturgia nacional, atendia a velho desejo do ator em conjugar suas duas paixões: comédia e futebol. Quando começou na rádio, nos idos de 1950, Anysio atuou como comentarista esportivo, função que voltaria a exercer esporadicamente durante as décadas de 1990 e 2000. Mas Coalhada marcou pelo estilo carregado nas vestes, na fisionomia, nos tradicionais bordões inventados à época, mas, sobretudo, por denotar a identificação de tantos e tantos brasileiros que, embora sem o talento para tal, viam-se como verdadeiros craques do esporte. Na fantasia do protagonista residia todo humor do quadro.

Ronaldo Fofômeno (paródia, 1998) – Bussunda
A partir da Copa do Mundo disputada na França em 1998, o humorista Bussunda, pertencente ao épico grupo de humor “Casseta & Planeta” começou a interpretar aquela que se tornaria uma de suas principais paródias, certamente a de maior identificação junto ao público até hoje: Ronaldo Fofômeno, alusão ao craque que 4 anos depois, em 2002, levaria a Seleção Brasileira comandada por Luiz Felipe Scolari e ainda formada por nomes como Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho ao pentacampeonato mundial. Irreverente, debochado, livre, Bussunda sempre soube aliar as próprias características à das personagens que interpretava, o que, neste caso específico, favoreceu ainda mais a paródia, sobretudo pelas similaridades físicas que soube explorar.

Torcedores (paródia, 2013) – Porta dos Fundos
Sucesso na internet e renovador do humor nacional tanto em forma quanto no conteúdo a trupe da “Porta dos Fundos” lançou seu olhar crítico e talentoso praticamente sobre todas as questões que atentavam ao interesse público nacional, e o futebol e suas condições, claro, não poderia ficar de fora. Fazendo jus a essas características, mudou o tradicional olhar e se espraiou sobre o comportamento dos torcedores, explicitando o quanto ele se torna risível quando transportado para outro ambiente. Protagonizado por Gregório Duvivier, Fábio Porchat, Antônio Tabet, Marcus Majella, Rafael Infante e Gabriel Totoro presta crítica salutar ao meio e a seu entorno através de arma, por tradição, utilizada em terras brasileiras: o riso, o humor, a comédia, o drible.

Charge de Renato Aroeira sobre Romário

Raphael Vidigal

Imagens: Montagem com fotos de Chico Anysio caracterizado como Coalhada, Bussunda no papel de Ronaldo Fofômeno e a trupe da “Porta dos Fundos” no episódio “Torcedores”, respectivamente; em seguida, charge de Renato Aroeira.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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