3 músicas brasileiras contra o machismo

“Vontade de esquecer o que aprendi:
Os castelos lendários são paisagens
Onde os homens se aquecem. Sós. Sumários
Porque da condição do homem, é o despojar-se.” Hilda Hilst

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O histórico paternalista que rege o mundo é um dos responsáveis diretos pela perpetuação do preconceito contra a mulher e da elevação do homem numa escala de poder. Esse machismo atávico está presente no comportamento e na visão de mundo de pessoas de todas as classes e todos os gêneros. Felizmente para combater o senso comum e a reiteração de práticas de violência, a arte dá seu alarde, lança seu sino, seu dardo. No Brasil, vários compositores falaram contra o machismo. Elegemos Pepeu Gomes, Gilberto Gil e o intérprete Ney Matogrosso em 3 músicas que se destacam nessa seara.

Pai e Mãe (MPB, 1975) – Gilberto Gil
Em 1975, no célebre disco “Refazenda”, Gilberto Gil aludiu a uma prática comum do seu período de infância para combater um preconceito latente na sociedade. “Pai e Mãe” retrata a diferença de relações dos filhos com o pai e com a mãe, tendo esta o privilégio e a licença do carinho e do afeto, enquanto ao outro, representante da virilidade, restava o medo travestido de “respeito”. Ao declarar a própria aproximação afetuosa com o pai, Gil também dá um largo passo a favor do amor livre, sem discriminação de gênero. Por essa conotação homossexual, a música recebeu uma interpretação ainda mais expressiva na voz do libertário e provocador Ney Matogrosso, no ano de 2006. “Eu passei muito tempo/Aprendendo a beijar outros homens/Como beijo o meu pai…”.

Super-Homem, a canção (MPB, 1979) – Gilberto Gil
Em 1979, após a trilogia iniciada com “Refazenda”, e que seguiu com “Refavela” e “Refestança”, esta ao lado de Rita Lee, Gilberto Gil lançou o álbum “Realce”, um dos de maior destaque de toda a sua trajetória. Novamente o compositor aborda de maneira sensível o universo que se tangencia por mulheres e homens. Eliminado a linha imaginária que se consolidou por moral e costumes Gil afirma sobre a canção: “todo homem é mulher e toda mulher é homem”. A inspiração para a música veio após o parceiro Caetano Veloso chegar entusiasmado para lhe contar a história do filme do “Super-Homem” que acabara de assistir no cinema. O ponto que mais impressionou Gil foi o herói “mudando o curso da história por causa da mulher”, ao tentar reverter o tempo.

Masculino e Feminino (MPB, 1983) – Pepeu Gomes e Baby do Brasil
Em 1983, o casal Pepeu Gomes e Baby Consuelo, que depois se tornaria Baby do Brasil compôs um dos hinos da diversidade e contra o preconceito no Brasil. Já devidamente embalados pela aura mística que sempre os acompanhou, os compositores iniciam uma reflexão sobre o sexo do Criador para em seguida afirmar: “Se Deus é menina e menino, sou masculino e feminino”. A música foi lançada por Pepeu, em álbum com o mesmo nome, “Masculino e Feminino”, e depois regravada mais de uma vez por Baby. Recentemente, o casal voltou a interpretá-la em parceria no “Rock in Rio” de 2015. Um dos versos que se tornou mais conhecido foi justamente o da introdução, uma lição de vida contra o machismo: “Ser um homem feminino, não fere o meu lado masculino…”.

Machismo

Raphael Vidigal

Imagens: Montagem com fotos de Gilberto Gil, Ney Matogrosso e Pepeu Gomes; e obra do cartunista Carlos Latuff, respectivamente.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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