Ciro Monteiro: O Samba do Formigão da Música Brasileira

“Enquanto teus lábios cantam
Canções feitas de luar,
Soluça cheio de mágoa
O teu misterioso olhar…” Florbela Espanca

Cyro-Monteiro

Há raros casos de formigas que exercem o papel de cigarra. Nessa desordem, Ciro Monteiro se encaixa. O apelido no aumentativo (Formigão), veio em decorrência da criatividade do parceiro Eratóstenes Frazão. A razão permanece misteriosa em tempos recentes. O que nunca foi segredo para ninguém que entendesse do riscado, ou, em outras palavras, de samba, é que o primo de Cauby Peixoto (outro bom de apelido, “Professor”), sempre esbanjou talento rítmico para cantar as preciosidades feitas na época. Claro, auxiliado pela inseparável caixinha de fósforos a fim de marcar o compasso.

Entre os inúmeros estandartes que encontrou durante a carreira – ele mesmo viria a se tornar um deles – Ciro Monteiro esbarrou com gente do porte de Silvio Caldas, Luiz Barbosa, Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis, Noel Rosa, e outros. Deu voz a composições de Lupicínio Rodrigues, Wilson Batista, Ary Barroso, Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, Pedro Caetano, só gente bem, inclusive detentora de respeito nas rodas mais concorridas de choro, samba e alegria.

Afinal de contas, o samba de Ciro Monteiro conta a dança da cigarra, o trabalho exaustivo da formiga, e a subida cansada, no entanto perseverante, daqueles em busca de um ideal: o do nosso herói foi presentear aos outros com o que de melhor possuía: a voz precisa, a melodia contagiante, o gosto para belas letras.

Ciro-Monteiro-canta

Raphael Vidigal

Lido na rádio Itatiaia por Acir Antão em 27/05/2012.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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