50 anos da Tropicália: 12 discos loucos

“um sopro interior, de plenitude cósmica” Hélio Oiticica

Tropicália completa 50 anos

Em um de seus últimos ensaios o artista plástico Hélio Oiticica (1937 – 1980) chegou a uma conclusão reveladora: “Descobri q o q faço é MÚSICA, e que MÚSICA não é ‘uma das artes’, mas a síntese da consequência da descoberta do corpo”, escreveu o inventor do parangolé, que foi também responsável pela criação do monumento artístico que nomeou a Tropicália. A abrangência da perspectiva de Oiticica, cujo verso ‘o q faço é música’ batizou disco de 1998 lançado por Jards Macalé, pode ser percebida na miscelânea e pluralidade de discos emblemáticos do movimento que, há 50 anos, balançou as estruturas da música brasileira.

“Tropicália Ou Panis et Circensis” (1968)
Marco absoluto do movimento, o álbum apresenta, na capa e ao longo de sua audição, faixas que são protagonizadas por Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé, além dos poetas Torquato Neto e Capinam e do maestro Rogério Duprat, nomes que moldaram a estética tropicalista.

“Caetano Veloso” (1968)
Primeiro álbum solo de Caetano Veloso, após a estreia ao lado de Gal Costa em “Domingo”, o álbum apresenta arranjos de Júlio Medaglia e canções icônicas do movimento, como a própria “Tropicália”, que abre os trabalhos, e “Alegria, Alegria”, responsável pela definição de nova poética na música brasileira.

“Gilberto Gil” (1968)
Segundo álbum de estúdio de Gilberto Gil, o disco foi escolhido pela revista Rolling Stone Brasil um dos 100 melhores da música brasileira de todos os tempos, no ano de 2007. Gravado com a participação de Os Mutantes, o trabalho apresenta a faixa “Domingo no Parque” e parcerias de Gil com o poeta Torquato Neto.

“Tom Zé” (1968)
Apelidado de “Grande Liquidação”, por ser uma das frases que aparecem na capa, o disco de estreia de Tom Zé abre os trabalhos com “São São Paulo”, que valeu ao artista o primeiro lugar no IV Festival de Música Popular Brasileira da TV Record naquele ano. A produção ficou a cargo de João Araújo, pai de Cazuza.

“Nara Leão” (1968)
Além de participar do disco “Tropicália Ou Panis et Circensis”, Nara Leão lançou, no mesmo ano, outro álbum dedicado ao estilo, em que cantava músicas de Caetano Veloso e Torquato Neto, como “Lindonéia”, “Mamãe Coragem” e “Deus Vos Salve Esta Terra Santa”, ultrapassando o título de musa da bossa nova.

“A Banda Tropicalista do Duprat” (1968)
Como o próprio título já diz, o disco é uma incursão do maestro mais importante da Tropicália, Rogério Duprat, neste universo que ele conhecia tão bem. Responsável por moldar a maioria dos arranjos que definiram a cara, no campo sonoro, do movimento, Duprat comanda os trabalhos ao lado da banda Os Mutantes.

“Gal” (1969)
Depois de estrear em disco marcado pelo espírito da bossa nova ao lado de Caetano Veloso (com “Domingo”), Gal Costa tornou-se a principal cantora da Tropicália. Um dos melhores exemplos é o disco de 1969 onde a intérprete assimila as influências do canto de Janis Joplin e da guitarria de Jimi Hendrix.

“Jorge Ben” (1969)
Com seu batida de estilo único tanto na guitarra, quanto no violão, Jorge Ben Jor criou um estilo cujo nome ele mesmo renega: “samba-rock”. Para alguns, no entanto, o álbum lançado pelo artista em 1969 é um exemplo claro dos cânones da Tropicália. Faixas como “Cadê Teresa?” e “País Tropical” comparecem no disco.

“Ronnie Von” (1969)
Egresso da Jovem Guarda, o atual apresentador de TV Ronnie Von (responsável pelo sucesso da música “A Praça”), lançou em 1969 um disco que contrariava toda a sua carreira anterior. A presença da psicodelia e de temas para lá de contraditórios seguiria em “A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca Mais”.

“A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado” (1970)
Não há como falar de Tropicália sem mencionar Os Mutantes, no caso, a primeira formação da trupe, que trazia Rita Lee e os irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista. Depois de acompanharem Gil no Festival da Record em 1967 com a faixa “Domingo no Parque”, eles reiventaram, em 1970, a clássica “Chão de Estrelas”.

“Jards Macalé” (1972)
Embora jamais tenha admitido nenhum rótulo para a sua música, tampouco o de tropicalista, o irrequieto Jards Macalé estreou com um LP que trazia o princípio básico do movimento. Além de uma banda que transitava do rock à psicodelia, convergiam canções que traziam influências que iam do samba à bossa nova.

“Um Poeta Desfolha a Bandeira e a Manhã Tropical se Inicia” (1985)
Disco póstumo lançado em 1985 em homenagem a Torquato Neto, um dos mais importantes poetas e letristas da Tropicália, o trabalho reúne canções interpretadas por Elis Regina, Jair Rodrigues, Gilberto Gil, Nara Leão, Caetano Veloso, Gal Costa e Jards Macalé, como “Geleia Geral” e “Marginália II”.

50 anos de tropicalismo no Brasil

Raphael Vidigal

Publicada no jornal O Tempo em 21/10/2017.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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