*Raphael Vidigal Aroeira
Muito se fala do aumento da presença de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro nos últimos tempos, movimento que ganhou força após a vexatória eliminação da Seleção Brasileira para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014, em pleno Mineirão, no fatídico 7 a 1.
Aliás, Felipão, o técnico que protagonizou aquela histórica goleada, até outro dia era o único comandante brasileiro entre os times do país que avançaram para as oitavas de final da Libertadores, à frente do Athletico Paranaense. Mas, recentemente, ganhou a companhia de Dorival Jr., já que o Flamengo decidiu dispensar o português Paulo Sousa após péssimos resultados e um vestiário insustentável.
Foi justamente Dorival Jr. o responsável, como técnico, pela eliminação do argentino Turco Mohamed, que comanda o Galo, ontem, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Um dia antes, Fernando Diniz avançou com o Fluminense após impor um contundente 3 a 0 contra o Cruzeiro no Mineirão, embora o resultado não tenha traduzido de forma precisa o que foi a partida. Técnicos de nacionalidades e, sobretudo, estilos diferentes.
Paulo Pezzolano, o jovem uruguaio de apenas 39 anos que chegou no começo do ano para ajudar na reconstrução do Cruzeiro por meio da SAF, e sob certa desconfiança da torcida que, àquela altura, parecia preferir a permanência de Vanderlei Luxemburgo, não demorou para cair nas graças da China Azul. Com um estilo de jogo intenso e ofensivo, se virou com as peças que recebeu e, hoje, lidera a série B.
Já Turco Mohamed chegou ao Atlético em uma condição das mais difíceis. Só foi contratado porque Cuca decidiu sair e investir em um ano sabático, após conquistar, nada mais nada menos, que Campeonato Mineiro, Copa do Brasil e, principalmente, o tão sonhado Bicampeonato brasileiro, após 50 anos de espera. A exigência era alta e difícil de ser superada.
Como o ano de 2022 do Atlético poderia ser melhor que o de 2021, certamente o melhor de toda a sua rica e longeva história? As comparações sempre o atrapalharam, mas ele também tem sua parcela de culpa por não conseguir dar um padrão de jogo ao time e demonstrar dificuldade em furar a barreira de adversários que se defendem com unhas e dentes. Contra o Flamengo, para piorar, não conseguiu se defender e expôs fragilidades da marcação do time. Parece estar por um fio.
Os méritos de Dorival Jr. e Fernando Diniz são óbvios, e olha que eles já passaram por verdadeiras montanhas-russas na carreira. Outro dia mesmo, Diniz foi incapaz de ajudar o Vasco a subir para a série A. Felipão vale também como exemplo. Depois do 7 a 1, viu o Cruzeiro lutar para escapar da série C e encaminhou o rebaixamento do Grêmio para a segunda divisão.
Hoje, sua equipe está nas quartas de final da Libertadores, da Copa do Brasil e aparece em sexto lugar no Campeonato Brasileiro, a três pontos do líder Palmeiras, com o mesmo número de vitórias. Diniz, Dorival e Felipão, cada um a seu modo, demonstram que o futebol brasileiro também tem os seus bons técnicos.
Matéria publicada originalmente no portal da Rádio Itatiaia, em 2022.


