Mano Décio da Viola fundou a Império Serrano e formatou o samba-enredo

*Raphael Vidigal Aroeira

Décio Antônio Carlos, mais conhecido como Mano Décio da Viola, nasceu em Santo Amaro da Purificação, na Bahia – terra que também deu ao Brasil os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia –, no dia 14 de julho de 1909, e morreu no dia 18 de outubro de 1984, aos 75 anos, no Rio de Janeiro, onde se consagrou como um dos grandes compositores de samba-enredo da música brasileira, ao lado de nomes como Silas de Oliveira, Estanislau Silva e Penteado. Um dos fundadores da escola de samba Império Serrano, quatro vezes campeã do Carnaval carioca interpretando canções de Mano Décio, ele também se aventurou por outros gêneros, como comprova o comovente samba “Obsessão”, que ganhou regravação de Jorginho do Império. Uma pérola rara…

“Exaltação a Tiradentes” (samba-enredo, 1949) – Mano Décio da Viola, Estanislau Silva e Penteado
“Exaltação a Tiradentes” nasceu de um sonho do sambista Mano Décio da Viola, que agregou, aos versos recebidos durante a noite, outros propostos por Estanislau Silva e Penteado.

Antes da consagração, Décio e Silas de Oliveira haviam oferecido três sambas com o mesmo tema para a Escola de Samba do Império Serrano. Passada a frustração, a música foi cantada na avenida em 1949, mas só chegou ao disco em 1955, na gravação de Roberto Silva.

Outros intérpretes não menos tarimbados a registraram posteriormente, dentre os quais Jorge Goulart, com seu vozeirão, e a irrepreensível Elis Regina, além de Maria Creuza, Cauby Peixoto e Mestre Marçal. Pioneiro, como o seu inspirador, é considerado o primeiro samba-enredo a ultrapassar os limites carnavalescos.

“Heróis da Liberdade” (samba-enredo, 1969) – Silas de Oliveira e Mano Décio da Viola
Silas de Oliveira morreu e nasceu numa roda de samba. Embora o pai não tenha concordado, por suas convicções pastorais e protestantes, Silas começou a ser Silas quando fundou, junto de seus pares, dentre eles o inseparável Mano Décio da Viola, a Escola de Samba do Império Serrano, e para sempre foi batizado entre batuques, pandeiros e tamborins.

Mas é inegável que a principal contribuição de Silas se dá, em especial, nos terreiros dos sambas-enredo. Também conta no vasto currículo de sambas-enredo criados por Silas de Oliveira, e que ultrapassaram as barreiras do tempo, a canção “Heróis da Liberdade”, que sofreu retaliações da censura.

Matéria publicada originalmente no portal da Rádio Itatiaia, em 2022.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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