Show: Quatro na Roda

Quarteto dá show de choros em noite dedicada à Rainha do gênero

Show Chorinho

Ademilde Fonseca parece providencialmente ter encomendado sua partida do grande público no andar de baixo para ouvir lá no alto do andar de cima o quarteto ‘Quatro na Roda’. Se assim, nesses relevos insolentes da Terra o som já soa demasiado agradável, imagine a acústica no céu.

Prefaciados pela contadora de histórias e autora de livros, Beatriz Myrrha, e com produção de Lilian Macedo, os quatro integrantes adentraram o palco com a missão de reabrir a temporada de shows do Projeto Pizindin 2012, desta vez, homenageando todas as formas de choro cantado.

Claro que a Rainha Ademilde apareceu no roteiro e foi exaltada à circunstância e pompa com direito a todo refrão que merece. A música escolhida para lembrá-la contou com saborosa ironia da encarregada da flauta, clarinete e voz, Juliana Perdigão, espetacular em ambos (os 3) instrumentos. “Inconstitucionalissimamente” apresentou letra inspiradíssima e o delicioso e conhecido ritmo do choro.

Revezando o papel de cantor principal com a já citada Juliana, Cristiano Vianna empunhou o violão e usou do grave de sua voz para dar retidão e solenidade maior às músicas de cunho harmonioso. Enquanto isso, Eduardo Macedo no cavaquinho, e Ana Luiza Braga na percussão (utilizando inclusive ralador), não perdiam a mão e perdiam as estribeiras elevando os batimentos do coração, arrepio de pêlos e bocas entusiasmadas a cantar na memória o silêncio despertado.

Noel Rosa abriu a porteira de gaiato com o imperdível ‘Tarzan, o filho do alfaiate’, Moreira da Silva & Jards Macalé entoaram em coro a ‘Cidade Lagoa’, crônica dos alagamentos cariocas que Juliana bem pontuou como sendo perfeitamente cabível á Cristiano Machado, em Belo Horizonte. O maestro Tom Jobim esteve presente com seus choros nascidos desde sempre como clássicos, assim como o pouco reconhecido Bororó, o escritor Paulo César Pinheiro e o bandolinista Jacob, meio surpreendido pela afobação do público que exigiu um bis improvisado, mas igualmente referendado ante a qualidade dos músicos e instrumentistas.

Dentre várias delícias, a panela de pressão do grupo ‘Quatro na Roda’ cozinhou bem o prato típico do Brasil na noite em que a gula só é perdoada, pois se empanzinar de boa música é coisa que até Deus pratica. Haja vista Ademilde Fonseca, que de Seu lado me confidenciou ao ouvido quando na minha cama pegava no sono.

Chorinho cantado

Raphael Vidigal

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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