Show: Falamansa (As Sanfonas do Rei)

“É um olhar fugidio,
Olhar que dura um instante,
Mas deixa um rasto de estrelas
O doce olhar saltitante…” Florbela Espanca

Forró na Torre

Porque o show na companhia dos amigos é sempre confortante. Estou bonzinho hoje, sem demagogia. Fui assistir ao “Falamansa”, o Forró que já não é lá meus pés de patas nem quadris de gazelas. Mas a minha cara, pouco suada em conferência aos demais, é a de Luiz Gonzaga.

Foi por isso e para vê-la, à bailarina, ah, vocês não sabem, precisam vê-la dançar e rodopiar por serpentinas e confetes absolutamente invisíveis e claros enquanto dança, e provoca uma aceleração ínfima, de tão bonita é o sorriso da bailarina. Sim, ela não sorri com os dardos disparados em frente ao arco. Ela é a flecha duma índia abismal e antecedente, muito antes da dança ser séria.

Está no rebulir e bolinar da menina a timidez de assistir uma dança atrevida, mas pura no remexe da bailarina. O “Falamansa” subiu ao palco para homenagear o Rei do Baião, e eu, no meio de amigos, fartava-me a deliciar com o dedo cada pedaço daquele bolo de aniversário. Música é confraternização entre amigos, senão não tem sentido.

Há por certo momentos em que o teu amigo, aquele que lhe ouvirá a música, será tu mesmo, único, régio, e exclusivo. Mas nem todos os ventos trazem as mesmas flores, e existem perfumes apenas saborosos no cheirar da aurora cheia, entulhada, perfeita. Quanta gente naquela noite entre amigos disposta apenas em quatro folhas do trevo.

E você até duvida que eu vi o show, assisti o show, aplaudi de pé o show do “Falamansa” em homenagem ao Gonzagão no Forró da Torre. Como se isto fosse necessário quando se dança e canta e pula e conversa e fia a fiada (entre amigos). Quanta ingenuidade de estrela…

Fui lá para ver a bailarina… (e o pezinho dela saiu doendo)

Pintura Bailarina

Raphael Vidigal

Pintura: “Bailarina em repouso”, de Edgar Degas.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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