Liberdade ainda que chargista! O humor contra a censura…

*por Raphael Vidigal

“Uma das características mais lamentáveis das tiranias é que levam tudo a sério e fazem desaparecer o senso de humor. (…) ao lhe tirarem o riso, tiraram-lhe também o mais profundo sentido das coisas. Sim, as ditaduras são pudicas, metidas a importantes e absolutamente enfadonhas.” Reinaldo Arenas

Renato Aroeira, 65, já foi censurado “dezenas de vezes”. Carol Andrade, 37, apresenta um número exato das situações em que teve de superar o mesmo problema: três. Duke, 46, observa que a “censura existe de diversas formas”. E Quinho, 50, garante que “pior do que ser censurado, é ser pautado”. Em comum: o ofício. Eles são chargistas e, embora pertençam a gerações diferentes, trazem outras características que os une. Todos nasceram em Minas Gerais e aliam, à vocação para o desenho, uma saudável e a cada dia mais necessária petulância, que pode ser comprovada em seus trabalhos. É com essas ferramentas que o quarteto combate a sombra da censura. “Quase todo chargista, que trabalhou na grande imprensa, desenvolveu um truque, geralmente contrabandeando a ideia”, entrega Aroeira.

“Eu levava para o editor uma charge ‘cabeludaça’, ainda no esboço, que não ia passar mesmo. O editor punha a mão na cabeça, olhava aquilo e falava: ‘de jeito nenhum, essa não’. Aí eu voltava em 15 ou 20 minutos com a que eu queria publicar originalmente esboçada, normalmente mais suave, e recebia o ‘ok, manda brasa’. Então eu finalizava”, explica o chargista, que ao longo da carreira trabalhou em veículos como O Globo, Jornal do Brasil, O Dia, Istoé e desenhou até uma polêmica capa para a revista Veja. “Sempre fui censurado porque entendo que jornal tem dono e você cutuca os esqueletos do armário dele, então o dono não vai deixar passar. Por outro lado, a boa imprensa, numa estrutura civilizada, numa democracia, mesmo na democracia burguesa, raramente vai censurar o chargista. Ele tem liberdade de atuação, deve ter”, pondera Aroeira.

Recado. Carol Andrade “nunca havia imaginado” se tornar chargista. “Sempre trabalhei em agência de publicidade com ilustrações. Foi quando, mais ou menos há cinco anos, comecei a ilustrar o cotidiano político”, informa. Não por acaso, os episódios de censura sofridos por ela tiveram a política como centro. “Fui censurada três vezes com charges contra Bolsonaro na época das eleições de 2018. Desde sempre, um núcleo de pessoas que não admitem críticas. Não desisti, contornei a censura, tentando adaptar a maneira como ilustraria meu pensamento, até que ele não incomodasse tanto e conseguisse passar o recado”, declara. Carol não foi a única.

Em setembro de 2019, a exposição “Independência em Risco”, com charges que debochavam do presidente Jair Bolsonaro e do ex-ministro Sergio Moro, foi retirada, um dia após a sua instalação, da entrada do plenário da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, sob a alegação de conter “conteúdo ofensivo ao presidente”. No livro “Sobre Lutas e Lágrimas: Uma Biografia de 2018, o Ano em que o Brasil Flertou com o Apocalipse”, publicado em 2019, o autor Mário Magalhães dedicou um capítulo para abordar o crescimento dos episódios de censura no país, que atingiu editais de cinema, peças de teatro e exposições. Apesar disso, Carol tem a sensação de que “o desenho ainda não tem o mesmo peso da palavra, o que por um lado é bom, pois podemos retratar o que pensamos”. “Imagine uma ilustração com o símbolo do nazismo associado à figura do Bolsonaro. Isso até poderia sair como charge em um jornal. Agora, imagine o mesmo acontecer no editorial do jornal, em forma de palavra escrita ou falada”, especula.

Banana. “Hoje em dia, percebo a sociedade, assim como seu governo, virar um ‘meme’ (imagens de humor espalhadas por meio da internet). Todas as ações que contrariam ideias ou pessoas, não têm como resposta uma crítica, baseada em argumentos. Você não gosta de uma opinião, você a transforma em deboche. Não é possível que, tudo que acontece, vire uma imagem com uma piada. Chegamos ao ponto de o presidente oferecer bananas aos jornalistas para não precisar comentar o baixo PIB (Produto Interno Bruto)”, critica ela, em referência à patética cena em que o humorista Márvio Lúcio, conhecido como Carioca, se fantasiou de Jair Bolsonaro e foi estimulado pelo presidente a provocar os jornalistas presentes ao Palácio da Alvorada, em março.

“Enquanto isso, temos pessoas passando fome, ataques à democracia. É tudo muito grave e, nós chargistas, ainda tempos um certo poder de ilustrar sem banalizar os fatos, sermos tradutores e críticos. Dentro deste cenário, meus principais agentes motivadores são a crítica e a solidariedade e, o meu principal objetivo, é apontar os temas e manifestações que normalmente não ganham voz e espaço na mídia convencional”, completa.

Fogo. Atualmente, Carol também atende pela alcunha de Barbie Cospe Fogo, com que assina suas criações, disponibilizadas no Instagram. Em 2019, ela venceu o tradicional Prêmio Angelo Agostini, realizado desde 1985, – justamente no fim da ditadura militar – como melhor cartunista/caricaturista do Brasil e, ao subir ao palco para receber o troféu, em São Paulo, passou por uma situação incômoda. “Fui aplaudida por pouquíssimas pessoas”, conta.

“Até hoje, me questiono se isso ocorreu por eu ser de Belo Horizonte, não ter meu nome conhecido ou por ser mulher. Penso que poderia acontecer o mesmo com um homem, só que o seu questionamento jamais seria por conta do seu sexo”, constata. “O fato de ser mulher interfere em todas as profissões que, pelo machismo, ainda não são consideradas possíveis de serem executadas por nós. E ainda acho que falta um pouco de solidariedade entre nós”, diz ela, fã do sul-africano Chris Ridell, do argentino Quino (criador da Mafalda) e dos conterrâneos Angeli e Aroeira, que ela trata como “amigo e professor”. “Desde que comecei a me dedicar às charges, o Aroeira sempre se colocou à disposição”, enaltece.

Síntese. A mesma imagem revela o rosto de Bolsonaro e uma pessoa dependurada num pau-de-arara, uma das mais cruéis formas de tortura existentes. Essa foi a caricatura criada por Quinho para ilustrar o atual presidente da República que, em mais de uma ocasião, defendeu publicamente a tortura. “Defendo que a charge é uma linguagem que se torna cada vez mais moderna, pois, através de sua síntese, ela pode muitas vezes dizer mais do que um editorial inteiro”, opina Quinho.

“Meu impulso para criar não se dá somente pela revolta e nem somente pelo senso de ridículo. Mas, muitas vezes, eu me revolto com o que considero uma falta do senso do ridículo de alguns governantes. Há figuras tão caricatas nesse governo que parecem ter saído direto de um pesadelo, incluindo o próprio presidente da República e seus filhos. O pior é que, na mesma medida em que são figuras caricatas, são também pessoas ameaçadoras e perigosas. Precisamos levar o voto mais a sério”, complementa. Nascido em Manhuaçu, na Zona da Mata mineira, Marcos de Souza adota o pseudônimo Quinho há mais de 25 anos, quando começou a trabalhar para o grupo Diários Associados, do qual faz parte o jornal Estado de Minas.

Fantasia. “Um chargista não tem somente a função de criticar as situações, mas, também, a de direcionar o holofote para determinadas questões. Em tempos onde as pessoas leem tão pouco, e, ao mesmo tempo, se informam tanto e tão mal, a responsabilidade do chargista em manter o senso crítico afinado com a informação se torna ainda maior. O tiro deve ser certeiro. Principalmente hoje, quando qualquer falsidade, meia verdade ou calúnia pode ser tomada como verdade absoluta no meio virtual, vide as tão propagadas ‘fake news’ (notícias falsas), que a cada dia contribuem exponencialmente para a formação desse exército de desinformados. É desesperador observar como um governo captura e manipula as mentes de uma boa parcela da sociedade na sua bolha de informações, e como essa parcela é, de fato, tocada pra lá e pra cá, como se estivessem todos atados a cordas, feito marionetes vivas”, dispara Quinho.

Eleito o melhor caricaturista do Troféu HQ Mix de 2004 e vencedor de diversas edições do Salão de Humor de Piracicaba, Quinho começou a se encantar pelo ofício ainda criança, em sua cidade natal. Era o seu primeiro dia de aula na escola municipal e ele tinha 6 anos. “A professora pediu que cada aluno fizesse um desenho na primeira folha do caderno. Meu desenho era um macaco montado em um cavalo, prestes a atropelar um pato, enquanto um Saci tentava impedir a tragédia, fazendo sinal de ‘pare’. Como continha uma narrativa visual, posso dizer que foi o meu primeiro cartum. A professora ficou impressionada com os detalhes do desenho e até chamou a dona Acácia, que era diretora, na sala de aula. O que ela me disse ficou gravado: ‘Não pare, menino’. Recebi ‘um 10, um lindo e parabéns’”, rememora.

Liberdade. O desenho que deu início a tudo está até hoje no estúdio de Quinho, em uma moldura. Ele garante que, desde então, seguiu o conselho da diretora da escola e não parou mais com os cartuns e quadrinhos, “sempre estudando, como podia, a linguagem dos artistas do (semanário) ‘O Pasquim’ e de cartunistas internacionais”. “Fui me desenvolvendo de maneira autodidata, até que, depois de vencer um salão de humor, o Ziraldo me apadrinhou e eu pude entrar profissionalmente no que sempre sonhei fazer”, agradece.

Ele aproveita a ocasião para refletir sobre os limites impostos na imprensa. “Como toda síntese tem por natureza poucas nuances e muita carga, nem sempre essa comunicação direta e impactante pode ser do interesse de algum editor. E isso vai depender da vertente ideológica do veículo. Acho que não deve haver censura de charges, afinal o humor comporta a abordagem de qualquer assunto. Mas penso que bem pior do que ser censurado, é ser pautado. Se uma charge volta, tudo bem, você tem o direito de publicá-la depois nas suas redes sociais. O que não admitiria de maneira alguma é ser obrigado a desenhar e assinar uma ideia que se choca diretamente com o que eu penso. Seria uma tremenda indignidade e nunca me aconteceu”, assegura.

Tempo. Questionado sobre os alarmantes números de mortos pela pandemia do novo coronavírus no Brasil, atualmente ultrapassando 11.000 vítimas, o presidente Jair Bolsonaro deu uma resposta curta, à altura de seu histórico: “E daí? Quer que eu faça o quê?”. No dia seguinte, Duke foi tão direto quanto preciso. Desenhou Bolsonaro sobre uma pilha de cadáveres, com as mãos cheias de sangue, e repetiu a frase lacônica, indigna e ultrajante do presidente: “E daí?”. “Diz-se nas aulas de história da arte que o tamanho do artista é medido pela capacidade que ele tem de retratar a sua época. Para o chargista, funciona da mesma forma. E, retratar o espírito do nosso tempo com humor, requer um olhar cada vez mais apurado”, acredita Duke.

Natural de Belo Horizonte, Eduardo dos Reis Evangelista, o Duke, formou-se em Belas Artes, com especialização em Cinema e Animação, pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), e ajudou a organizar eventos como o BH Humor e Salão Internacional de Humor Gráfico de Belo Horizonte. Em 2009, faturou o prêmio de melhor cartunista brasileiro concedido pelo Troféu HQ Mix. Atualmente, ele publica charges nos jornais O Tempo, Super Notícia e no portal DOM Total, vinculado à faculdade de Direito Dom Helder Câmara.

Motivação. “Nenhum profissional tem 100% de liberdade. Alguns têm mais, outros menos. De modo geral, consigo retratar todos os temas em minhas charges, e isso foi conquistado após anos de trabalho. Censura existe de diversas formas, seja na imprensa ou mesmo nas redes sociais, portanto, é algo com que devemos conviver e sempre buscar meios de superá-la”, observa Duke, que tem entre seus ídolos colegas de profissão como Henfil, Jean, Angeli e Laerte. Porém, ele reserva um espaço especial em seu panteão para o cartunista LOR, formado em Medicina, que conheceu aos 13 anos, graças a uma professora de artes. “Ele foi e ainda é meu mestre”, elogia.

“Na verdade, acho que foi a profissão que me escolheu. O que me move, primeiramente, é o salário, afinal, preciso pagar as contas. Mas, deixando a brincadeira de lado, creio que uma boa charge precisa ter dois desses três elementos: humor, raiva e reflexão. Busco isso todos os dias”, revela Duke. Ele é da tese de que “talvez seja necessário rever o papel do chargista nesses dias atuais, já que boa parte do nosso trabalho tem sido substituído por ‘memes’ de internet, que qualquer pessoa pode fazer. Aliás, há ‘memes’ de ótima qualidade”, pontua. Já Aroeira vê a comparação como bom ponto de inflexão.

Meme. “Muita gente acusa o ‘meme’ de desvirtuar a realidade. A gente fica criando ‘meme’ ao invés de lutar. A charge também poderia ser enquadrada nisso. Ela desmobiliza pela catarse. Mas, no frigir dos ovos, a charge tem um papel importante de denúncia e de ajudar a criar a sensação de que você não está só, ou seja, outras pessoas também estão rindo daquilo. O que contribui para o movimento coletivo e organizado da civilização”, celebra Aroeira. Ao longo de sua trajetória, o belo-horizontino radicado no Rio há mais de três décadas cultuou diferentes mestres. “Como desenhista, os autores de histórias infantis foram as minhas primeiras inspirações”, afirma ele, que cita Carl Barks (1901-2000), ilustrador da Disney; Marge (1904-1993), criadora da “Turma da Luluzinha”; Charles M. Schulz (1922-2000), o inventor do Charlie Brown; Bill Watterson, de “Calvin & Hobbes”; e o argentino Quino com sua inconformada Mafalda.

“Mais tarde, já como chargista e caricaturista, comecei a prestar mais atenção ao desenho que eu absorvera do pessoal do (semanário) ‘O Pasquim’ e voltei lá atrás para ver como o Steinberg tinha influenciado aquela turma toda”, relembra Aroeira. Lançado em 1969, no auge da ditadura militar no Brasil, “O Pasquim” se tornou um dos principais veículos de oposição ao regime, com entrevistas históricas que marcaram época e trazia, entre seus integrantes, personagens do calibre de Millôr Fernandes, Jaguar, Tarso de Castro, Ziraldo e Sérgio Cabral, entre outros. Nascido na Romênia, Saul Steinberg (1914-1999) criou um estilo único de cartum, facilmente reconhecível, baseado na interação quase umbilical entre forma e conteúdo. “Depois descobri o (norte-americano) David Levine (1926-2009) e o (francês) Jean Mulatier”, sublinha Aroeira.

Riso. O chargista faz questão de ressaltar que, quando ele estava começando, “surgia um monstro da caricatura chamado Chico Caruso”. Outra paixão compartilhada por ambos é a música e, por sinal, os dois já se apresentaram juntos. Chico Caruso é compositor e gravou com o irmão gêmeo, o também chargista Paulo Caruso, o disco “Pra Seu Governo”, com sátiras musicais, enquanto Aroeira toca saxofone em um trio de choro. “O Chico me influenciou muito. Eu, literalmente, conferia quais soluções ele dava para a caricatura dele e, a partir disso, desenhava”, admite. “Posteriormente, mudei a direção, para tornar a minha caricatura mais brincalhona, que fosse um bonequinho coerente com o desenho solto e, mais tarde, fui buscar uma perspectiva um pouco mais realista”, diferencia.

O pontapé inicial desse ciclo foi confuso e, no mínimo, inusitado. A estreia de Aroeira na labuta aconteceu aos 11 anos, ilustrando os livros didáticos e paradidáticos da mãe, a pedagoga e educadora Maria Luisa Aroeira. Aos 14, ele já estava desenhando as apostilas de desenho geométrico do pai, Hugo Aroeira, que, além de professor, era jornalista. “Eu me preparei para ser cientista, estudei física e matemática. E não pensava em ser desenhista, brincava com aquilo como uma habilidade que você tem e usa para se aproximar das pessoas, dar uma paquerada”, confessa. Certa vez, Aroeira entrou indignado no Diretório Acadêmico do curso de Matemática, na UFMG, perguntando quem tinha utilizado, sem autorização, dois de seus desenhos numa carta-programa da entidade estudantil. “E uma jovem muito bonita, pequenininha, que era presidenta do D.A. ICEX (Instituto de Ciências Exatas) veio dizer: ‘fui eu’. Aí eu me ofereci para fazer mais 500 desenhos”, diverte-se Aroeira.

Risível. A paquera o levou longe. O ilustrador morou com a garota durante um ano, trabalhou com a reconstrução do movimento sindical e estudantil em Belo Horizonte, terminou a graduação em Matemática, mas nunca foi buscar o diploma, não virou cientista, e tornou-se um dos mais aclamados chargistas do país. Como tal, trocou régua, marcador e compasso por outros instrumentos. “Sendo honesto, o que mais me leva a criar é o senso do ridículo. A charge é uma filha direta da minha indignação com o senso do ridículo”, define. O que tirou seu humor nessa jornada foram, exatamente, as censuras.

“Nunca tive esse ‘privilégio’, da minha charge ser liberada e o artigo, matéria ou editorial não passar. A minha charge, inclusive, era bastante podada. Reagi resmungando algumas vezes, e, com o tempo, desenvolvi esses métodos de burlar e ser sutil, e, hoje, não consigo mais ver censura sobre a minha charge porque eu não trabalho para ninguém”, aponta. Aroeira integra o Jornalistas Pela Democracia, iniciativa que reúne diversos profissionais da área, como Eric Nepomuceno, Hildegard Angel e Miguel Paiva, e possui um espaço cativo para externar sua opinião no portal Brasil 247. “Quem quiser me publicar, me publique. Meus desenhos estão livres para serem reproduzidos em tudo que é site, blog, perfil de rede social, fiquem à vontade, mas, censurar, não pode. Se alguém alterar um desenho meu, vou entrar com uma ação judicial”, conclui.

Imagens: Montagem com charges de Duke, Quinho, BarbieCospeFogo e Renato Aroeira; e charge de Jaguar, respectivamente.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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