Entrevista: Zeca Pagodinho

“O ataque de uma borboleta agrada mais que todos os beijos de um cavalo.” Mario Quintana

Deixa a vida me levar

“Não ouço o que há de pior na música brasileira”, é com estas palavras que Zeca Pagodinho exalta o samba, o pagode, o próprio disco, mote da apresentação no Chevrolet Hall na próxima sexta-feira, 19 de outubro, encerrando a turnê de mais um festivo sucesso da carreira do compositor de Xerém.

Mas Zeca também não se fecha para o que há de novo. “Vida da minha vida” compila antigos êxitos, como a canção “Pôxa”, do pouquíssimo gravado Gilson de Souza, redescoberta por Zeca quando este ouvia a rádio Tupi, do Rio de Janeiro, a inéditas composições, entre elas homenagem ao neto de Pagodinho, intitulada “Orgulho do Vovô”, em parceria com Arlindo Cruz.

ELOGIOS
Quem recebe o afago sincero e carinhoso de Zeca é a mineira guerreira Clara Nunes e a eterna madrinha do Cacique de Ramos, Beth Carvalho: “São as maiores!”, declara com indisfarçado entusiasmo. Mariene de Castro, baiana nova na cena, também não fica atrás nos elogios: “Que artista bacana, de voz boa, sabe o que faz!”.

No entanto o compositor não anda muito preocupado com o que andam dizendo sobre ele, fato notório e comprovado ao se perceber o desconhecimento e descaso ao nome de Joaquim Barbosa, Ministro Relator do Mensalão que referendou o talento do cantor em entrevista: “Quem é este?”.

MINEIROS
Após a resolução do caso sobre a figura à primeira impressão enigmática, Zeca logo se retrata: “Ah aquele negão? Muito gente boa! Sou fã dele!”, anima-se ao perceber agora de quem partiu o gracejo. Graça que Zeca faz questão de estender aos “amigos mineiros”, diz ele, e envia flores ao radialista Acir Antão, o inveterado sambista Mestre Affonso e os compositores Fabinho do Terreiro e Toninho Gerais.

Sobre a polêmica levantada a respeito da música politicamente correta que se pratica nos terreiros tupiniquins, principalmente após a partida dos provocativos Bezerra da Silva, Moreira da Silva e Dicró, o músico prefere esquivar-se: “Não me envolvo nessas discussões, música é música, é alegria, vamos cantar!”, define.

CORAÇÃO ABERTO
O traço apaziguador da personalidade de Zeca é novamente sentido quando perguntado sobre o legado de Roberto Silva, morto recentemente, aos 92 anos: “Prefiro falar só sobre mim”, mas é ambíguo, ao diagnosticar as maiores honras de carreira recheada delas: “Já cantei com Luiz Melodia, MPB-4, Chico Buarque, grandes nomes, artistas incríveis”.

Miltinho, sambista de inegável influência na divisão rítmica consolidada por Zeca nos anos 90, traz uma emoção a mais à memória afetiva do cantor: “Ouvia ele quando era criança, através do rádio do vizinho, porque lá em casa não tinha, guardei isso tudo…”.

Onde guardou Zeca? Provavelmente no coração que será aberto ao público, na noite programada como despedida do novo trabalho, e que se aguardem improvisos, espontaneidades, e respostas pra lá de musicais, território onde o compositor melhor se sai. Indiscutíveis sucessos como “Deixa a vida me levar”, “Verdade”, “Coração em Desalinho”, “Samba pras moças”, entre outros, estarão no roteiro.

Entrevista com Zeca Pagodinho

Raphael Vidigal

Publicado no jornal “Hoje em Dia” em 17/10/2012.

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5 Comentários

  • Que lindo Vidi, esta foi sua primeira entrevista? Parabéns , vc é mto competente e inteligente, este é só o início do seu sucesso !

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  • “Ah aquele negão? Muito gente boa! Sou fã dele!”hahahahah…Muito boa a entrevista, Ph! O zeca é foda…

    Resposta

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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