Entrevista: Ataídes Braga

Entrevista com o cineasta, historiador, pesquisador, roteirista e professor Ataídes Braga.

1- Qual o grande diferencial do cinema brasileiro para os demais cinemas que se praticam no mundo?

Toda cinematografia tem importância mas o que difere cada uma delas é o registro de sua identidade, sua cultura, seus valores, a representação de seu povo, enfim, o caráter do brasileiro não pode ou não deveria ser apresentado senão pelo brasileiro com riscos de serem caricaturados.

2- Qual movimento mais influenciou o cinema brasileiro?

Cada época teve uma marca e vários registros de influências são notados, por exemplo, o nosso primeiro cinema foi muito influenciado pelas vivências de muitos pioneiros que eram estrangeiros, italianos, portugueses; já as tentativas industriais pelo modelo americano e italiano; o cinema novo e um cinema independente dos anos 50/60 claramente pelo neorealismo italiano e pela nouvelle vague francesa; as pornochanchadas pelo cinema erótico italiano e depois vários cineastas, a partir dos anos 80, por todo mundo de fora e de dentro do Brasil.

3- Qual das vertentes do cinema brasileiro tem maior repercussão artística, na sua opinião?

Depende de muitos fatores: se for do ponto de vista de público, bilheteria, os filmes que mais fizeram sucesso são as chanchadas musicais e as pornochanchadas, se for do formato do belo, muitos filmes da Cia Vera Cruz podem ser reconhecidos; se for do político, quase todos os filmes do cinema novo, se for na contemporaneidade, podem ser Central do Brasil, Cidade de deus , Tropa de elite e tantos outros, logo depende…

4- Porque o cinema brasileiro tem um histórico de atrair pouco público às suas exibições (com exceção da chanchada)?

Não é verdade totalmente, em vários momentos muitos filmes fizeram muito sucesso e hoje isso já não é tão determinante, muitos já o fazem e, às vezes, a dificuldade é a mesma de sempre, ausência de distribuição e falta de espaços para exibição, quase totalmente tomados por filmes estrangeiros.

5- Quem são os grandes diretores, os grandes produtores e os grandes atores do cinema brasileiro?

São muitos, de minha preferência: Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Roberto Santos, Ana Carolina, Sérgio Bianchi, Eduardo Coutinho, Beto Brant, dentre outros.

Na produção, gosto mais das mulheres, Sara Silveira, Glaucia Camargos, Mariza Leão, apesar de saber da importãncia de Luiz Carlos Barreto.

Também são milhares; Oscarito, Grande Otelo, Paulo José, José Dumont, Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Odete Lara, Glauce Rocha, Fernanda Torres, Lázaro Ramos, Wagner Moura, dentre muitos.

PERGUNTA LIVRE:

6- O que você acha do ator Paulo César Peréio?

Eu gosto muito, como ator sempre representou o lado bandido, canalha, marginal, que em muito engrandeceu o cinema brasileiro, como locutor e durante muito tempo a voz do cinema brasileiro, poucos sabem disso, é marcante, e como o conheço pessoalmente, acho brilhante, culto.

e como ele mesmo diz….não sou mau-caráter, não tenho nenhum caráter. Sobrevivo por que erro, porque peco.

Raphael Vidigal

Produzido para o blog Brasil na Cena, matéria de Cinema ministrada na PUC Minas por Robertson Mayrink.

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5 Comentários

  • Adorei a entrevista!! As perguntas foram bem objetivas e as respostar puderam nos passar uma noção geral do nosso cinema nacional!

    Parabéns !

    Resposta
  • Entrevista sensacional, concordo com muito do que foi dito, principalmente ao que se refere a bilheteria do cinema brasileiro.
    O imbróglio não esta no preconceito ou falta de informação e sim na concorrência brutal com o cinema americano. Quando os filmes nacionais tem o mesmo espaço, o público abraça nossas produções, a prova viva é o recente sucesso de TE2 e Muita Calma Nessa Hora.

    É bom ler o ponto de vista de pessoas que entendem do assunto. O site está muito bom!

    Resposta
  • Sensacional PH, parabéns pelo trabalho que você vem realizando no seu blog, como já disse em outras ocasiões, é, e se continuar assim, será a minha página inicial por muito tempo.
    Abraçoss

    Resposta
  • Cinema brasileiro não possui muito dinheiro, mas é rico em qualidade. Precisamos apenas começar a explorar o cinema de gênero, um passo que considero definitivo para afirmação da nossa identidade como cineastas.

    Resposta

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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