DNA musical: 14 filhos de músicos famosos

“Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar” João Nogueira e Paulo César Pinheiro

Filhos de músicos famosos gravam discos autorais

Caymmi, Gil, Veloso, Baby, Moraes, Nogueira, Bosco e Buarque podem ludibriar, numa primeira vista, quem liga o nome à pessoa ou adquire o livro pela capa. Se a sentença seguinte afirmar que os sobrenomes pertencem a Alice, Bem, Moreno, Pedro, Davi, Diogo, Julia e Clara, ninguém terá sido enganado. Herdeiros de artistas famosos, os citados pertencem a uma geração que, cada vez mais, não só opta por seguir os passos profissionais dos pais como, em alguns casos, têm se lançado em empreitadas capitaneadas pelo nome mais famoso do clã.

Beatriz Rabello – “Bloco do Amor” (2016)
Filha de Paulinho da Viola e neta de César Faria – um dos fundadores do conjunto de choro “Época de Ouro” – a cantora e atriz já tinha experiência nos musicais “É Com Esse Que Eu Vou”, “Sassaricando” e “Divina Elizeth”, quando estreou em CD dando voz a clássicos de Chico Buarque, Sidney Miller, Dona Ivone Lara, Jorge Aragão e a música inédita de seu pai que dá nome ao álbum.

Bem Gil – “Tono Auge” (2009)
Filho de Gilberto Gil e irmão da também cantora Preta Gil, o músico tem como instrumento prioritário a guitarra. É nesta função que ele participa da banda “Tono”, fundada em 2007 e com a qual já lançou dois discos, o primeiro de nome homônimo e o segundo com a adesão da palavra “Auge” no título. Ao lado do pai e de Jacques Morelenbaum gravou o disco “BandaDois”, em 2009.

Beto Lee – “Celebração e Sacrifício” (2011)
Filho daquela que é conhecida como a “mãe do rock nacional”, o primogênito de Rita Lee e Roberto de Carvalho também tem uma carreira voltada para o gênero, tanto que, em 2012, recebeu o Grammy Latino na categoria melhor álbum de rock brasileiro por seu disco lançado no ano anterior, “Celebração e Sacrifício”, o terceiro de sua carreira. Atualmente, é guitarrista da banda “Titãs”.

Chico Chico – “2×0 Vargem Alta” (2015)
Filho de Cássia Eller (1962 – 2001), a primeira aparição do cantor, compositor e instrumentista foi ainda criança quando, aos oito anos de idade, acompanhou sua mãe no Rock in Rio 2001 durante a execução da música “Smells Like Teen Spirit”, hit da banda Nirvana. Em 2015, fundou o selo Porangareté ao lado da cantora Júlia Vargas, pelo qual lançou o CD “2X0 Vargem Alta” com sua banda.

Davi Moraes – “Nossa Parceria” (2015)
De acordo com o próprio Moraes Moreira, seu filho Davi foi concebido no sítio em Jacarepaguá apelidado “Cantinho do Vovô”, onde os Novos Baianos conceberam, por exemplo, o histórico disco “Acabou Chorare”, nascido um ano antes de Davi que, ao lado do pai, gravou o álbum de inéditas “Nossa Parceria”, com músicas feitas pela dupla. Antes, o guitarrista lançara dois CDs.

Diogo Nogueira – “Bossa Negra” (2014)
Filho de João Nogueira (1941 – 2000) e neto de João Batista, o cantor começou a chamar a atenção em 2001, quando gravou o disco “Um Sonho Através do Espelho” que, não por acaso, traz uma referência à canção feita por seu pai em homenagem ao avô (dos versos: “e orgulho de seu filho ser igual seu pai/pois me beijaram a boca e me tornei poeta”). Com uma carreira já consolidada e dedicada ao samba lançou um disco com Hamilton de Holanda.

Dois Reis – Idem (2017)
Antes de lançar seu primeiro disco em parceria com o irmão Theo, Sebastião Reis já era conhecido em todo o Brasil devido à música “O Mundo É Bão, Sebastião!”, composta pelo pai Nando Reis e lançada no disco “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana”, da banda Titãs. Em 2016, os irmãos participaram do programa “Super Star”, transmitido pela rede Globo.

Donatinho – “Sintetizamor” (2017)
Filho de João Donato, referência absoluta de piano no Brasil e no exterior, o instrumentista especializou-se em teclados e sintetizadores. Em 2017, após 15 anos sem gravar um disco de inéditas cantado, Donato voltou ao estúdio graças ao esforço do filho, que o convenceu a experimentar apenas instrumentações eletrônicas, o que resultou no primeiro disco feito pelos dois.

Julia Bosco – “Dance com seu Inimigo” (2016)
Filha de João Bosco e irmã do letrista e poeta Francisco Bosco, a cantora e compositora fez sua estreia no mercado fonográfico em 2012, com o independente “Tempo”. Quatro anos depois colocou na pista o elogiado “Dance com seu Inimigo”, de temática feminista e participação de Tulipa Ruiz. Além disso, lançou uma linha de roupas sensuais para mulheres que usam tamanhos a partir do N.º 46.

Luana Carvalho – “Branco Sul” (2017)
A primeira aparição pública da filha de Beth Carvalho aconteceu com menos de um ano de idade, na contracapa do disco lançado pela mãe em 1981, “Na Fonte”, onde é vista sentada no colo de Euzébia do Nascimento, histórica integrante da escola de samba Mangueira. Depois de participar como atriz em novelas da rede Globo, estreou como cantora e compositora num álbum duplo.

Lula Lira – “Nada Sem Ela” (2016)
Filha de Chico Science (1966 – 1997), Louise Taynã adotou o nome artístico de Lula Lira sem revelar os porquês. Cantora, compositora e atriz, ela participa de série sobre o “manguebeat”, movimento capitaneado por seu pai, é vocalista do grupo “Afrobombas”, da banda infantil “Coisinha” e prepara o primeiro disco solo. Em 2016, gravou uma faixa no disco “Nada Sem Ela”, da Academia da Berlinda, conjunto de Recife, sua cidade natal.

Maíra Freitas – Idem (2011)
Filha de Martinho da Vila e irmã de Mart’nália, a cantora, compositora e pianista estreou em disco no ano de 2010, acompanhando o pai na homenagem a Noel Rosa intitulada “Poetas da Cidade”. Um ano depois, gravou seu primeiro álbum solo, que trazia apenas seu nome na capa. Já em 2015, veio o segundo disco, “Piano e Batucada”, com músicas autorais e releitura para sucesso de Nina Simone.

Maria Rita – “O Samba em Mim – Ao Vivo na Lapa” (2016)
Filha de Elis Regina (1945 – 1982), a cantora teve de enfrentar, desde cedo, as comparações com aquela considerada por muitos a maior intérprete do país. Em 2003, lançou o primeiro disco, que trazia sua assinatura na capa. Com uma carreira voltada principalmente para o samba, acumulou discos de platina, ouro e diamante. O último lançamento foi gravado ao vivo na Lapa e apresentou seus maiores sucessos, como “Cara Valente”, de Marcelo Camelo.

Moreno Veloso – “Coisa Boa” (2014)
O primogênito de Caetano Veloso é formado em Física, mas trabalha com música desde 1997, quando sua composição “How Beautiful Could a Being Be” foi gravada pelo pai no disco “Livro”. Violonista e cantor, ele estreou nas funções em disco com “Máquina de Escrever Música”, no ano 2000, o seu primeiro solo. Ao lado de Domenico Lancelotti e Kassin formou o trio “+2”, responsável pela trilha “Imã”, do grupo Corpo, em 2009. Lançou “Coisa Boa” em 2014 e se prepara para sair em turnê com Caetano e os irmãos Zeca e Tom. Em BH, os shows serão nos dias 7 e 8 de outubro, no Palácio das Artes.

Música popular brasileira cada vez mais patrimonial

Raphael Vidigal

Fotos: Reprodução da capa/Divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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