Centenários 2016: Silas de Oliveira pertence ao panteão do samba

“Sinto, abalada minha calma
Embriagada minha alma
Efeito da tua sedução” Silas de Oliveira & Joaquim Ilarindo

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Silas de Oliveira morreu e nasceu numa roda de samba. Embora o pai não tenha concordado, por suas convicções pastorais e protestantes, Silas começou a ser Silas quando fundou, junto de seus pares, dentre eles o inseparável Mano Décio da Viola, a Escola de Samba do Império Serrano, e para sempre foi batizado entre batuques, pandeiros e tamborins. Conhecido, sobretudo, pela atividade nos desfiles de carnaval, compositor arguto e perspicaz que era de temas históricos para os tradicionais sambas-enredo, também merecem destaque seus sambas de roda, tais como “Meu Drama”, popularmente chamado “Senhora Tentação”, “Cruel Paixão” e “Desprezado”. É destas canções que emergiram versos do quilate de “será que o amor por ironia/move esta fantasia, vestida de obsessão?”, regravados por ninguém menos do que Cartola; e “amanhece e anoitece/eu sei que nesse mundo tudo se fenece/então porque essa paixão/do meu coração não desaparece?”, e etc.

Mas é inegável que a principal contribuição de Silas se dá, em especial, nos terreiros dos sambas-enredo. Foi ao lado dele que Dona Ivone Lara tornou-se a primeira mulher a derrubar barreiras e preconceitos e invadir esse ambiente marcadamente masculino, com a co-autoria, também dividida com Bacalhau, de “Os Cinco Bailes Tradicionais da História do Rio”, périplo que reconta a história de magia, aventura e sedução do Brasil imperial e a chegada do período republicano. Não foi sem méritos que a Império Serrano tornou-se a grande vencedora daquele carnaval de 1965. Também conta no vasto currículo de sambas-enredo criados por Silas de Oliveira, e que ultrapassaram as barreiras do tempo, as músicas “Heróis da Liberdade”, que sofreu retaliações da censura, “O Último Baile da Corte Imperial”, “O Caçador de Esmeraldas”, “Pernambuco, Leão do Norte”, dentre inúmeros outros, além de ter sido cantado por Jamelão, Roberto Ribeiro, João Nogueira e o Jorginho do Império.

Silas acabara de cantar “Os Cinco Bailes Tradicionais da História do Rio” quando morreu, no Morro da Serrinha, onde hoje pode ser visto como nome de rua, na placa “Rua Compositor Silas de Oliveira”. E, claro, ouvido à exaustão pelos amantes do samba. Por essas e outras pertence a este panteão.

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Raphael Vidigal

Fotos: Arquivo e Divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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