Humor: As Empreguetes

“A única coisa que eu sei é que os passarinhos não precisam de escada para subir em nenhum lugar!” Quino

Perguntaram-me o que achava do clipe que só anda rolando (pois proibido nos outros) site da Rede Globo, verdadeira febre sem carnaval, fora de época.  Pois o susto foi grande quando lhes confrontei meu desconhecimento. Facilmente não sou um jornalista bem informado desse país.

Apesar do ledo engano à primeira vista, decidi satisfazer o meu gosto e provar do bolo já raspado por incensados dedos e tatos (e línguas até). Procurei pelo novo fenômeno da teledramaturgia musical brasileira e em poucos minutos estava de frente àquele que me revelaria.

O quê exatamente eu ainda não sabia, mas adivinhava se tratar de algo no mínimo curioso, coisa do tipo animal como um guaxinim, coala ou toupeira. Apertei os cintos, a tecla “enter” e me preparei para a decolagem, reservada logo de cara a gralhas e risos.

Leandra Leal se encaixa no quadro daquelas “Minhas Atrizes Favoritas”, Taís Araújo e Isabelle Drummond menos, mas é inegável quanto deitar no sofá da sala para ver TV e apagar, o talento das três gurias nesta relíquia de humor pastelão, cheias de charme.

A letra muito bem construída (prima-parente da cantada por Kid Vinil na banda “Magazine” nos idos 80, “Eu sou boy”) abaliza o ritual das personagens, presas entre uma e outra gafe, estrebuchando com carinho os calotes, mazelas, desatinos empregados aos ocupantes desfavorecidos desta nave. Sim, o senso de humor da “As Empreguetes” sereia-baleia é uma fulgente bordoada, com o som de cassino do Chacrinha no pano dos fundos.

As Empreguetes

Raphael Vidigal

Clipe: http://tvg.globo.com/novelas/cheias-de-charme/empreguetes/

Letra: http://letras.terra.com.br/empreguetes/vida-de-empreguete/

P.S.: Descobri finalmente, hoje, o autor da letra: é Quito Ribeiro.

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5 Comentários

  • O único problema da letra é a parte

    “a madame vê problema onde não HÁ”

    Construção perfeita na língua portuguesa, que evita o erro crasso (e clássico) do uso do verbo TER como sinônimo de existir, coisa que fazemos todos os dias o tempo todo. Muitos de nós sabemos e falamos mesmo assim, outros – maioria – não fazemos nem ideia que está errado. Bom, isso afasta a música um pouco da realidade das “empreguetes” e pra mim esse trecho é o traço clássico que define uma “produção global inverossímil”. Não fosse esse trecho, a letra é bem construída o suficiente para parecer genuína. Mas não é, né?

    Quero dizer, qual foi a última música popular brasileira – que está tocando nas rádios – em que vocês ouviram alguma conjugação do verbo haver?

    Resposta
  • Muito boom! Demoro a vir aqui, mas quando apareço sempre me surpreendo! =)
    Beijos!

    Resposta
  • Muito obrigado a todos pela participação e enriquecimento de conteúdo e debate no site. Voltem sempre. Abraços

    Resposta

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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