Análise: “Estação Plural” exalta a diversidade sexual e de gênero

“Aviso que vou virando um avião. Cigana do horário nobre do adultério. Separatista protestante. Melindrosa basca com fissura da verdade. Me entenda faz favor: minha franqueza era meu fraco (…) Não olho para trás. Aviso e profetizo com minha bola de cristais que vê novela de verdade e meu manto azul dourado mais pesado do que o ar. Não olho para trás e sai da frente que essa é uma rasante: garras afiadas, e pernalta.” Ana Cristina Cesar

Atração é comandada por trio de apresentadores

Tendo como princípio a diversidade sexual e de gênero, o programa “Estação Plural”, exibido nas segundas-feiras a partir das 22h na TV Brasil, amplia o leque para a raiz e o radical inerente ao tema: diversidade de vida que almeja à tolerância e ao respeito. No elogio ao múltiplo a descoberta de que a riqueza concentra-se no que é vário, e não singular. São paradoxos esmiuçados com consciência, experiência e conhecimento: somos todos únicos e iguais em alguma medida, e é pela identificação humana que devemos reconhecer no outro todas as diferenças que nos propiciam uma existência passível de exuberância. No comando da atração Ellen Oléria, Fefito Oliveira e Mel Gonçalves exibem personalidades tão distintas quanto complementares, não no sentido limitador, mas na coesão que os tons encontram por serem de diferentes peças, para além do quebra-cabeça, mas, por ora, uma sinfonia, aonde a música foge e se oferece harmônica justamente pela impalpabilidade.

Dividido em blocos, em quase uma hora de duração, são oferecidos temas para debate com um convidado que não obedece a nenhuma condição específica. Esses debates, geralmente em torno de assuntos comportamentais e, por conseguinte, culturais no sentido expresso dos hábitos, relacionamentos e costumes de um povo – e que são, em via de regra, postos em cheque – recebem o complemento de “vozes anônimas” colhidas nas ruas pelos apresentadores em matérias realizadas previamente fora do estúdio. Até aí, temos a clássica estrutura de programas de entrevista e debate realizados, por exemplo, na TV Cultura, como o histórico “Provocações” de Antônio Abujamra. Para além dos temas, o que denota característica peculiar e inovadora da “Estação Plural” é a prova e a demonstração da capacidade e possibilidade em expressar a intimidade tendo como referência a própria personalidade sem descambar para o vulgar, o banal e o primitivo. A atração passa ao largo deste rame-rame inócuo e constrói sólida divulgação e debate sobre o que é amplo.

Apresentadores recebem sempre um convidado para debate

Raphael Vidigal

Fotos: Divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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