10 artistas da música brasileira que viraram políticos

*por Raphael Vidigal

“A militância política não me aliviava, embora em mais de uma ocasião, encharcado da cabeça aos pés pelo visgo da cola dos cartazes políticos, pude sentir o alegre cansaço ou sensação de combate que valia a pena. Em volta havia um mundo quieto e domesticado para a obediência, no qual cada cidadão representava seu personagem (alguns tinham um elenco inteiro)” Eduardo Galeano

O homem é um animal político e tudo é política, já disseram alguns dos mais renomados nomes do pensamento ocidental. Sob essa perspectiva, não é de se estranhar que alguns astros – e outros nem tanto – da música nacional tenham se aventurado no campo da política partidária. Passando por ministérios e pelo crivo do voto popular, eles encararam a arena do debate político e tiveram reações ora parecidas outrora distantes daquelas conhecidas no palco. Entre aplausos e vaias, selecionamos 10 artistas da música que se tornaram políticos.

Agnaldo Timóteo
A atuação política de Agnaldo Timóteo começou cedo. Em 1983, o cantor de Caratinga, no interior de Minas, se elegeu deputado federal pelo PDT do Rio de Janeiro, partido à época comandado por Leonel Brizola. Posteriormente, também foi deputado pelo PPR, entre 1995 e 1996, quando renunciou para assumir o cargo de vereador. Em 2004, foi novamente eleito vereador por São Paulo. A última eleição disputada foi em 2016, quando não se elegeu. Defensor do ex-presidente Lula, ele cogitou se filiar ao PT após passar por outras legendas.

Gilberto Gil
Um dos nomes mais aclamados da música brasileira, o baiano Gilberto Gil iniciou a sua participação partidária junto com a promulgação da Constituição Federal, a chamada Constituição Cidadã, em 1988. Nesse ano, ele se elegeu vereador em Salvador, pelo PMDB, e cumpriu o mandato até 1992. Mas, em 1990, filiou-se ao Partido Verde (PV), onde permanece até hoje. Porém, sua atuação política mais destacada foi quando aceitou o convite do então presidente Lula para assumir o Ministério da Cultura, função que ele desempenhou entre 2003 e 2008.

Verônica Costa, a Mãe Loira do Funk
Verônica Costa, mais conhecida como a Mãe Loira do Funk, surgiu para os holofotes da indústria do entretenimento quando, ao lado do marido Rômulo Costa, montou a equipe de som “Furacão 2000” e despontou com o funk “Desce Glamourosa”. No ano 2000, ela se elegeu vereadora do Rio pelo PL, função que exerce até hoje, onde está em seu quinto mandato consecutivo, tendo passado pelo PMDB, PR e DEM. Em 2019, foi condenada a 5 anos de prisão e a perda de seu cargo pelo crime de tortura contra o ex-marido, decisão que cabe recurso.

Frank Aguiar
Conhecido como “O Cãozinho dos Teclados”, graças aos gritinhos agudos que emitia durante as canções e que, segundo alguns, lembravam latidos, o cantor Frank Aguiar, natural de Itainópolis, no interior do Piauí, começou a carreira política filiado ao PT, em 2003. Em 2006, já no PTB, foi eleito deputado federal por São Paulo, cargo que deixou ao se candidatar a vice-prefeito de São Bernardo do Campo na chapa de Luiz Marinho, do PT, quando saíram vitoriosos. Em 2014, perdeu a eleição pra deputado. Atualmente, é filiado ao Republicanos.

Clodovil
Para quem não sabe, além de estilista talentoso, Clodovil era também um intérprete de qualidade. Ele começou a cantar na década de 1970, em boates. Desde então, deu voz a canções estrangeiras em vários espetáculos, como “Gracias a La Vida”, de Violeta Parra, e “Ne Me Quitte Pass”, de Jacques Brel. Em 2006, entrou para a política ao se eleger deputado federal pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), com a terceira maior votação em São Paulo. Como de praxe, provocou polêmicas. Homossexual, foi contra a Parada do Orgulho Gay e ofendeu mulheres no plenário. Morreu em 2009, sem concluir o mandato.

Netinho de Paula
Líder do grupo de pagode Negritude Júnior, o cantor Netinho de Paula se elegeu pela primeira vez em 2008, como vereador da cidade de São Paulo pelo PCdoB. Em 2010, saiu candidato a senador e por pouco não acabou vencedor na disputa com Marta Suplicy. Em 2012, pretendia se candidatar a prefeito de São Paulo, mas a denúncia de agressão à ex-mulher o tirou da disputa. Eleito, Fernando Haddad, do PT, o nomeou a Secretário de Promoção da Igualdade Racial. Depois de passar por PDT, PHS, PRB, o cantor atualmente é filiado ao Podemos.

Leci Brandão
Primeira cantora de destaque da música brasileira a se declarar homossexual publicamente, numa entrevista, em 1978, para o jornal “Lampião da Esquina”, dedicado ao público LGBTQI, a sambista Leci Brandão filiou-se ao PCdoB (Partido Comunista do Brasil) em 2010 e se elegeu deputada estadual por São Paulo, com mais de 85 mil votos. Em 2014, foi novamente eleita, assim como em 2018, para o cargo que ocupa ainda hoje pelo mesmo partido. Leci fez história ao se tornar a segunda deputada negra da história da Assembleia de São Paulo.

Tiririca
O humorista Francisco Everardo Silva, mais conhecido como Tiririca, também usou a música como palanque, ao gravar sucessos como “Florentina” e “Eu Sou Chifrudo”. Em 2010, o cearense de Itapipoca tornou-se o deputado federal mais votado do Brasil, pela cidade de São Paulo, ao encampar um slogan zombeteiro que entrou para a história: “Vote no Tiririca! Pior que tá, não fica”. Desde então, ele é filiado ao PL, partido pelo qual se reelegeu em 2014 e 2018. Em 2016, Tiririca votou favoravelmente ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Ana de Hollanda
Irmã de Chico Buarque, a cantora e compositora Ana de Hollanda é parceira de Jards Macalé em canções delicadas como “Balada” e “Canção para Aninha”. Em 1980, ela lançou o seu primeiro LP, a que se seguiram “Tão Simples” (1994), “Um Filme” (2001), relançado em 2019, e “Só Na Canção” (2009). Do irmão ilustre, gravou “Lua Cheia”, parceria com Toquinho, para um songbook de 1997. Também atuou como vocalista em discos de Tom Jobim, Miúcha e Fafá de Belém. Em 2011, Ana de Hollanda foi nomeada a Ministra da Cultura de Dilma.

Sérgio Reis
Um dos cantores sertanejos de maior sucesso da música brasileira, o paulista Sérgio Reis começou a atuação política próximo ao ex-presidente Lula e cantou na posse da presidenta Dilma Rousseff. Posteriormente, tornou-se crítico ao Partido dos Trabalhadores (PT). Em 2010, filiado ao PR, chegou a lançar-se a deputado federal por Minas Gerais, mas desistiu da candidatura. Quatro anos depois, foi eleito deputado federal por São Paulo, filiado ao Republicanos, onde permanece. Votou a favor do impeachment de Dilma e da eleição de Bolsonaro.

Foto: Câmara dos Deputados/Reprodução.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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