Teatro: Tennessee Williams

“Uma linha pode ser direita ou uma rua. Mas o coração de um ser humano?” Tennessee Williams

Dramaturgo norte-americano

Preencher uma página em branco como um quarto empesteado de algemas de vidro. Um menino solitário trancafiado emite o próprio ego em mugidos de desespero e rancor. Ambos sãos, sentimentos negros, pintados com o nanquim pegajoso e grudento de dias posteriores.

Papai não aceita a homossexualidade do filho, sem sequer suspeitar dos beijos e lânguidos desejos aspirados qual cocaína nas noites macias de colchão branco e revistas masculinas por sob o pijama listrado.

Refiro-me à grande luta do homem com tua essência de menino, de criança, nunca abandonada, insistentemente vindo repousar o ombro, as lágrimas, enxugadas durante a infância, nunca realmente aplainadas. Flutuam como algodões no campo amarelo e vasto de Van Gogh.

Corta a orelha, um membro que seja, uma irmã incapacitada para toda a vida devido à lobotomia mal realizada e terás um ser humano. Sem um tormento que haja, harpa, sonífera combinação de remédios, não existe pessoa gente intransigente, animal dormente câimbra, completo.

Porque a vida não basta existe a arte. Mil vezes já li essa frase. Veio-me por Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, tantos os anjos e demônios e é difícil agarrar-se à uma só asa, um só chifre, um só rabo rabino saia, e de repente estou mais pra Allen Ginsberg qualquer a Truman Capote e a elegância das palavras.

Nome escolhido por dias felizes, tão poucos. Tennessee Wiliams, vi-o em uma rua chamada pecado, vinha num bonde chamado desejo. Chateações e obrigações do pai, da mãe, do avô, da irmã, da família, fizeram daquele ser atarracado, bigode aparado, um debruçar de olhos baixos caídos, silentes, sobre o asfalto concreto áspero cinza carvalho da cansada luta rotina diária.

Lambia como um cão para as paredes, trancava o passo a cada carro que se estabelecia frente à frente, era, agora, bode expiatório, espiando dores, uma gente em frangalhos. Tudo posto com glamour, fineza, qualidade, característica e critério, acima do palco, dos narizes empinados cheios de talco, para aplaudir a estréia porque a mão do lado puxou o rumo da conversa.

Conserva a garganta que te sufocou, Tennessee Williams, com uma tampa, uma refeição mal distribuída de barbitúricos e bebida alcoólica, sopros de vaia e glória, mulheres histéricas à beira do abismo, homens viris a cintilar libidos ardis, pois tua agonia segue. Gritando em meu ouvido.

“Não quero realismo. Quero mágica. Sim, mágica. Tento dar isso às pessoas. Sei que deturpo as coisas! Digo o que deveria ser verdade. Se isso é pecado, castigue-me!” Tennessee Williams

Tennessee Williams

Raphael Vidigal

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4 Comentários

  • Genial, a cada passo que você dá, tenho a certeza que jamais vai precisar olhar para trás. Grande texto, imenso blog!

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  • Conserva a garganta que te sufocou, Tennessee Williams, com uma tampa, uma refeição mal distribuída de barbitúricos e bebida alcoólica, sopros de vaia e glória, mulheres histéricas à beira do abismo, homens viris a cintilar libidos ardis, pois tua agonia segue. Gritando em meu ouvido.

    “Não quero realismo. Quero mágica. Sim, mágica. Tento dar isso às pessoas. Sei que deturpo as coisas! Digo o que deveria ser verdade. Se isso é pecado, castigue-me!” Tennessee Williams

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  • Texto magnífico!!!
    Parabéns, Raphael! Vc está se superando…
    Beijos.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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