Jorge Goulart (Cantores brasileiros)

cantor brasileiro

Bastava uma olhada, um único contato visual para se levantar suspeitas sobre o que aquele homem forte, grande, robusto, era capaz. Mesmo os mais precavidos haveriam de tomar um susto, quando ele enchia o pulmão de ar e se preparava para o gesto.

Gesto, simples, bonito, pequeno, mas que naquele ser imenso se transformava num verdadeiro rojão de festa: com brilhos explodindo no céu e azulando a nuvem branca e o sol poente. Marchas carnavalescas, versões de sucessos norte-americanos (até Charles Chaplin cantou), sambas enredo, canções, exclusivamentesambas, tudo era motivo para seu palavreado bem distribuído colocar-se à serviço da música.

“Laura,
Um sorriso de criança
Laura,
Nos cabelos uma flor
Ô Laura,
Como é linda a vida!
Ô Laura,
Como é grande o amor!”

‘Cabeleira do Zezé’ provocou euforia. ‘Laura’ gerou comoção. ‘Exaltação a Tiradentes’ surrupiou o fôlego de muitos foliões. Pioneiro a gravar a letra de ‘Luzes da Ribalta’ no mundo todo, conquistou o coração de uma sedutora moça, também cantora. Com semblante de esfinge e alma angelical, Nora Ney e Jorge Goulart acompanharam-se na vida adulta, musical e nas convicções ideológicas, quando o comunismo em ebulição ainda parecia ter graça.

Mas uma rasteira do destino, invejoso da potência e retidão que tal ser imponente e viril despertava nas pessoas, apaziguo-lhe a fúria do canto. Permaneceu longos anos mantendo a força que elevou às alturas os tons e as notas de uma tradição. Nunca se calou. Apesar das dificuldades, seguiu passando seu recado. Aquele imenso homem, até calado, com pouca voz, quase nada, era todo um oceano musical. Bastava uma olhada, um único contato visual que se detivesse além do esperado, para ser ter idéia do que era capaz.

Jorge Goulart

Raphael Vidigal

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3 Comentários

  • Que descanse em paz!
    Os que gostam de carnaval, sobretudo os que cantam as marchas nos blocos e salões até hoje se ressentem da perda desse grande cantor.

    Resposta
  • Eu tinha o Jorge como se fosse meu avô. A última aparição dele na TV foi no meu programa do Canal Brasil. Muita gente pensava que ele já tinha morrido porque desde 1984 ele não podia falar direito devido ao câncer na garganta. Mas eu peitei e disse que ele precisava estar no programa, então ele apareceu com legendas.

    Resposta

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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