Centenários 2016: Emeric Marcier aliou barroco mineiro ao expressionismo europeu

“O Deus de que vos falo/ Não é um Deus de afagos.
É mudo. Está só. E sabe/Da grandeza do homem
(Da vileza também) /E no tempo contempla
O ser que assim se fez./ (…) E podereis amá-Lo
Se eu vos disser serena/Sem cuidados,
Que a comoção divina/Contemplando se faz?” Hilda Hilst

emeric-marcier

Embora tenha pintado nus e auto-retratos o grande reconhecimento à obra do romeno Emeric Marcier aconteceu quando ele começou a elaborar, em seus trabalhos, a paisagem mineira das cidades históricas, em especial Ouro Preto, Mariana e Barbacena, tendo esta última como residência em boa parte da vida, e aliou a elas a influência do expressionismo europeu que trazia de sua origem. Logo, Marcier, que fugiu da Segunda Guerra Mundial para Lisboa e depois aportou no Brasil, sendo recebido no Rio de Janeiro por nomes do Modernismo como Mário de Andrade e Jorge de Lima, construiu obra incomum, única, em que se conjuga a temática religiosa a formas e cores preponderantemente emocionais, para além da objetivação descritiva. Foi de Giotto a Pablo Picasso.

Dessas referências, a princípio díspares, retirou o necessário para que aludisse à condição humana de forma um tanto clássica e moderna. Clássica no concernente às retaliações impostas, sobretudo na vida de quem presenciou e sobreviveu a massacres, no compadecimento a na tortura tanto moral quanto física e a imagem da resignação como motivo de glória, centradas na figura do Cristo e das religiões. Mas foi moderno na maneira impositiva, inventiva e, até certo ponto, alegórica, com que transmitiu esses desastres, através da arte que lhe expurgava as dores e oferecia a possibilidade de uma transcendência, não apenas nas cores, na maneira carregada de utilizar as paletas, e sim, acima de tudo, no sentimento que delas era capaz de emitir. Pois ao entregá-las suas sensações, Emeric dava e recebia do mundo sua absolvição.

pintura-emeric

Raphael Vidigal

Pinturas: “Cena Bíblica”; e “Anjo do Evangelho”, de Emeric Marcier, respectivamente.

Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on linkedin
LinkedIn
Share on email
Email

Comentários pelo Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recebas as notícias da Esquina Musical direto no e-mail.

Preencha seu e-mail:

Publicidade

Quem sou eu


Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

Categorias

Já Curtiu ?

Siga no Instagram

Amor de morte entre duas vidas

Publicidade

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com