Teatro: Rádio Nacional

Boas atuações e direção musical sublimam essência do espetáculo

Teatro brasileiro

Simples como um cisne nada n’água. Direto como uma flecha voa do arco. Com ótima atuação dos atores e boa história de fundo interligando os números principais, ‘Rádio Nacional’ prende a atenção do espectador quase integralmente.

Com direção dividia entre artística, musical e de vídeo por Fábio Pilar, Helvius Vilela e Vicente Maués respectivamente, e supervisão geral de Bibi Ferreira, o espetáculo aposta as fichas do Cassino da Urca nas excelentes músicas da época e no humor temporal (e ganha).

Torrentes de personagens interpretados e caracterizados cada um á sua maneira própria, saborosamente recheada por maneirismos e tiques levados nervosos, conduzem ao destaque nomes esquecidos (ás vezes até relegados ao ostracismo) como Nora Ney, Jorge Goulart (recém falecido), Cauby Peixoto, Ângela Maria, Isaurinha Garcia, Trio Madrigal, as irmãs Linda e Dircinha Batista, Nelson Gonçalves, o mineiro Ivon Cury, Dalva de Oliveira, Luiz Gonzaga (completa centenário este ano) e tantos outros.

A travessia é o mais importante, já salientava Guimarães Rosa, e os responsáveis por darem vida e trejeito a esses adoráveis cantores que garantiram momentos de paz e alegria aos lares brasileiros nas décadas de 30, 40 e meados dos anos 50, são atores preparadíssimos. Os bons Thiago Pach, Eduarda Fadini, Betto Serrador, Márciah Luna Cabral, Adriana Quadros e os incríveis Édio Nunes, Cacau Gondomar e Wagner Santisteban.

Coreografados por Sueli Costa, revezam as cenas com o casal mais a vizinha postos aparentemente fora daquele universo espetacular, Cláudia Vigonne, Rogério Freitas e Sheila Matos, que usando o certeiro texto de Fátima Valença seguram a peteca quando o musical opta por sons da fala.

Há de se acentuar o belo roteiro musical alinhavado por João Máximo, a iluminação correta de Paulo César Medeiros, o escandaloso figurino composto por Marcelo Marques e a esperta saída encontrada para o cenário pelo mesmo, além da preparação vocal e de coro da também atriz envolvida na peça Márciah Luna Cabral.

O único ponto a soar cansativo é o da arrastada rádio-novela. No entanto, quando se está indo para casa depois de uma noite regada a música, lembranças de época outra vistas somente por rádio e internet, permanece a abertura bem planejada com inserções de fotos em meio à aparição dos atores cantando em coral, a hilária cena de Cauby Peixoto, as tiradas pontuais da briga marido e mulher a revelar o olhar do passado ainda a transfigurar-se refletido, as igualmente engraçadas propagandas de produtos (a imitação da Coca-Cola com a mulher levantando a perna como se fosse uma cadela é impagável), e a perfeição do sotaque de cada cantor relembrado, e porque não dizer, restaurado.

Bibi Ferreira

Raphael Vidigal

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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