*por Raphael Vidigal Aroeira
“Arrancando do coração
– Arrancando pela raiz –
Este anseio infinito e vão
De possuir o que me possui.” Manuel Bandeira
Não é nenhum exagero dizer que Silvio Caldas é o maior seresteiro que o Brasil já teve. Dono de uma interpretação preciosa e de grande voz, que usava para esmerilhar a beleza de cada palavra da melodia, o Caboclinho Querido foi um dos cantores mais requisitados pelos maiores compositores de sua época, a exemplo de Ary Barroso e do poeta Orestes Barbosa, de quem, mesmo a contragosto, musicou inúmeros poemas, sendo o mais famoso deles: “Chão de Estrelas”. A história dessa música começa em 1935, quando Silvio visitou o poeta Guilherme de Almeida e lhe mostrou os versos, até aquele momento intitulados “A Sonoridade que Acabou”.
Ao final da apresentação, impressionado com as imagens das “estrelas no chão”, Guilherme sugeriu novo nome. E ali eram escritos e ensaiados um dos mais belos passos da música brasileira, agora com o título de “Chão de Estrelas”. Anos depois, em uma crônica publicada em 1956, o poeta Manuel Bandeira definiu com precisão toda a força daquela poesia: Se se fizesse aqui um concurso para apurar qual o verso mais bonito de nossa língua, talvez eu votasse naquele de Orestes: “tu pisavas nos astros distraída…”. Versos esses imortalizados na voz sofisticada e galanteadora de Silvio Caldas, sempre ouvida, mesmo que dentro d’almas, nas melhores serestas do país.
“Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões”
Silvio sempre foi, na verdade, um seresteiro por excelência, e a vontade de cantar veio aos 5 anos de idade, ao desfilar carregado nos ombros dos remadores do Clube de Regatas São Cristóvão, participando do bloco carnavalesco “Família Ideal”, onde já era conhecido como “Rouxinol”. O menino, que mesmo contra a vontade do pai crescera cantando, em breve trocaria os ombros dos remadores pelos braços do público, e as ruas do bloco pelas janelas das amadas.
Em 1927, numa dessas serestas que realizava, foi ouvido pelo cantor de tangos Antônio Gomes, conhecido como Milonguita, que o levou para a Rádio Mayrink Veiga. Dois anos depois, assinou contrato com a Rádio Sociedade, e em 1930, durante gravação do samba “Ioiô deste ano”, inventou o breque “Eba!”, que chegou aos ouvidos e conquistou ninguém menos do que Ary Barroso, que o levou imediatamente para a revista musical “Brasil do amor”, apresentada no Teatro Recreio. Lá, Silviou Caldas lançou seu primeiro sucesso, dado a ele justamente por Ary, o samba “Faceira”.
“Foi num samba
De gente bamba
Oi gente bamba,
Que eu te conheci faceira
Fazendo visagem
Passando rasteira”
Após o primeiro sucesso, muitos outros vieram, e Silvio Caldas foi mestre em transformar em clássicos várias músicas do nosso cancioneiro, como o samba-canção “Maria”, de Ary Barroso e Luiz Peixoto, a valsa “Deusa da minha rua”, de Newton Teixeira e Jorge Faraj, mais tarde regravada por Nelson Gonçalves, a marcha “Pastorinhas”, de Noel Rosa e Braguinha, entre inúmeras outras.
Além disso, venceu diversos concursos de carnaval e lançou o emblemático samba “Lenço no Pescoço”, iniciador da polêmica musical entre Wilson Batista e Noel Rosa. Para completar, cantou ao lado de Carmen Miranda e viajou à Argentina com a companhia de revistas de Jardel Jércolis. Em sua longa trajetória artística, Silvio também atuou em filmes e foi eleito em 1938 “Cidadão Samba”. A verdade é que àquela altura ele já tinha cancha de sobra para ser eleito “Cidadão Samba”, “Cidadão Valsa”, “Cidadão Marcha”, mas era acima de tudo, “Cidadão Música”.
“Dorme, deixa os meus cantos delirantes
Dorme, que eu olho o céu a contemplar
A lua que procura diamantes
Para o teu lindo sonho ornamentar”
Ao longo de seus 89 anos de vida, o pequeno caboclo nascido no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, no dia 23 de maio, cresceu e foi cantar ao lado de nomes como Ciro Monteiro, Orlando Silva, Pedro Vargas e Elizeth Cardoso. Cresceu e sonhou com o ensino obrigatório de música popular nas faculdades brasileiras. Cresceu e se tornou grande parceiro de Orestes Barbosa. Em 1992, por proposta de Jorge Amado, recebeu a Medalha de Machado de Assis, concedida por unanimidade pela Academia Brasileira de Letras. Seus últimos 40 anos foram vividos em um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, de onde partiu “levando saudades, saudades deixando”, no dia 3 de fevereiro de 1998.
“Hei de guardar tua imagem com a graça de Deus
Oh minha serra eis a hora do adeus vou me embora
Deixo a luz do olhar no teu luar
Adeus”
O bigode, o violão, a atitude romântica. Quando Silvio Caldas canta parece estar entre amigos, e de fato está. Sempre disposto a reconquistar a mulher amada, chorar as mágoas, fazer declarações do amor que não tem mais volta. Sob uma janela e um luar, com o auxílio apenas de sua voz e seu violão, o Caboclinho Querido caminha sobre um chão de estrelas, vestido de dourado em um palco iluminado, eternamente seresteiro das perdidas ilusões.
“Noite alta, céu risonho
A quietude é quase um sonho
O luar cai sobre a mata
Qual uma chuva de prata
De raríssimo esplendor”
“Faceira” (samba, 1931) – Ary Barroso
O menino Ary Evangelista Barroso se viu órfão aos sete anos, e foi morar com a avó Gabriela e a tia Ritinha. Começava ali, o “turbilhão de sua vida”, em suas próprias palavras. A tia foi quem lhe ensinou a tocar piano. Com dois pires colocados sobre as mãos, aprendeu a equilibrar as notas para fugir dos castigos. O talento perene o levou a acompanhar a professora em sessões do cinema mudo, fazendo o fundo musical de comédias e dramas.
Tinha então doze anos, e levaria consigo as lições aprendidas para o Rio de Janeiro, onde rumara para cursar Direito. Em 1922, reprovado pela advocacia, foi aprovado pela música. De pianista do cinema Íris passou a ser integrante de orquestras. Após algumas composições sem muito alarde, com exceção de “Vamos Deixar de Intimidade”, gravada pelo colega de curso Mário Reis, ganhou o primeiro lugar do concurso de carnaval promovido pela Casa Edison, em 1930, com a música “Dá Nela”.
Um ano depois, seu primeiro grande sucesso: “Faceira”, samba esperto que segue o requebrado da mulher da história. Gravada pelo iniciante Sílvio Caldas, que inventou o breque da música, o cantor teve que repeti-la oito vezes durante a apresentação no Teatro Recreio, refém da empolgação da plateia.
“No Rancho Fundo” (samba-canção, 1931) – Ary Barroso e Lamartine Babo
Luiz Peixoto, Noel Rosa e Vinicius de Moraes foram alguns dos que tiveram o privilégio de compor com Ary Barroso. Acostumado a criar letra e música sozinho, ele abria raras exceções para parcerias. Numa dessas, Lamartine Babo resolveu se intrometer a mexer na letra de J. Carlos, sobre música de Ary. “Na Grota Funda” perdeu o título original e recebeu versos mais inspirados: “No Rancho Fundo, bem pra lá do fim do mundo, onde a dor e a saudade, contam coisas da cidade”. A canção gravada por Elisa Coelho, em 1931, passou a se associar indistintamente a lembranças de um lugar tranquilo e sereno que o tempo se encarregou de varrer. Nos anos seguintes foi regravada por Sílvio Caldas e Isaura Garcia. Como resultado, Ary Barroso ganhou o desafeto de J. Carlos e presenteou a música brasileira com uma parceria consagrada.
“Maria” (samba-canção, 1932) – Ary Barroso e Luiz Peixoto
A mulher de toda a vida de Ary Barroso foi Ivone Belfort. Conheceram-se quando ela tinha 13 anos, numa das pensões em que o pianista iniciante se hospedava no Rio de Janeiro. Puderam se casar em 1930, com o dinheiro do prêmio ganho pelo compositor. Com ela, Ary teve seus dois filhos, Mariúza e Flávio Rubens. “Maria”, talvez a música mais romântica de Ary Barroso, provavelmente tenha recebido esse nome para servir de fundo a vários casais apaixonados. O nome que principiava na mão de Ary Barroso era Ivone. A música foi lançada por Sílvio Caldas, dois anos após o casamento.
“Pierrot” (valsa, 1932) – Joubert de Carvalho e Paschoal Carlos Magno
Conta Joubert de Carvalho que ele estava passeando na rua quando o dramaturgo Paschoal Carlos Magno o interpelou com entusiasmo raro: o pedido era para que fizesse uma canção para sua peça de teatro, intitulada ‘Pierrot’. O ano era 1932 e já haviam arrumado até o cantor para interpretar o motivo a ser composto, e era Jorge Fernandes, possuidor de voz fina e melodiosa. Logo Joubert escutou de sua ‘voz interna’ as notas que viriam a formar o gesto final, o último ato da valsa. Gravada posteriormente por Sílvio Caldas, Vicente Celestino e Francisco Petrônio com acompanhamento de Dilermando Reis, entre outros.
“Lenço no Pescoço” (samba, 1933) – Wilson Batista
Embora tenha ficado com a vilania na disputa, por posteriores respostas menos inspiradas, Wilson Batista foi primeiramente provocado por Noel Rosa, que questionou a pose de malandro do garoto de Campos instalado no Rio de Janeiro. “Lenço no Pescoço”, composto em 1933, exibe o modo de vida que Wilson acalentava para si. Além disso, denuncia a dificuldade do trabalhador honesto para se sustentar, como justificativa de sua posição ‘à la malandragem’. Por fim, há a menção à forma como eram vistos os compositores populares na época, através da frase: “eu sou vadio porque tive inclinação, no meu tempo de criança tirava samba-canção”. A música foi lançada por Sílvio Caldas, com sua peculiar bossa. Dois anos depois, Wilson e Noel Rosa compuseram juntos, o samba “Deixa de ser convencida”, que permaneceu inédita até o registro de Cristina Buarque, em 2000.
“Meu Limão, Meu Limoeiro” (samba-sertanejo, 1937) – tema popular
Mistérios rondam a origem de “Meu Limão, Meu Limoeiro”, como é da natureza dos temas populares. Mas é impossível negar seu sucesso através do tempo. Aproveitada pelo pernambucano José Carlos Burle, essa canção folclórica alcançou sucesso radiofônico pela primeira vez em 1937, com as vozes seresteiras de Jorge Fernandes e Sílvio Caldas, o “Caboclinho Querido”.
Na ocasião, aparecia a indicação “folclore recolhido na Bahia por Cardoso de Menezes e Francisco Pereira” no selo do disco, mas há indícios de que a música já era conhecida na Europa, em países como Alemanha e Holanda. Existe a teoria de que os holandeses a teriam trazido para o Nordeste brasileiro. Decorridas duas décadas, Inezita Barroso a resgatou com êxito parecido, em 1957, e a colocou, definitivamente, em seu repertório. Mas foi a gravação de Wilson Simonal, em 1966, por sugestão do jornalista Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, que a alçou ao posto de clássico.
“A Menina Presidência” (marchinha, 1937) – Nássara e Cristóvão Alencar
Em 1937, não se aventava a possibilidade de uma mulher governar o Brasil, ainda assim o gênero feminino se via presente na marchinha composta por Nássara e Cristóvão Alencar, lançada por Silvio Caldas na companhia da Orquestra Odeon. O título “A Menina Presidência”, era referência à disputa entre três homens ao cargo: Armando Salles de Oliveira, chamado de “seu Manduca” na letra, Oswaldo Aranha, tratado por “seu Vavá”, e Getúlio Vargas, o vencedor, na ocasião, referido como “seu Gegê”, que desejavam essa vitória como a uma mulher. A marchinha tornou-se vencedora de um concurso promovido pelo jornal “A Noite”, intitulado “Quem Será o Homem?”.
“Pastorinhas” (marcha, 1938) – Noel Rosa e Braguinha
“Linda Pequena”, a primeira versão da histórica “As Pastorinhas”, mais exitosa parceria de Noel e Braguinha, o João de Barro, foi lançada, e com sucesso, por João Petra de Barros, sendo bisada no rádio por cerca de dois anos até a definitiva versão, lançada por Sílvio Caldas um ano após a morte de Noel Rosa. Fato este que prenunciou a derrocada da carreira e vida de João Petra. Que em pouco tempo perdeu, para a mesma doença, a tuberculose, dois amigos do samba, Noel e Nílton Bastos. Mas a marcha de Noel e Braguinha venceu o tempo, superando cem regravações, por Cauby Peixoto, Alceu Valença, e etc.
“Aquarela do Brasil” (samba-exaltação, 1939) – Ary Barroso
Lançada por Araci Cortes no teatro de revista, em junho de 1939, a música só se destacou um mês depois, quando voltou a ser apresentada, desta vez pelo barítono Cândido Botelho, no espetáculo “Joujoux e Balangandãs”. A primeira gravação em disco foi feita pelo cantor Francisco Alves, acompanhado por uma orquestra que executava o arranjo de Radamés Gnattali. Daí por diante, nomes como Sílvio Caldas, Carmen Miranda, Tom Jobim, Gal Costa, João Gilberto, Caetano Veloso, Bing Crosby e Frank Sinatra a regravaram. Durante a ditadura militar, Elis Regina interpretou a versão mais sombria da canção, acompanhada por um coral que reproduzia os cantos dos povos indígenas do Brasil.
“Florisbela” (marcha de carnaval, 1939) – Nássara e Frazão
A favorita para levar o concurso de carnaval do Rio de Janeiro em 1939 era “A Jardineira”, de Benedito Lacerda e Humberto Porto e lançada por Orlando Silva. Mas a vencedora foi “Florisbela”, de Nássara e Frazão, na voz do seresteiro SÍlvio Caldas. No mesmo ano, as duas músicas foram citadas na obra-prima de Ary Barroso “Camisa Amarela”, que também trazia em sua letra o tema carnavalesco. Apesar disso, Nássara reclamava que a composição sobre as paqueras de um casal fosse pouco regravada.
“Mulher” (fox-canção, 1940) – Custódio Mesquita e Sadi Cabral
Há, exatamente, 97 registros de gravações da música “Mulher”, uma parceria de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, portanto, quase uma centena. A primeira aconteceu em 1940, com Silvio Caldas, e arranjo a cargo do próprio Custódio Mesquita, que também era maestro, considerado sofisticado para sua época. A contribuição de Sadi Cabral, prioritariamente um homem das artes cênicas, foi com a letra. E ela se adaptou perfeitamente à dolência da melodia, um fox-canção irresistível: “Não sei/ Que intensa magia/ Teu corpo irradia/ Que me deixa louco assim/ Mulher…”. Entre os muitos que a regravaram estão Orlando Silva, Cauby Peixoto, Ney Matogrosso, Nelson Gonçalves e Emílio Santiago.
“Pião” (seresta, 1941) – Custódio Mesquita e Sadi Cabral
Custódio Mesquita e Sadi Cabral estreitaram laços quando escreveram, juntos, a opereta “A Bandeirante”, que estreou no Teatro São Pedro, em Porto Alegre, no ano de 1938. A ela, seguiram-se parcerias de sucesso popular e radiofônico com as músicas “Mulher” e “Velho Realejo”, lançadas por Silvio Caldas. Já em 1941, a dupla lançou a seresta “Pião”, novamente com Silvio Caldas. A música mereceu regravações de Orlando Silva, Carlos Galhardo e Roberto Silva, que, antes de virar o “Príncipe do Samba”, gravou o LP “Eu… O Luar e a Serenata”.
“Meus Vinte Anos” (samba, 1942) – Wilson Batista e Sílvio Caldas
O samba “Meus Vinte Anos” revela a amargura que a nostalgia pode abarcar. Composto em 1942, em parceria com Sílvio Caldas, que o lançou, Wilson Batista se vale da rejeição das mulheres para constatar o triste passar do tempo. A isso, se assemelham valores medíocres, artificiais, propagados pela cultura do consumo estético. Sem notar que o tempo, grande juiz da vida, exulta o que lhe é preservado, e se vai com o resto. “Ai eu daria tudo, para poder voltar aos meus vinte anos”, entoam versos tristes.
“Minha Casa” (valsa, 1946) – Joubert de Carvalho
Joubert de Carvalho queixava-se que no final da vida suas canções haviam perdido espaço e não mais dedicavam a devida atenção ao seu trabalho. Inscreveu algumas músicas em festivais, mas poucas passaram pelo crivo dos avaliadores, ao que ele debochava executando as peças: “essa belezinha aqui ficou de fora ó, tadinha dela, tão pobrezinha…”. No entanto no ano de 1946 ele ainda era sucesso tanto de crítica quanto de público. Inspirada no desabafo de um milionário que reclamava por ter tudo em dinheiro e nada em carinho e proteção, Joubert de Carvalho compôs “Minha Casa”, êxito imediato na gravação de Sílvio Caldas, bisado com a mesma intensidade anos posteriores por intermédio de Agnaldo Timóteo. Na casa de Joubert de Carvalho, abundava talento e sensibilidade.
“Anda Luzia” (marcha, 1947) – Braguinha
Não é preciso tocar um instrumento para ser um grande músico. Que o diga o carioquíssimo Lamartine Babo, de quem, sobre sua relação com a festa mais popular do país, Braguinha disse: “existe o carnaval antes e depois de Lamartine”. Já em 1934, Lamartine comprovava a tese ao compor a marchinha “Rasguei a Minha Fantasia”, com o palhaço como personagem principal. Braguinha, a seu modo, também tocou nesse tema, com a melancólica “Anda Luzia”, marcha lançada em 1947, por Sílvio Caldas, e regravada com primor pela cantora Maria Bethânia. “Apronta a tua fantasia/ Alegra o teu olhar profundo/ A vida dura só um dia, Luzia/ E não se leva nada desse mundo”, diz.
“Chuvas de Verão” (samba-canção, 1949) – Fernando Lobo
Lançada em 1949, por Francisco Alves, cantor que ficou conhecido como o Rei da Voz durante a Era de Ouro do Rádio, “Chuvas de Verão” é um samba-canção de Fernando Lobo que fala sobre um amor passageiro, inebriante como as chuvas de verão. A música foi regravada por Orlando Silva, Sílvio Caldas, Nelson Gonçalves, Noite Ilustrada e Elza Soares, confirmando a sua beleza, mas ganhou a sua versão definitiva em 1969, com a voz de Caetano Veloso.
“O Circo Chegou” (marcha, 1949) – Braguinha, Alberto Ribeiro e Antônio Almeida
Criadores das clássicas “Balancê”, “Chiquita Bacana”, “Copacabana”, “Fim de Semana em Paquetá”, “Noites de Junho”, “Yes, Nós Temos Bananas” e outras, Braguinha e Alberto Ribeiro acolheram Antônio Almeida para compor “O Circo Chegou”, uma marcha de 1949, lançada pela voz de Sílvio Caldas com o acompanhamento luxuoso da Orquestra Tabajara de Severino Araújo. Sílvio já era, então, um cantor reconhecido por seus dotes vocais, e ficou conhecido como o “Caboclinho Querido” e o “Rei da Seresta”. Apesar de “O Circo Chegou” não ter passado à posteridade com a mesma força das demais, Sílvio não decepciona e manda brasa: “Tem leão que não quer nada/ E foge do domador…”.
“Viva Meu Samba” (samba, 1958) – Billy Blanco
“Viva Meu Samba”, lançado em 1958 por Sílvio Caldas, transformou-se no que se pode chamar de hino do gênero. Com acompanhamento do maestro Radamés Gnattali, o próprio autor, Billy Blanco, regravaria a música posteriormente. Entre as diversas regravações destacam-se também as de Jair Rodrigues, Dolores Duran e Roberto Ribeiro. A música trata em seus versos de exaltar o ritmo através dos seus instrumentos, com sua ode a violões, tamborins, pandeiros e reco-recos que foram capazes, através do tempo, de eleger o samba como a mais genuína forma de expressão do povo brasileiro, assim como suas origens e esperanças: “Viva meu samba verdadeiro/ Porque tem teleco-teco…”.
“Pistom de Gafieira” (samba de gafieira, 1959) – Billy Blanco
Em 1959, fechando a década de 50, após um sem número de sucessos que começaram em 1953, Billy Blanco recebeu o convite para gravar os seus próprios sambas, na respeitadíssima gravadora Elenco, com arranjos de Oscar Castro Neves. Era o coroamento da carreira do compositor que se revelaria, a partir daí, também como cantor. Neste mesmo ano Billy lançou, pela voz de Silvio Caldas, uma música que certamente está entre as mais regravadas. “Pistom de Gafieira” recebeu durante os anos as vozes de Jorge Veiga, Moreira da Silva, Zeca Pagodinho, Toquinho, Marcelo D2, Jards Macalé, e vários outros que representam os mais variados estilos e gêneros da música brasileira. O que vem a reforçar o fato de que Billy, paraense de conjunto arquitetônico erigido no Rio de Janeiro, com vivas a São Paulo e cantado no Brasil inteiro é a cara de qualquer terreiro. “Na gafieira segue o baile calmamente/Com muita gente dando volta no salão…”.
Lido na rádio Itatiaia por Acir Antão em 23/05/2010.
23 Comentários
Esse é um dos grandes , que aprendi a gostar desse grande mestre !Chão de Estrelas era tudo que ouvia com meu querido pai ! Ele cantava e encantava ! Saudades
Salve um dos nossos grande músico ! Que deixou muitas coisas boas ! Vamos procurar conhecer melhor ! É muito bom ! Que de lå de cima , nos ajuda a achar outros iguais ! será ? Impossível
eu tenho lp dele e outros
Muito bom! !!!! Grande Silvio Caldas. Parabéns.
Grande texto, Raphael, parabéns!
Eu gostava muito do Silvio Caldas.
Maravilhoso! 😉
Compartilhando mais um artigo do amigo Raphael Vidigal, agora sobre o grande cantor e aniversariante Sílvio caldas.
Imagine vc criança acordar com Silvio Caldas cantando Chão de Estrelas na cozinha da sua casa!!!EU! Papai contratava para show no Alecrim Clube e as 2 da madrugada qdo terminava o show eles vinham jantar na imensa cozinha da nossa casa. Comida feita pela minha avó Leopoldina pq na cidade na existia restaurantes. Outro que me marco foi : Tornei-me um ebrio…Vicente Celestino.Esse foi um baita susto!!
Foi. O. Maior. Seresteiro. Do. BRASIL. . Que. Voz.
Vale que vale a pena!…
“… e tu pisava nos astros distraída/ sem saber que a ventura dessa vida/ é a cabrocha, o luar e o violão.” (com Orestes Barbosa). Segundo Manuel Bandeira, esse era o verso mais lindo da lingua portuguesa. E não dá pra discordar, né…
Olá Raphael Vidigal
Explendido seu trabalho.
Ainda não vi nem ouvi todos
mas é o que precisamos na atualidade
Minha geração agradece. Lindo…Lindo. abs
Não existe outro igual.
Legal! Parabéns !
nossa,meu pai gostava demas
UM GRANDE CANTOR COM UMA LINDA VOZ. . INESQUECIVEL PARA A MINHA GERAÇÃO
Conhecia algumas músicas, não a a sua história, obrigada por mais este pedacinho de cultura.
Show!!
Vc é um magnifico escritor!Bjs
adoro! um dos maiores intérpretes do Brasil…. obrigada
um abraço pra você!
Super curti!
Possuo dois discos aula,do professor Silvio Caldas
Li sua publicação sobre Sílvio Caldas
Parabéns
Muito bem feita
Bem abrangente e clara
Abração!!!