Show: Humberto Junqueira

Em dia de festa violonista executa com esmero o repertório de Garoto

interpreta Garoto

Na noite de segunda-feira, no Conservatório da UFMG, rebola-se um misto de surpresa e surpreendido, inspiração e improviso, conformação e euforia. Explica-se: marca o fim dos trabalhos no mês. Mas é pouco o tempo de espera no calendário, somente uma semana de ausência, sentida firmemente em decorrência da qualidade dos que ali se apresentam, e legam saudade.

Humberto Junqueira não foi diferente dos outros que o antecederam nessa edição, ele inclusive, em escala formada de grupo (o descontraído ‘Quem Não Chora Não Mama’, que pegou para si no colo Jacob do Bandolim). Coube ao intérprete solo de violão de 7 cordas tomar em seus braços, dedos ágeis e giratórios capazes de circundar o complicado e harmoniosamente belo repertório de Garoto.

A primeira fruta madura que abocanhou do vaso de cristal servido aos ilustres convidados foi ‘Inspiração’, para se saborear como a um pedaço de bolo de aniversário. Em seguida, brindou em copos de plástico com ‘Duas Contas’, mais à vontade no ambiente festivo. ‘Um rosto de mulher’ sugeriu o momento fugaz e instantâneo em que sucede o estouro de um balão, e uma criança puxou as palmas.

‘Choro Triste Número 1’, climatizou o calor suspenso na ponta da vela quando é acesa. Atencioso como um João Gilberto, onde o silêncio dava as pausas complementares à música imaginativa, trouxe ‘Esperança’ e ‘Meditação’ à mesa. ‘Jorge do Fusa’ apareceu como o penúltimo a chegar, quase atrasado, mas ainda em tempo.

Premeditando o fim próximo, Humberto Junqueira resolveu gracejar e simpaticamente soprou línguas de sogra com a execução de ‘Gente Humilde’, peça conhecidíssima do presente dado por Garoto à posteridade, aos tempos infindos, eternos. Mas eis que a toda ocasião serena guarda uma surpresa, inesperada, um mar revolto em calmaria agarra a oferenda da Rainha.

Mozart Secundino subiu ao palco para junto com o protagonista dividir igualmente os holofotes, e quebrar o protocolo. Em comemorações o bom mesmo é ir além, subverter, dar risada. Assim foram de mão em mão, pé em pé, tocando valsas de Dilermando Reis, gostosamente sacudindo os membros do corpo quase rijo num improviso fragoroso e sucinto.

Pois bem, o aniversariante que guardara a visita surpresa, foi então surpreendido, com bolo, cantos de parabéns da platéia e amigos, muita algazarra da mais bem vinda, supondo-se até uma invasão geral no camarim. E a noite que começou com ‘Inspiração’, terminou em ‘Improviso’. Quer maneira melhor de viver a vida?

valsas Dilermando Reis

Raphael Vidigal

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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