Jorge Aragão (Pagode)

Pagode

Copo na mesa, borbulha a cerveja e ferve o salão. Com o corpo ajeitado para segurar no laço o cavaquinho, Jorge Aragão dá início à festa. Sem cerimônia, convida para apreciar o barulho que vem do fundo do nosso quintal.

Um sem número de sucessos postos à boca do povo enquanto todos se balançam no ritmo do pagode, confraternização acima de tudo, antes conceito do que número.

“Ô coisinha tão bonitinha do pai,
Ô coisinha tão bonitinha do pai,
Você vale ouro,
Todo o meu tesouro…
Agradeço a Deus porque te fez!”

Vindo do centro do Rio de Janeiro, coração do samba, Jorge Aragão põe raiz no seu pagode, revigora-se com pitadas de espontaneidade, e sorrisos difusos para o público, a quem trata como amigos, reunidos na roda da vida.

Logo foi descoberto por Elza Soares, já diva do mexe-mexe brasileiro ligado ao soul americano. Como “Malandro” que foge da polícia, o noviço compositor acertou de cara sua profissão: músico dos morros.

 “Podemos sorrir
Nada mais nos impede
Não dá pra fugir
Dessa coisa de pele
Sentida por nós
Desatando os nós
Sabemos agora
Nem tudo que é bom vem de fora…”

Todo romântico daria um bom sambista se fosse Jorge Aragão. Mas só mesmo ele pra grafar com modéstia e altitude as foscas cores do amor capaz de combinar letras apaixonadas com melodia que alça a platéia ao delírio. Campeão no quesito popular com refinamento.

Projetando a voz grossa aos estandartes maiores do nosso panteão, habitou-se a dividir cadeiras e abraços com Beth Carvalho, Almir Guineto, Paulinho da Viola, Alcione, Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, e claro, o mais importante, cidadão brasileiro: pronto a abraçar o pagode legítimo e descompromissado de Jorge Aragão.

“Deixe de lado
Esse baixo astral
Erga a cabeça
Enfrente o mal
Agindo assim
Será vital para o teu coração…”

coisinha do pai

Raphael Vidigal

Lido na Rádio Itatiaia dia 04/03/2012.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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