Ginga da Capoeira no Brasil

“esta se quer uma árvore
firme na terra, nativa,
que não quer negar a terra
nem, como ave, fugi-la.” João Cabral de Melo Neto

Joga, luta e dança. Perna, braço e atabaque. Berimbau, Brasil e África. Da ponta do pé ao corte dos olhos. Madame Satã. Zumbi dos Palmares. Besouro, diabo. Lança por cima da cabeça, comprida, diáspora. Volta como bumerangue, chicote. Estala. Pandeiro, agogô, viola. Discípulo, mestre, canto das águas. Vem Janaína, rainha do Mar. Vem Iemanjá. Luta, dança e joga. Por cima, por baixo, por entre os escravos. Trazidos da África. Brasil, berimbau, atabaque. Perna, amuleto, braço. Capoeira cai fácil gaivota. Terras, palmeiras e sábia. Gorjeiam os pilares. Passo na areia, estilete, corta. Peito pra frente, tronco pra trás, a revolta. Palmeiras, palmares, madame. Besouro zumbi satã.

Agogô, caxixi, Angola. Valsa, Idalina, Amazonas. Negro, índio, branco. Capoeira canto levanta. Capoeira zune derruba. Capoeira zona do mangue. Capoeira malandra de puta. Capoeira ginga gane. Capoeira faísca canta. Capoeira trisca derruba. Levanta, levanta, levanta. Vem Iemanjá, Olorum, Obá. Olodum, Bahia, Glauber. Rocha, pedra, fura. Água mole, areia áspera. Áspero sol, pescadores. Anzol rebenta ressaca. Rebento filho da luta. Filho do jogo. Filhos da dança. Capoeira não se derruba. Recolhe, rebola, chacoalha. Revida, resiste, vem nova. Do Brasil. Da África. Berimbau, agogô, atabaque. Do corte dos pés à ponta dos olhos. Por águas, por terras, por bambuzais. Por Salvador, por Recife, pelas Gerais. Rebimba retorna refrata. Vem luz ilumina vem nova.

carybe-capoeira-angola

Raphael Vidigal

Pinturas: Obras de Carybé.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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