Fernanda Brum (Música gospel)

“Se eu existo, logo Deus deve existir também. É uma gentileza que faço com um desconhecido.” Lobão

Cantora Gospel Pavão pavãozinho

O sobrenome lembra bruma. Desconhecida, fumegante. Plana plena pluma. Fernanda caminha por entre nuvens disformes, a colher os espinhos das rosas. Os espinhos, forma pontiaguda, esverdeada, negra na parte afiada, da coroa do Cristo. Pouco lhes lançamos olhares.

Porque neste segmento, ou em qualquer outro, a vermelhidão da flor investe-nos mais medo, ameaça, vertigem, vendagem? Fernanda clama ao outro lado, sem esquecer o fardo pesado e feio das calamidades. Toca na superfície da beira, na galhada menos baixia, na bexiga cheia: esvazia. Num único sopro de vento.

Fernanda é destas cantoras diferentes, de sucesso fácil, sob o rótulo: gospel. Canta às alturas de Deus, ao terreno dos homens, coloca em palavras sombrias e azuis os problemas sociais de moradores do aglomerado, da favela, da rebelião, assume as penas do pavão. O bico de Fernanda suga mel dos anjos e fel dos animais.

Fernanda bruma, Fernanda em suma é uma corajosa, alicerça adrenalina e sublimação na tentativa de chegar mais próxima da verdade superior, de suprimir as covardias, as gulas e luxúrias vivas, num corpo a morrer de pôr e pôr do sol, o espírito a sobreviver debutante, irreverente.

O vestido de Fernanda Brum, costurado por sua mãe Maria, mesmo que não creias, e o pai José, até porque não vistas, dispende ousadia humana e nobres traquejos, suspeitos, preconceitos: os tenho. Fernanda Brum: voz perene, sinto que concerne, à objeção simplista, uma observação, funda e finda: canta lindamente.

Fernanda Brum Pavão pavãozinho

Raphael Vidigal

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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