Crítica: “Miniconto” apresenta fusão inédita de dança, ginástica e música

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.” Fernando Pessoa [Ricardo Reis]

miniconto-canto

Analisando a obra de Júlio Bressane o crítico de cinema Inácio Araújo afirma ser dispensável o entendimento para compreensão de uma obra de arte. Mais do que isto, muitas vezes a maneira como as pessoas buscam entender uma obra serve de barreira, e não colo ou aceitação, no sentido de entrar em contato, com o que o autor propôs; isto estando aberto, inclusive, às possibilidades inerentes ao repertório de cada espectador, anulando-se a perspectiva vertical, “de cima para baixo”, em prol da horizontalidade. Em certa medida é o que se constata no expediente do duo curitibano “Miniconto”, formado por Karla Díbia e Daniel Amaral, inclusive na característica mais concreta do trabalho, para a qual a música “Canto” ganhou clipe já em rotação.

Karla, além de cantora, compositora e clarinetista, brinda a cena com seu talento para a ginástica rítmica, de que se valeu, em muitas medidas, a dança contemporânea, desde a alemã Pina Bausch. O estudo dos movimentos e a minúcia dos gestos contribuem para que a ambientação entre música e dança transborde num clima vaporoso e calmo, em que cada signo mínimo abarca um bilhão de possibilidades. No que o poeta curitibano Paulo Leminski há de ser outra referência, tanto pela precisão quanto por ter também levado a influência da atividade esportiva, no caso o judô, para a sua arte. Daniel Amaral, músico, violeiro, violonista, professor, guitarrista e compositor paulista é simétrico e pontual. O que garante relevo para que o “Miniconto” apresente canto imenso.

miniconto

Raphael Vidigal

Fotos: Fauno Filmes; e divulgação, respectivamente.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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