Carlos Galhardo (Cantores brasileiros)

Valsa brasileira

O sangue argentino que corria nas veias de Carlos Galhardo era sempre negado em entrevistas. Impossível não constatar a latinidade “hermana” que se entregava às grandes paixões na forma das valsas mais brasileiras. O cantor com pinta de galã foi para São Paulo ainda bebê, aos dois meses, mas foi no Rio de Janeiro que iniciou sua trajetória musical e artística, cantando e atuando em filmes.

“Os sonhos mais lindos sonhei,
De quimeras mil um castelo, ergui,
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão, mil venturas previ…”

Mal sabia ele que tudo começaria quando ainda era alfaiate. Pois foi executando a profissão da qual não gostava que conheceu o barítono e alfaiate Salvador Grimaldi, com quem ensaiava duetos de ópera. Eterno romântico, Carlos Galhardo teve uma trajetória difícil, tendo perdido a mãe aos 8 anos de idade. A partir dali, o pai o levou para morar com um parente no bairro do Estácio, e Carlos Galhardo foi definitivamente adotado pela música.

“Pra despertar teu ciúme
Tentei flertar alguém
Mas tu não flertaste ninguém
Olhavas só para mim
Vitória de amor cantei
Mas foi tudo um sonho… acordei!”

Em uma festa na qual estavam presentes Francisco Alves, Mário Reis e Lamartine Babo, Carlos Galhardo soltou a voz e agradou, sendo aconselhado a tentar a sorte no rádio. Sorte essa que lhe sorriu quando ele começou a cantar no coro que acompanhava as gravações da RCA – Victor. Logo, sua voz macia e doce descortinaria com delicadeza os versos da canção, talhando o veludo da cortina que encantou e fez sofrer diversos corações.

“Beijando teus lindos cabelos
Que a neve do tempo marcou
Eu tenho nos olhos molhados
A imagem que nada mudou”

Embora tenha ficado conhecido como o Rei da Valsa, Carlos Galhardo era acima de tudo “O Cantor que dispensa adjetivos” e gravou com categoria sambas e marchinhas inesquecíveis de autores do quilate de Ataulfo Alves, Assis Valente, Hervé Cordovil, Braguinha, Haroldo Lobo e Nássara, entre outros.

“Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô

Atravessamos o deserto do Saara
O Sol estava quente, queimou a nossa cara
Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô

Mas que calor, ô ô ô ô ô ô”

A voz de Carlos Galhardo exemplifica todo seu amor pela música, que embora embale versos tristes e sofridos mantém sempre a elegância dos pares que seguem os passos compassados da valsa, a alegria da multidão que dança o samba e pula o carnaval. No dia 25 de julho de 1985, Carlos Galhardo se foi, “deixando em tudo o perfume da saudade que ficou”, e agora “voa, pois a vida é tão boa quando se tem um amor no coração”, a vida é tão boa quando se ouve Carlos Galhardo cantando belas canções!

Quando lá no céu surgir
Uma peregrina flor
Pois todos devem saber
Que a sorte me tirou
Foi uma grande dor”

Carlos Galhardo cantor que dispensa adjetivos

Raphael Vidigal

Lido na Rádio Itatiaia por Acir Antão dia 25/04/2010.

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Comentários pelo Facebook

7 Comentários

  • Esse bigodinho passava muita credibilidade. Ainda deixarei o meu assim

    Resposta
  • Nossa, adorei!!!
    Desde pequena adoro Carlos Galhardo.
    Cantava Salão Grená o dia todo, em festas
    da escola, etc.
    Parabéns pelo site, no próximo slide que
    mandar vou tornar a divulga-lo.
    Bom dia e beijos,

    Resposta
  • Que lembrança fantastica Raphael….aida porque vc é muito jovem…
    A minha mãe era muito fá dele…..Valeu!!!!!!

    Resposta

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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