Análise: 80 anos de Woody Allen, cineasta do diálogo

“O coração é um músculo muito elástico.” Woody Allen

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Que as influências de Woody Allen variam e passam por nomes como Groucho Marx até Fellini é ponto pacífico. Mesmo por que a citação literal e solta são uma das marcas de seus filmes, impregnados, sobretudo, pela personagem do diretor, inclusive quando não é ele o protagonista; mas um dos que aceitam o desafio de reviver o seu alter ego na grande tela. Acontece que o decorrer desses 80 anos de vida, quase a totalidade deles dedicados à arte, garantiram ao diretor uma marca maior do que a de suas personagens, suas referências e os próprios filmes. Essa característica é fruto tanto do pensamento elaborado de Woody Allen quanto da maneira singular de filmagem (embora destaque-se em outras áreas como a música e a literatura, o grande público o reconhece no cinema). Ponto que melhor revela suas contradições, as fraquezas e méritos.

Não são poucos aqueles que apontam no cinema do diretor norte-americano a não superação da influência radiofônica, sobretudo pela constatação que a palavra invariavelmente abafa a imagem. No cinema de Woody Allen raramente valerá o ditado: “Uma imagem vale mais do que mil palavras”. Reverente de Ingmar Bergman e dos cineastas franceses, o diálogo é a grande vedete das produções allenianas. E mora aí o perigo e o tesouro. Allen representa, antes de tudo, um ponto de vista muito específico e agudo da existência; neurótico, angustiado, irônico, sarcástico, e sabe conjugar com humor, drama, ou pela fórmula distorcida e desgastada das comédias românticas, mas que em sua mão se renova, essa visão. Woody tem ideias e muitas dúvidas sobre a vida, à qual lança lentes de aumento cinematográficas.

Mas poderia ser a da música ou da literatura. Em Woody Allen o que vale é o conteúdo, nem tanto o que o suporta.

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Raphael Vidigal

Fotos: Arquivo e Divulgação.

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Raphael Vidigal

Formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, atua como jornalista, letrista e escritor

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